A pandemia do novo coronavírus já matou mais de 175 mil no país, mas definitivamente não sensibilizou a maioria dos grandes empresários brasileiros, especialmente os banqueiros. Ao contrário, alguns estão pondo pra fora a perversidade que sempre esteve latente.Uma declaração que chamou a atenção recentemente partiu do presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior (foto capa). Durante uma teleconferência ele afirmou que no quarto trimestre termina de “cortar o mato alto”, comparando os empregados que vêm sendo demitidos em massa a “mato alto”. Não satisfeito com o despautério, completou: “A partir de 2021, será tiro de sniper”, decretou.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Iracélio Lomes, as declarações confirmam a desumanidade do presidente de um dos maiores bancos privados do país. “Em meio à mais grave pandemia dos últimos 100 anos, aliada a uma crise econômica que carrega a marca catastrófica de mais de 14 milhões de desempregados, com o aumento do emprego informal, da pobreza e da miséria, Lazari festeja as demissões comparando os empregados demitidos a “mato alto”. Essa é a cara da chamada elite empresarial brasileira”.
O sindicalista acrescenta que a expressão “sniper”, usada por Lazari analogicamente para dizer que a gestão do banco será ainda mais “detalhista e precisa”, é outra comparação exdrúxula. Iracélio destaca que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo. Mesmo com a pandemia, os homicídios seguem crescendo e a polícia matando ainda mais.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, só no ano passado 6.357 pessoas foram mortas pela polícia no Brasil. Esse número vem crescendo ano a ano. “Nesse fim de semana lamentamos a morte de mais duas crianças no Rio de Janeiro. Emily e Rebeca foram mortas enquanto brincavam na porta da casa delas. Num cenário violento como esse do Brasil, o presidente do Bradesco vem fazer metáfora de gestão com sniper. É muita falta de sensibilidade”, critica Iracélio.
Demissão em massa
Na avaliação do dirigente sindical essa visão insensível e desumana do presidente explica a voracidade das demissões do banco nos últimos meses. Iracélio destaca que o Bradesco já acumula lucro de mais de R$ 13 bilhões somente de janeiro a setembro deste ano. Os ótimos resultados, mesmo em meio à pandemia, não impediram que o banco demitissem mais de 3 mil empregados em todo o país.
“Lazari não olha ao redor. Ele simplesmente está focado nas metas para o Bradesco lucrar ainda mais em 2021. O que estiver na frente e que possa pôr em risco esse ganancioso plano do banco, o presidente do Bradesco está disposto a eliminar. No caso, Lazari está eliminando trabalhadores e trabalhadoras do Bradesco com esse processo sem fim de demissões em massa. Acho que ele recorreu à palavra sniper pela frieza do atirador de elite, que mira no alvo e não se preocupa mais com nada”, afirma Iracélio.








