Nessa quarta-feira (11), a Comissão Executiva de Empregados (CEE/Caixa) e a direção do banco retomaram a mesa de negociação para dar continuidade às etapas previstas no Acordo Coletivo sobre o modelo de custeio e gestão do Saúde Caixa, que deve ser  implementado a partir de janeiro de 2022.

Os representantes dos trabalhadores sugeriram a simulação de outros formatos de custeio que não se pautassem na aplicação da Resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR 23), que prevê a paridade nas contribuições assistenciais e administrativas do Saúde Caixa (50%/50%), alterando o modelo atual de 70% dos custos financiados pela empresa e 30% pelos empregados.

A direção da Caixa, na linha imposta pela gestão Pedro Guimarães que trata os empregados como adversários, rechaçou a proposta e se manteve intransigente, argumentando que “a Resolução continua vigente como diretriz do controlador”. Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da CEE/Caixa Lizandre Borges, o impasse se mantém porque a da Caixa insiste em impor as diretrizes da CGPAR 23. “A direção da Caixa quer se fundamentar numa Resolução que está com um pé dentro da cova e o outro prestes a entrar”. 

A dirigente salienta que o PDC 956, que susta os efeitos da CGPAR 23, já obteve vitória categórica na Câmara e a tendência é que a matéria seja aprovada também no Senado. Lizandre diz que a direção da Caixa quer impor o custeio 50%/50%, se colocando irredutível  na manutenção do modelo 70%/30%. “O impasse deve perdurar porque a Caixa não quer sentar à mesa para negociar, mas para impor uma proposta de custeio e gestão que já estava  pronta antes de o GT ser instalado”. 

Saída unilateral do GT

Para a dirigente, Pedro Guimarães primeiro demorou meses para instalar o GT, contrariando o que estava previsto no Acordo Coletivo 2020/2022. Depois de implantado, continua Lizandre, a direção da Caixa agiu o tempo todo para travar as negociações do GT, boicotando, por exemplo, o repasse das informações para que os números do Saúde Caixa fossem analisados pela empresa de auditoria contratada pelos representantes dos empregados. 

“Com a saída unilateral da Caixa do GT, antes da construção das propostas, resta evidente que o propósito da direção da Caixa, o tempo todo, foi encenar que estava disposta a fazer uma negociação. “A verdade é que a direção da Caixa nunca quis negociar. Eles estavam encenando para depois deixar o palco às escondidas, pela coxia, antes da cortina baixar, deixando público, no caso os empregados e as empregadas, sem o desfecho da história”, diz Lizandre. 

No final das contas, diz a dirigente, não foi possível construir uma proposta conjunta, porque os propósitos são antagônicos. “O que temos hoje é uma proposta dos representantes dos empregados que mantém o modelo 70%/30% e os princípios do mutualismo, solidariedade e pacto intergeracional; e a proposta do grupo que representa os interesses da direção da Caixa, que impõe as diretrizes da quase falecida CGPAR 23. Temos um impasse. E, na minha opinião, esse cenário só muda com mobilização, resistência e luta”, conclui. 

A próxima mesa de negociação está marcada para segunda-feira, 16.