O Banco do Brasil divulgou na última semana o lucro líquido do segundo trimestre do ano: R$ 5 bilhões.  Com esse resultado, o BB elevou para R$ 10 bilhões o lucro líquido ajustado nos seis primeiros meses deste ano, um crescimento de 48,4% em relação ao mesmo período de 2020, segundo análise elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Por trás dos altos lucros, está a perversa política de demissão adotada pelo BB, que fechou quase 7 mil postos de trabalho em plena pandemia.

Segundo o banco, a redução das provisões para lidar com devedores duvidosos (PCLD Ampliada) e o crescimento da carteira de crédito destacam-se no resultado do semestre. Mas a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone, denuncia o perverso modelo de gestão adotado pelo banco com corte de empregados, o fechamento de agências e pressão para cobrança de metas como um dos pilares da direção atual do BB para aumentar o lucro.

“Apesar de todos os problemas econômicos e sociais que o Brasil enfrenta, o BB teve alta de quase 50% no lucro, em um dos períodos mais críticos da pandemia no país. O BB é um dos maiores banco do país, com forte atuação no setor empresarial e agrícola, mas boa parte dessa alta lucratividade é resultado de um processo de reestruturação que deixou os funcionários e funcionárias aterrorizados, com descomissionamentos dos caixas, transferências compulsórias e pressão para adesão ao programa de demissão voluntária. Além disso, o BB fechou agências, reduziu os postos de atendimento, dificultando o atendimento à população”, enfatiza.

Redução do pessoal e sobrecarga

Em um ano, o banco fechou 6.956 postos de trabalho e, do primeiro para o segundo semestre de 2021, essa redução de pessoal se acentuou ainda mais. Somente neste segundo trimestre, no escopo do Programa de Adequação de Quadros (PAQ) e do Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), o banco reduziu seu quadro de pessoal em 2.358 funcionários. Além disso, em 12 meses, foram fechadas 390 agências e 33 postos de atendimento bancário e o número de clientes aumentou em 2,9 milhões.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias alcançaram R$ 14,1 bilhões no ano, enquanto as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, somou R$ 12 bilhões no período. Ou seja, somente com a receita de tarifas e serviços bancários, que representa uma parte ínfima de toda a arrecadação do banco, é possível cobrir todas as despesas com funcionários e ainda sobram 17,4% do valor.

“O BB têm importância fundamental no desenvolvimento do país, principalmente na agricultura. Além de cumprir esse papel, o BB é uma empresa lucrativa, construída há mais de 200 anos por milhares de funcionários e funcionárias, que merecem respeito e valorização. Essa é uma gestão opressora que tem levado muitos bancários ao adoecimento e ainda reduzido a presença física do BB nas cidades brasileiras com o objetivo de privatizar o banco. Defender os direitos conquistados pelos funcionários e a continuidade do BB público é responsabilidade de todos os trabalhadores da categoria bancária”, enfatiza Goretti.

Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES