Encontro Nacional dos trabalhadores do Bradesco tem como destaques emprego, saúde e segurança

04/08/2021 18:54

No mesmo dia em que os trabalhadores faziam o debate sobre 9.425 demissões, o Bradesco anunciava lucro de R$ 12,8 bilhões no 10 semestre de 2021 - resultado 68% maior no comparativo com 2020

O Encontro Nacional dos Trabalhadores do Bradesco teve como principais pontos da minuta emprego, saúde e segurança. O diretor da Fetraf RJ-ES Ricardo Rios acrescentou que o home office também esteve no centro das discussões do encontro, que se estendeu ao longo dessa terça-feira, 03. O documento elaborado a partir do encontro será encaminhado à direção do Bradesco.

A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Magaly Fagundes, afirmou que o grupo irá retomar a mesa específica para negociar o fim das demissões, principalmente durante a pandemia.

As discussões em torno das demissões ganharam mais força no encontro porque justamente nessa terça o Bradesco anunciou os resultados do segundo trimestre de 2021. O segundo maior banco privado do país fechou o primeiro semestre com lucro de R$ 12,8 bilhões. O resultado é 68,3% maior no comparativo com o mesmo período de 2020.

Lucro acima da vida

Sandra Alzira Gonçalves, diretora do Sindicato do Bancários/ES, disse que o lucro de mais de R$ 12 bilhões no primeiro semestre não evitou que o Bradesco demitisse 9.425 demissões nos últimos 12 meses. “Logo no início da pandemia, o Bradesco foi o terceiro grande banco privado a se comprometer a não fazer demissões durante a pandemia. Foi o terceiro a prometer e o primeiro que mais demitiu”, criticou Sandra. Ela acrescentou que os resultados positivos em contraponto às demissões confirmam que para o Bradesco o lucro vale mais que a vida.

No encontro, Gustavo Cavarzan, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese), apontou que o fechamento dos postos de trabalho e o de agências são dois dos principais pontos do lucro do Bradesco nos últimos meses. “O Bradesco está trocando agências por unidade de negócios, com menos bancários, menor estrutura de segurança o que aumenta seus lucros. A redução no emprego também chama atenção, principalmente, por ser em sua grande maioria de trabalhadores de agências”, explicou.

Ao final de junho de 2021, o Bradesco contava com 87.362 empregados no país, com fechamento de 9.425 postos de trabalho em 12 meses e 1.325 no trimestre. Em 12 meses, foram fechadas 999 agências e abertas 601 unidades de negócios totalizando 3.168 agências e 877 unidades de negócios

Segurança

A discussão sobre segurança está diretamente relacionada à reestruturação do Bradesco, que passa pela troca de agências por unidades de negócios, como aponta o estudo do Dieese.

“O Bradesco insiste na tese de que as unidades de negócios não necessitam de portas giratórias e vigilantes, justificando que não há circulação de numerários. Mas nos terminais de autoatendimento circula dinheiro. Sem as portas giratórias e os vigilantes, funcionários e clientes ficam mais vulneráveis”, assinalou Sandra.

Saúde do trabalhador

Saúde foi outro ponto bastante debatido. O diretor da Fetraf/RJ-ES disse que o tema ganhou ainda mais relevo com os impactos da pandemia sobre a saúde dos bancários e das bancárias. Segundo Ricardo Rios, houve uma discussão sobre a inclusão dos aposentados no plano de saúde. “Como esse foi um ponto que gerou grande polêmica, a Coe Bradesco ficou de elaborar uma consulta para saber se os funcionários são a favor da inclusão dos aposentados no plano”, explicou.

A inclusão da categoria bancária como grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização (PNI) foi outra questão trazida para o debate. De acordo com Sandra, o problema relatado é que muitos estados ainda não regulamentaram a determinação do Ministério da Saúde que incluiu os bancários nos grupos prioritários de vacinação. “Existe a determinação do Ministério da Saúde, mas, na prática, sabemos que muitos bancários e bancárias ainda não foram vacinados”.

Home office

O home office, que está diretamente relacionado à pandemia e à vacinação, também esteve entre os temas mais debatidos no encontro. A queixa principal foi com relação à falta de uma regulamentação para o home office.

Sandra disse que há também uma pressão do banco para que os funcionários que tomaram a segunda dose da vacina contra a covid retornem ao trabalho presencial. “Muitos bancários pertencem ao grupo de risco e não sabemos ainda quais são os impactos dessa nova variante [Delta] altamente contagiosa que já circula no Brasil”.

Ela acrescentou que a Coe do Bradesco reivindica que esse processo de retorno seja feito com critérios e cautelas sanitárias para não expor os empregados ao contágio. A Coe ficou de propor uma reunião com o Bradesco para discutir o retorno dos funcionários que estão em home office.

Os delegados e as delegadas do encontro nacional também debateram a necessidade de negociar com o banco o acordo de teletrabalho assinado em 2020. A proposta é rever pontos do acordo feito durante a pandemia e ajustar a necessidade do trabalhador que está há mais de um ano em home office.

Mais de R$ 12 bilhões de lucro

O Bradesco foi o terceiro dos grandes bancos privados do país a apresentar os resultados do do primeiro semestre de 2021. Santander e Itaú apresentaram, respectivamente, lucro de R$ 8,8 bilhões e R$ 12,9 bilhões. O Bradesco registrou no período lucro líquido de R$ 12,8 bilhões, alta de 68,3% em relação ao mesmo período de 2020.

No 2º trimestre, o lucro do Bradesco foi de R$ 6,3 bilhões, alta de 63,2% em 12 meses. O retorno sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado do banco (ROE) foi de 18,2%, com alta de 6,4 p.p. em doze meses. Segundo o relatório do banco, o crescimento observado no resultado, em relação ao 1º semestre de 2020, se deu em “função de diversos fatores, tais como maiores receitas com prestação de serviços, crescimento da margem financeira com
clientes, menores despesas operacionais e menores despesas com PDD”.

A Carteira de Crédito Expandida do banco cresceu 9,9% em doze meses, atingindo R$ 726,5 bilhões. As operações com pessoas físicas (PF) cresceram 21% no período, totalizando R$ 285,6 bilhões, com destaque para o financiamento imobiliário (+40,0%), cartão de crédito (+23,1%) e o crédito consignado (+19,8%).

Enquanto todos os resultados apontaram para cima, o Índice de Inadimplência para atrasos superiores a 90 dias caiu 0,5 p.p., ficando em 2,5% no 1º trimestre. As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) foram reduzidas em 51,8% em relação ao mesmo período de 2020, totalizando R$ 7,4 bilhões em junho de 2021.

A receita com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceu 3,4% em doze meses, totalizando R$ 13,3 bilhões. As despesas de pessoal considerando a PLR teve leve crescimento de 0,8%, somando R$ 9,632 bilhões. Com isso, a cobertura destas despesas pelas receitas secundárias do banco aumentou para 138,5% no período. (Com Informações do Dieese)

(Arte capa_ Contraf)