Mesmo com lucro de R$ 13,8 bi, Santander demite e fecha agências

03/02/2021 20:43

Lucro é superior aos anos de 2017 e 2018 e apenas 4,8% menor do que os um R$ 14,1 bilhões apurados em 2019. Apesar do resultado, o banco desligou 3.220 empregados e fechou 175 agências em todo o país.

O Santander anunciou nesta quarta-feira, 03, lucro líquido de R$ 13,8 bilhões. O resultado supera os R$ 9 bilhões apurados em 2017; os R$ 12,6 bilhões em 2018 e fica apenas 4,8% abaixo dos 14,1 registrados em 2019 – ano em que todos os bancos bateram recordes de lucro. Os analistas de mercado elogiaram os resultados do Santander e fizeram previsões otimistas para 2021, com lucro líquido acima da casa dos R$ 15 bilhões.

Os resultados apresentados pelo banco nos últimos anos não têm se refletido na melhoria das condições de trabalho dos seus empregados e tampouco evitado as demissões em massa. A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Claudia Garcia destaca que o banco, no início da pandemia, se comprometeu em não fazer demissões, mas quebrou o acordo com o movimento sindical. “Apesar dos lucros nas alturas, o banco demitiu 3.220 funcionários e fechou 175 agências bancárias em todo o país. Isso tudo em plena crise sanitária”, critica.

Com os cortes impostos pelo banco, o número de agências passou de 2.328 em dezembro de 2019 para 2.153 no final de 2020. Com as demissões feitas no ano passado, o banco reduziu seus quadros de 47.819 para 44.599 funcionários.

O lucro líquido apurado no quarto trimestre de 2020 foi de R$ 3,8 bilhões, uma alta de 1,2% em relação aos três meses anteriores, quando o ganho havia ficado em R$ 3,8 bilhões. Já o lucro gerencial, que exclui fatores extraordinários, ficou em R$ 3,9 bilhões nos últimos três meses do ano passado.

Em 2020, o Santander lucrou R$ 18,4 bilhões apenas com tarifas e prestação de serviços, o suficiente para cobrir 204,4% da despesa com pessoal (remuneração dos bancários + encargos + benefícios e PLR), que totalizou R$ R$ 9 bilhões no ano passado (uma queda de 4,9% na comparação com 2019). Sobre as despesas administrativas, que somaram R$ 12,8 bilhões em 2020, o lucro com tarifas cobriu 144,3% deste montante.

“No conjunto dos números fica patente a robustez dos resultados. Diferentemente das expectativas de perdas projetadas pelos bancos em 2020 por causa da pandemia, os resultados confirmam que os bancos são um dos únicos setores da economia que sempre ganham, com ou sem crise”, assinala a dirigente.

Inadimplência

O também diretor do Sindicato Thiago Guimarães enfatiza que o Santander, seguindo a receita de quase todos os bancos brasileiros, reforçou as provisões prevendo um grande calote em função da pandemia, que acabou não se confirmando. “Muito ao contrário, a taxa de inadimplência invés de aumentar, caiu. A exemplo do Itaú, o Santander também fechou 2020 com uma taxa de inadimplência inferior a 2019”, compara.

De acordo com os dados do banco espanhol, o índice de inadimplência superior a 90 dias caiu 0,8 ponto percentual em 2020 e atingiu 2,1% em dezembro de 2020, menor patamar já registrado. No Itaú, a queda em relação a 2019 foi de 0,7 ponto percentual.

Perdas no exterior

Dos grandes bancos que migraram para o Brasil nos últimos anos, a instituição espanhola foi uma das poucas que se adaptaram ao mercado nacional. O banco conseguiu se manter entre os cinco gigantes do setor, ao lado de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa. HSBC, Citibank e Bilbao Vicaya são alguns dos estrangeiros que recentemente abortaram seus planos no Brasil.

“Os resultados do Santander no exterior em 2020 são mais um dos motivos para o banco voltar suas atenções para Brasil. Podemos dizer que a política nacional sempre foi um diferencial para os bancos. Nos últimos dois anos, a política econômica comandada por Paulo Guedes tem sido ainda mais benevolente às instituições financeiras. Temos um ministro da economia com DNA de banqueiro, que trata os bancos na ponta dos dedos e massacra a classe trabalhadora”, critica o diretor do Sindicato Jonathas Correa.

Em todo o mundo, o Santander anunciou prejuízo líquido de 8,7 bilhões de euros (US$ 10,5 bilhões) em 2020, devido a provisões e depreciações de ativos provocadas pela pandemia.