“Sr. Pedro, não me conhecia? Prazer, Lixão”

04/12/2020 18:35

Em cerimônia no Planalto, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, se disse estarrecido ao descobrir recentemente que há pessoas vivendo em meio ao chorume em lixões

Foto Lixão/Pedro Guimarães_EBC

Nessa quinta-feira, 03, durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse não imaginar que havia brasileiros morando em lixões. Ele contou que descobriu o fato há cerca de três semanas ao visitar alguns lixões. “E o que a gente viu é algo que eu nunca tinha pensado que existisse. Pessoas morando nos lixões e vivendo no chorume”, disse em tom surpreso.

Guimarães talvez tenha imaginado que sua fala, imediatamente repercutida na imprensa, seria coberta de afagos nas redes sociais, com as pessoas enaltecendo a sua “sensibilidade”. O efeito, porém, foi reverso, tanto alguns jornalistas que abordaram o tema em matérias quanto internautas nas redes sociais criticaram a alienação de Pedro Guimarães.

“Metade dos municípios brasileiros ainda descarta seus resíduos sólidos em lixões. Se ele quiser, terá oportunidade de ser apresentado a centenas deles Brasil afora. Vai descobrir também que o ilustre ‘desconhecido’ lixão também atende pelo nome de miséria”, provoca a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges.

Para a sindicalista, a declaração revela o despreparo de Guimarães para dirigir a Caixa. “Como outros membros deste Governo, Guimarães mostra que não está à altura do cargo que exerce”. Essa descoberta e declaração de Guimarães beira o mau caratismo e é perversa, porque o perverso sabe e ignora aquela realidade ou fato. É inadmissível que o presidente do maior banco público da América Latina e que é o gestor de recursos de programa sociais importantes e também operador de recursos para saneamento básico, habilitação popular, diga desconhecer que extratos da população vivam em condições sub-humanas. Essa declaração não pode ser esquecida ou ignorada. Precisamos descobrir o que realmente está por trás dessa declaração. Fora Pedro Guimarães, fora Guedes e fora Bolsonaro!”, desabafa.

Aumento da miséria

Talvez Pedro Guimarães também não saiba, mas um estudo do Instituto Brasileiro de Economia Aplicada (Ibre) e FGV, com base nos dados da Pnad/Covid, apontou que a redução do auxílio emergencial, de R$ 600 para R$ 300, aumentou em mais de 8,6 milhões o número de pessoas vivendo na pobreza na passagem de agosto a setembro, quando houve a redução. Nesse mesmo período, mais 4 milhões de pessoas desceram para o segundo subsolo da pirâmide, onde estão os miseráveis.

Segundo Lizandre, o mesmo Guimarães que se diz chocado com os moradores do lixão é o mesmo que apoia a decisão do ministro Paulo Guedes de cortar o auxílio emergencial a partir de 2021. A dirigente alerta, com base nas projeções do mesmo estudo, que em janeiro a situação que já é gravíssima tende a piorar.

“Sem o auxílio emergencial e com a marca recorde de mais de 14 milhões de desempregados, o destino de muitos brasileiros e brasileiras, infelizmente, será locais de extrema miséria, como os lixões. Se Pedro Guimarães quiser arriscar voltar aos lixões no próximo ano, se chocará, desta vez, com o aumento da população de miseráveis. Resultado da política ultraliberal perversa do Governo do qual ele faz parte e é cúmplice”, finaliza Lizandre.