Em reunião virtual marcada para a próxima terça-feira, 02, o Comando Nacional dos Bancários vai discutir com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a adoção de medidas preventivas para proteger a categoria da segunda onda da covid-19, que tem provocado o aumento de novos casos e mortes no mês de janeiro. Um dos pontos da pauta, será a retomada e mesmo a ampliação do número de bancários em home office. O Comando aponta que alguns bancos, a partir de janeiro, deixaram de adotar o home office, convocando os empregados para o retorno à atividade presencial.
Na avaliação de Carlos Pereira de Araújo (Carlão) do Comando Nacional, a decisão de alguns bancos de forçarem o retorno dos funcionários justamente no momento de crescimento da doença, além de irresponsável, vai na contramão dos alertas da comunidade científica brasileira, que segue recomendando o isolamento social como a medida mais efetiva para evitar a transmissão da doença.
“A vacina já é uma realidade, mas o processo de vacinação no Brasil é lento em função da posição negacionista da pandemia por parte do Governo Bolsonaro. Até agora ainda não vacinamos nem o primeiro milhão de pessoas. Isso representa menos que 0,5% da população brasileira. Com os casos avançando, as taxas de internação subindo e os óbitos chegando a 220 mil, os bancos deveriam colocar a saúde de seus funcionários como prioridade. Mas, lamentavelmente, prevalece a lógica de pôr o lucro na frente das vidas”, critica o dirigente sindical.
Carlão lembra ainda que a opção pelo teletrabalho, que envolveu um significativo percentual de bancários em 2020, provou que a modalidade não causou impactos nos resultados dos bancos. “Como já é histórico no Brasil, os bancos ganham muito com a crise ou sem crise. Extraordinário seria ouvir falar que os bancos tiveram prejuízo. Longe disso”.
O dirigente aponta que nos nove primeiros meses de 2020 os cinco maiores bancos do país (Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco) registraram lucro superior a R$ 53 bilhões. Não tem cabimento os bancos imporem o retorno num momento de agravamento da pandemia. Preservar os bancários e as bancárias neste momento é uma questão humanitária. Vamos ver na reunião da terça-feira se a Fenaban demonstram um pouco de empatia com a categoria e banca a manutenção e mesmo a ampliação do home office”, finaliza Carlão.

