Jair Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, vêm usando o banco e seus recursos para fazer campanha eleitoral antecipada, prática considerada ilegal pela Justiça Eleitoral. A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) denuncia as ações eleitoreiras que têm sido recorrentes país afora. Nessa sexta-feira, 11, ambos estarão no Espírito Santo para mais uma ação eleitoreira.

O uso da Caixa como palanque eleitoral foi ficando mais caracterizado com o excesso de viagens de Guimarães pelo país. O assunto chegou a ser repercutido pela grande imprensa. Em quase 30 meses no cargo, o executivo que comanda o banco público já fez cerca de 100 viagens pelo país. A diretora do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da CEE/Caixa, Lizandre Borges, considera um escárnio com a população e com os empregados o uso eleitoreiro do banco pelo seu presidente.

Figurinha carimbada

Bolsonaro e Pedro Guimarães tomam leite durante live. À ocasião, parte da imprensa suscitou que o ato estava associado a um símbolo do movimento supremacista branco

A dirigente lembra que Guimarães já é figurinha carimbada nas lives semanais do presidente da República. A imagem do presidente da Caixa, aponta Lizandre, está intimamente associada à de Bolsonaro. Segundo ela, essas ações eleitoreiras, além de estarem promovendo o presidente, beneficiam também, por tabela, o próprio Guimarães, que teria planos para 2022. “Corre nos bastidores de Brasília que Guimarães teria pretensões políticas nas eleições do próximo ano. O próprio Guedes teria ventilado o nome do presidente da Caixa para disputa de 2022”.

“As agendas desses encontros são claras, aproximar-se dos empresários e políticos locais. Por ele ser tão próximo do presidente, em quase todos os casos, faz chamada de vídeo e promessas de investimentos nas regiões. Isso é uma nítida campanha eleitoral bancada com os recursos da Caixa. Não podemos permitir este absurdo”, afirma a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.

Lizandre acrescenta que, para fora, Guimarães usa as políticas públicas da Caixa para se autopromover eleitoreiramente, mas, por trás, articula com Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes a privatização da empresa, o que inviabilizaria justamente os compromissos sociais do maior banco público da América Latina.

Bolsonaro e Guimarães no ES

Nesta sexta-feira, 11, Bolsonaro faz sua primeira visita ao Espírito Santo como presidente da República. Na agenda está previsto um sobrevoo para o presidente avistar o Porto de Vitória, a BR 447 e as obras do Contorno do Mestre Álvaro. Em seguida, ele segue para São Mateus (norte do Estado) para inaugurar casas populares.

“Pedro Guimarães, com presença confirmada na comitiva, deve enaltecer a Caixa como fomentadora do crédito habitacional para as moradias populares que serão entregues. O evento deve se transformar em mais uma ação política na qual a Caixa será novamente como palanque eleitoral”, critica Lizandre.

A dirigente completa: “Queremos avisar ao Pedro Guimarães que não nos interessa sua visita. O que nos interessa saber é quando os empregados e as empregadas da Caixa serão incluídos no Plano Nacional de Imunização da covid-19; quando a direção do banco irá melhorar as condições sanitárias e de trabalho. Tudo que não interessa neste momento ao povo brasileiro, e muito menos aos empregados da Caixa, é uma visita oportunista com caráter flagrantemente eleitoreiro. Nem Bolsonaro, nem Guimarães são bem-vindos. Fora Bolsonaro; Fora Guimarães”, protesta.

Não são bem-vindos

Nesta sexta é dia dos empregados e das empregadas da Caixa no Espírito Santo vestirem roupas e máscaras pretas em protesto ao uso eleitoreiro do banco. “Querem transformar a Caixa em trampolim político e nós temos que dar um basta a essa ação eleitoreira”.

Lizandre critica mais uma ação eleitoreira de Guimarães, desta vez no Espírito Santo, usando a Caixa como palanque. “Queremos avisar ao Pedro Guimarães e a Bolsonaro que não são bem-vindos aqui. O que nos interessa saber é quando os empregados e as empregadas da Caixa serão incluídos no Plano Nacional de Imunização da covid-19; quando a direção do banco irá melhorar as condições sanitárias e de trabalho”.