Em reunião na última sexta-feira, 22, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com representantes do banco para discutir os impactos do agravamento da pandemia da covid-19 para os empregados do banco. A COE reivindicou a retomada do teletrabalho, com rodízio das equipes, com o propósito de reduzir a aglomeração nos locais de trabalho. A Comissão também propôs um aditivo ao atual acordo de horas negativas. O Santander se recusou a discutir mudanças no teletrabalho e agendou uma nova reunião para quinta-feira (28) para definir uma posição da empresa sobre o banco de horas negativas.
“Muitos gestores não sabem o que fazer quando alguém da equipe está com suspeita de covid-19. Há demora na tomada de decisão, o que pode implicar na morte de trabalhadores”, alertou Mario Raia, secretário de Assuntos Socioeconômicos e representante da Contraf na COE.
O diretor da Federação dos Bancários RJ/ES Claudio Merçon (Cacau) critica a posição intransigente do banco de se recusar a discutir a retomada do teletrabalho. “Em janeiro registramos um aumento substancial de novos casos de covid em todo o país. Já são quase 9 milhões de infectados e mais de 217 mil óbitos. Esse crescimento das curvas da pandemia se reflete praticamente em todos os estados brasileiros. No Espírito Santo, já são 5.668 mortes e mais de 285 mil casos da doença. A média de novos casos nos últimos sete dias é de 1.478, superior aos números registrados em junho e julho no Estado, quando enfrentamos o pico da doença em 2020”, aponta. (Veja quadro abaixo).

O dirigente chama atenção ainda para o fato de os cientistas brasileiros estarem alertando que a explosão de casos que está sendo registrada em Manaus, se repita em outros estados. “É inadmissível que o banco se recuse a discutir a manutenção do home office como a medida mais efetiva neste momento para evitar a propagação do vírus entre os empregados e clientes do banco. Estamos reivindicando o home office para salvar vidas”, enfatiza Cacau.
Lucimara Malaquias, coordenadora do COE, afimrou que é um atentado à saúde e à vida manter esse contingente no presencial com mais de 217 mil mortos e piora a cada dia da pandemia. “Vamos começar a responsabilizar o Santander pelas coisas que estão acontecendo”, avisou.
Horas negativas
Além da retomada do home office, a COE também propôs discutir o banco de horas negativas. Esse ponto de pauta será retomado em nova reunião na quinta-feira, 28, quando o anco deve se posicionar sobre o banco de horas.
Segundo Cacau, é preciso rediscutir o banco de horas e buscar uma solução razoável para o impasse. “Quando discutimos no ano passado com o Santander o banco de horas negativas, nem nós, empregados, tampouco o banco, tínhamos como prever a duração da pandemia. Em março completamos um ano de pandemia e alguns empregados acumulam horas negativas que se tornaram impagáveis. O Santander não pode perder de vista que estamos enfrentando a mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos. Já são quase 100 milhões de casos no mundo e mais de 2 milhões de mortos. Será que o Santander ainda não entendeu a gravidade da crise?, questiona o dirigente da Fetraf.
Visitas externas
A COE cobrou dos representantes do banco o fato dos funcionários serem pressionados a fazerem visitas presenciais a clientes. Os representantes do banco disseram que a orientação é para as visitas a clientes serem feitas por vídeo e só ocorrem casos de visitas presenciais “quando é essencial”. Também foi apontado pela COE que o protocolo de ações contra a covid-19 não está sendo cumprido em unidades de trabalho e que as recomendações e orientações acambam tendo interpretações diferentes pelos gestores.









