Depois de intensa mobilização das centrais e entidades sindicais de todo o país, o Ministério da Saúde anunciou no último dia 6 a inclusão dos bancários e dos funcionários dos Correios nos grupos prioritários do Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. No dia 15 de julho, o Ministério da Saúde publicou a nota técnica formalizando a inclusão: “Nesta pauta fica orientada a disponibilização de 20% do total de doses distribuídas a cada Unidade Federada aos Bancários e Trabalhadores dos Correios”, determina um trecho na nota.
Depois da nota técnica do Ministério da Saúde, a categoria bancária passou a aguardar ansiosamente pela publicação do calendário de vacinação por parte do Governo do Estado. No último dia 13, o Sindicato enviou ofício pedindo um posicionamento do Governo do Estado sobre o calendário de vacinação da categoria.
“Nossa indignação é que até agora o governador Renato Casagrande se mantém omisso ante a inclusão dos bancários e das bancárias nos grupos prioritários de vacinação. Estamos tentando imaginar os motivos desse silêncio. Talvez esse boicote à categoria se explique pelo fato de o Sindicato dos Bancários/ES ter tido um posicionamento crítico do Governo do Estado na gestão da pandemia”, supõe a coordenadora-geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.
Desde o início da pandemia, diz Rita Lima, o Sindicato cobrou do Governo do Estado a adoção do lockdown como a medida mais eficaz para controlar a disseminação da doença. “O governador, no entanto, sempre se mostrou reticente em adotar um isolamento mais rígido, com base na ciência, porque dobrou os joelhos para as elites empresariais do Espírito Santo, que não queriam parar a economia. Entre salvar vidas e a economia, o governador pendeu para o apelo dos grandes empresários. O resultado dessa fidelidade aos donos do dinheiro são os mais de meio milhão de casos de covid e as 11.700 mortes registradas até agora. Não podemos esquecer que na média de óbitos por 100 mil habitantes, somos o oitavo estado do país. Essa não me parece uma gestão exemplar da pandemia, como o governador tem propagado por aí”.
Vacina não chega no braço dos bancários
Tão logo o Ministério da Saúde anunciou a inclusão da categoria bancário nos grupos prioritários de vacinação, o Sindicato intensificou as cobranças ao governo do Estado. A dirigente conta que quando foi iniciada a vacinação no país e definidos os grupos prioritários, o Sindicato entregou ao governador um ofício reivindicando a inclusão dos bancários nesses grupos. “Sequer recebemos uma resposta dessa demanda. Casagrande simplesmente ignorou nosso pedido. Um total desrespeito não apenas ao Sindicato, mas aos milhares de bancários e bancárias capixabas que representamos”.
Em junho, houve nova pressão do Sindicato com a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei que incluiu os bancários nos grupos prioritários. “Nada sensibilizou o governador.”.
Agências bancárias: covil da covid
É fato que as agências bancárias são verdadeiras caixas de concreto sem ventilação natural, concebidas para proteger o patrimônio dos bancos e não proporcionar bem-estar para funcionários e clientes que ali trabalham ou circulam . Espaços que estão quase sempre aglomerados e favorecem a propagação do vírus. Diversos estudos científicos já chamaram atenção para o alto risco de contágio em ambientes fechados e sem ventilação natural.
Em abril deste ano, em entrevista ao site do Sindicato, a epidemiologista e professora da Ufes, Ethel Maciel, afirmou que os profissionais que desempenham atividades essenciais estão mais vulneráveis ao vírus e por isso deveriam estar incluídos entre os grupos prioritários de vacinação. A professora disse que a definição de grupos prioritários tem fundamento científico em dois critérios-chave: pessoas que estão mais vulneráveis ao risco de infecção e adoecimento e as que estão sob maior risco de morte.
Na ocasião do anúncio da inclusão dos bancários e dos funcionários dos Correios nos grupos prioritários do PNI o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou: “Essas categorias apresentaram relatórios pormenorizados, descrevendo os aspectos epidemiológicos de cada uma delas, onde há um adoecimento desses brasileiros por estarem na linha de frente, muitos deles pagaram com a própria vida”, disse ministro.
Mortes na categoria
Para a coordenadora do Sindicato, o governador afirma que se baseia na ciência apenas quando lhe convém. Ela diz que se fossem considerados os casos de covid e as mortes causadas pela doença na categoria, haveria motivos de sobra para a inclusão dos bancários nos grupos prioritários de vacinação.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), aponta que os desligamentos por morte cresceram 71,6% entre trabalhadores e trabalhadoras celetistas do país no comparativo entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021. Quando o recorte é feito na categoria bancária, o crescimento é ainda maior: 176%. No Espírito Santo, o aumento de mortes entre os celetistas, no geral, foi de 61,8%. Inferior aos 66,6% – percentual de crescimento entre os bancários capixabas.
A dirigente lembra que a categoria bancária é uma das que não pararam um dia sequer nesses 16 meses de pandemia. Ainda em abril de 2020, o Decreto Federal 10.329 classificou os serviços bancários como essenciais. Somente os empregados da Caixa pagaram o auxílio emergencial entre 2020 e 2021 a mais de 108 milhões de brasileiros, mais da metade da população.
“Os bancários e as bancárias são essenciais para pagar o auxílio emergencial e outros benefícios sociais que mitigam os efeitos socioeconômicos da pandemia, especialmente sobre os segmentos mais vulneráveis da população. Entretanto, aos olhos do governador, a categoria não deve ser classificada como prioritária para a vacinação”.
No dia 12 de julho o governador anunciou a inclusão de novos grupos prioritários à vacinação e, mais uma vez, não incluiu a categoria bancária. A dirigente diz que o Sindicato já havia se desiludido com a possibilidade de o Governo do Estado contemplar os bancários. “Depois do anúncio dessa última resolução [116/2021], tivemos a certeza de que os bancários não são prioridade no Plano Estadual de Imunização do Governo do Estado. Mas o governador tem a obrigação de cumprir a determinação do Ministério da Saúde, que tem entendimento distinto”.
Mobilização
Para manifestar seu repúdio à omissão do governador Renato Casagrande, o Sindicato está organizando uma mobilização nos meios de comunicação e redes sociais. Rita Lima pede que os bancários e as bancárias se engajem na mobilização com postagens nas redes sociais para pressionar o Governo do Estado a cumprir a determinação do Ministério da Saúde e vacinar a categoria bancária. “Não estamos pedindo nenhuma caridade ao governador, mas exigindo um direito que foi reconhecido pelo Ministério da Saúde”, assinala Rita Lima.
Abaixo, os endereços das redes sociais do governador Renato Casagrande e do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes. Cobrem a resposta à pergunta: “Casagrande, cadê a nossa vacina?”
Facebook
@renatocasagrande

nesio.fernandesdemedeirosjunior.9

Instagran


(Foto capa: Secom/ES)



