Em plena pandemia e em meio ao caos nas agências lotadas para pagamento do auxílio emergencial, a Caixa lucrou nos nove primeiros meses deste ano o lucro líquido de R$ 7,5 bilhões. De acordo com o balanço divulgado pelo banco nesta quarta-feira, 25, no 3º trimestre o lucro líquido foi de R$ 1,9 bilhão e o ajustado de R$ 2,6 bilhões. A Caixa, no entanto, não explicou os fatores que causam a diferença entre o lucro líquido e o ajustado. Em doze meses, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio da instituição foi de 12,72%.
De acordo com a análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no 3º trimestre o lucro da Caixa teve um crescimento de 1,7% em relação ao último período deste ano. Diante das inúmeras ações de desmonte do maior banco público do país, esse resultado escancara o quanto a Caixa é um banco forte, altamente rentável, tem papel estratégico para economia do país e como seus empregados atuam com responsabilidade.
“A atual direção da Caixa está lamentando uma queda no lucro. Mas precisamos ressaltar que neste contexto de pandemia, com a concentração do pagamento de auxílio emergencial na Caixa que levou à superlotação das agências e ainda com a brusca redução de empregados, o resultado é para ser comemorado. E mais, por trás do lucro está o trabalho árduo dos milhares de bancários e bancárias que além de realizarem o atendimento do serviço essencial, conseguiram bater metas e alcançar essa lucratividade. Todo esse esforço custou a vida de bancários, que acabaram contaminados pela covid-19, e ainda tem levado muitos ao adoecimento pelo excesso de trabalho e pela pressão para o cumprimento de metas”, analisa a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.
Demissões e sobrecarga de trabalho
Nos últimos cinco anos, a Caixa abriu diversos Planos de Demissão Voluntária (PDV’s), que levou ao desligamento de mais de 17 mil bancários. Sem reposição do quadro de empregados, o saldo nas agências é de muito trabalho e de escassez de profissionais. De acordo com o balanço divulgado pela Caixa, o 3º trimestre de 2020 encerrou com 84.290 empregados, com fechamento de 796 postos de trabalho em doze meses. Destes, 30 postos de trabalho foram reduzidos entre março e setembro de 2020, em plena pandemia. Também foram fechadas duas agências. Em contrapartida, a Caixa registrou incremento de aproximadamente 43.565 milhões de novos clientes.
A representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, destaca o papel fundamental dos bancários e bancárias no resultado do banco.
“O balanço do 3º trimestre da Caixa revela muito mais do que o lucro acumulado do ano de R$ 7,5 bi. O resultado social é extraordinário. A Caixa se superou mais uma vez e graças ao compromisso e eficiência dos empregados e contratados, que mesmo correndo risco de contágio pela covid-19, com trabalho dobrado e falta de pessoal, estão desde o início da pandemia na linha de frente. Foram atendidos em tempo recorde mais de 120 milhões de brasileiros, beneficiários dos programas sociais, todos os números que envolvem essa tarefa são gigantescos. Graças ao corpo técnico foram criados aplicativos e abertas 105 milhões de poupanças digitais para agilizar o pagamento. O fato inseriu o banco por completo na era tecnológica. Destaque também para o crédito habitacional e para as pequenas e médias empresas, que cresceu em meio à crise financeira”, enfatiza Rita Serrano.
Não à privatização
A Caixa se destaca nesta pandemia como um banco capaz de responder rapidamente às necessidades de operacionalização de programas sociais e ainda ser altamente rentável. É importante destacar que, como banco 100% público, o lucro da Caixa é enviado para o Tesouro Nacional, ou seja, são bilhões a mais de recursos para investimentos em políticas públicas.
“As ações executadas em decorrência desse ano atípico prova que se hoje o Estado conta com um banco público do porte da Caixa, que pode ser usado em momentos de calamidade pública e para a execução de políticas anticíclicas é porque ao longo de muitos governos, incluindo o atual, os empregados, entidades e movimentos organizados empunharam a bandeira de defesa de manutenção do banco público frente às iniciativas de privatização”, frisa Rita Serrano.
Qual o interesse que há, portanto, por trás da sede de Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes, de privatização da Caixa? Por que vender um banco rentável, presente em todos os municípios do Brasil, estratégico para a economia e com corpo técnico de empregados altamente qualificado? Não há outa resposta a não ser um projeto de entrega do patrimônio dos brasileiros ao capital financeiro privado e internacional, grupo do qual, inclusive, Guedes faz parte.
“Somos incansáveis na luta em defesa da Caixa 100% pública. Vamos resistir a mais esse governo privatista e entreguista. Estamos em campanha pela contratação de mais empregados e vamos continuar nos mobilizando contra toda e qualquer abertura de venda das subsidiárias da Caixa. A estratégia desse governo é esfacelar o banco. Por isso, convocamos todos os bancários, bancárias e a sociedade em geral para abraçar essa luta em defesa do patrimônio dos brasileiros”, convoca a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.
Mais empregados, menos filas: abaixo-assinado pede contratações na Caixa
Confira AQUI análise do Dieese do balanço da Caixa.








