Na noite dessa quinta-feira, 11, bancárias e bancários do Banco do Brasil se reuniram em plenária virtual para avaliar a paralisação da última quarta-feira, 10, e traçar as ações de mobilização e luta para as próximas semanas. Aliás, a plenária dessa quarta aconteceu simultaneamente em várias bases sindicais do país porque essa é uma das ações definidas pela agenda nacional do movimento contra o desmonte do BB.

Durante a plenária, os funcionários do BB avaliaram que a paralisação do dia 10 foi positiva. Um bancário apontou que houve uma maior adesão voluntária dos colegas, fazendo uma comparação com a paralisação anterior, a do dia 29 de janeiro. Ele também chamou atenção para a boa recepção dos clientes do banco à paralisação. “Desta vez conseguimos dialogar mais com a comunidade e explicar o que representará o processo de reestruturação que está sendo imposto pelo Banco do Brasil. Alguns clientes prometeram até que ligariam para o 0800 do banco para protestar contra o fechamento da agência da qual é correntista”.

Outros bancários comentaram sobre a alcance nacional do movimento e destacaram algumas mobilizações que repercutiram positivamente na imprensa, como o criativo protesto feito pelos funcionários do BB em Juiz de Fora (MG). “Temos que nos inspirar nessas ações que repercutiram positivamente”, um outro sugeriu. Os participantes repudiaram as cenas de violência da Polícia Militar contra bancários no DF. Mais de 200 trabalhadores teriam sido agredidos com gás de pimenta e golpes de cassetete.

Apesar da avaliação positiva dessa segunda paralisação, houve consenso de que é preciso engajar mais funcionários no movimento. A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone, que coordenou a plenária, fez um balanço positivo da paralisação, mas também ratificou que é preciso mobilizar mais colegas para o movimento de resistência à reestruturação.

A dirigente destacou também que, além do engajamento dos colegas, é importante que todos e todas se envolvam no trabalho de mobilização da classe política. “É hora de pegar o telefone e ligar, mandar mensagens para vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais e senadores. Temos que pressioná-los porque o fechamento de agências trará impactos preocupantes para os municípios, que já estão com as economias bastante combalidas por conta da pandemia”, assinalou Goretti.

Negociações com o BB

Goretti Barone fez um resumo das rodadas de negociações que se iniciaram na última segunda-feira, 08, entre representantes do Comando Nacional, Comissão de Empresa dos Funcionários e BB. A dirigente disse que até o momento as negociações não avançaram porque o banco tem sido intransigente.

A dirigente lembrou que desde o anúncio da reestruturação, no dia 11 de janeiro, a direção do BB já sinalizava que não estava disposta a rever o processo que resultou na demissão de mais de 5 mil funcionários e prevê o fechamento de 361 unidades (entre agências e postos de atendimento) e o descomissionamento dos caixas e de outros bancários que exercem funções comissionadas.

Apesar da posição inicial do BB refratária ao diálogo, a dirigente diz que a direção do banco decidiu se sentar à mesa de negociação no início desta semana porque ficou incomodada com as paralisações do dia 29 de janeiro e com a que estava na iminência de acontecer no dia 10. “Mas as propostas apresentadas até agora pelo banco são indecorosas. Tanto que o Comando e a Comissão recusaram a proposta na mesa”, sublinhou Goretti.

O BB considerou manter a gratificação dos caixas por três meses, incluindo janeiro, e mais um mês de prioridade para acionamento da gratificação de caixa.

O banco exigiu ainda que fossem retiradas todas as ações contra o fechamento de agências e também aquelas relativas à retirada da gratificação dos caixas. Goretti avaliou que a proposta não atende à demanda dos bancários e só empurra o problema para frente.

Encaminhamentos

As bancárias e os bancários também concordaram em manter a agenda nacional de mobilização (confira abaixo). Entre os encaminhamentos, os bancários do BB no Espírito Santo também propuseram que todos adotem o preto como traje de luta todos os dias da semana.

A seguir, veja a proposta de calendário de mobilização e luta para os próximos dias:

Manutenção do Estado de Greve;
Pedido de audiência pública no Senado com convocação do presidente do BB
Paralisações;
Ações pontuais,
18/2 (quinta-feira) – Plenárias em todos as bases do país;
Ajuizamento de ações coletivas através da Contraf e dos seus sindicatos contra a retirada compulsória da gratificação dos caixas, contra o fechamento de agências, contra o desconto dos dias parados além da reclassificação das faltas não abonada não autorizadas decorrentes da paralisação;
Mobilizar senadores, deputados (estaduais e federais), governadores, prefeitos e vereadores em defesa do BB.
19/2 (sexta-feira) – Atos/mobilizações.

O Comando e a Comissão de Empresa têm agendada uma nova rodada de negociação com o BB na próxima sexta-feira, 19 de fevereiro.

Homenagem

Ao final da plenária, a diretora do Sindicato Rita Lima pediu um minuto de silêncio em homenagem ao militante de direitos humanos Lula Rocha, que faleceu nessa quinta-feira. Rita Lima relembrou da trajetória de luta do jovem militante de 36 anos na defesa dos jovens e do povo negro. “Lula Rocha foi nosso companheiro de luta em diversas jornadas. Quando perdemos um grande lutador como ele, um pedaço de nós também morre junto. É importante prestarmos essa homenagem nesse espaço de organização e luta do Sindicato, porque a luta sempre fez parte da vida dele. O legado deixado por ele nos inspira para prosseguirmos lutando”.

Todos e todas saudaram a homenagem póstuma com um emocionante “Lula Presente!”.