A 23ª Conferência Interestadual dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo reuniu virtualmente nesse sábado, 14, bancários e bancárias dos dois estados. As palestras abordaram a conjuntura política do país, a saúde do trabalhador e a questão do emprego na categoria bancária. Por unanimidade, os participantes aprovaram levar as duas teses apresentadas à Conferência Nacional. Foram 118 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção.
Após o presidente da Fetraf RJ/ES, Nilton Damião Esperança, das as boas-vidas e abrir oficialmente a 23ª Conferência Interestadual, foi feita uma homenagem às vítimas da covid-19. Um vídeo contou um pouco da história de vida dessas pessoas, inclusive, da categoria bancária.
O diretor do Sindibancários/ES e membro da Fetraf RJ/ES Cláudio Merçon (Cacau) avaliou a conferência como uma das melhores dos últimos anos. Ele destacou o nível dos debates e os temas das palestras. “Trazer para a discussão a saúde em tempo de pandemia foi uma decisão muito acertada”. Cacau elogiou especialmente a fala da doutora em Saúde Pública e pesquisadora da Fundacentro (Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho), Maria Maeno.
O dirigente também classificou como oportuno o debate sobre o emprego da categoria bancária, que sofreu grandes cortes de postos de trabalho em plena pandemia. “Apareceram questões importantes que apontam a precarização do trabalho na categoria nas últimas décadas”. Cacau chamou atenção para a migração do bancário para as financeiras e o aumento da pejotização do setor.
Conjuntura
O deputado federal Marcelo Freixo foi o palestrante convidado para falar sobre conjuntura. Ele destacou a urgência de se criar frentes amplas para se combater um governo fascista e autoritário. Também disse que a unidade dos movimentos sindicais e sociais é essencial, criando uma plataforma de luta em comum. Freixo citou a Constituição de 88, como um exemplo de como o cidadão deve encarar o momento atual. “Nosso papel não é só de eleitor, mas de pessoas que devem lutar por seus direitos”.
Saúde do trabalhador
A médica Maria Maeno, que também fez palestras na Conferência Estadual do Espírito Santo e no Conecef, falou sobre o tema “Covid e Ambiente de Trabalho”. Ela destacou a importância de a covid-19 ser considerada como doença de trabalho. Maeno também apontou a necessidade de se criar comitês internos nas empresas para respaldar a categoria.
A questão do “Emprego bancário: dinâmica na última década e evolução recente” foi o tema da palestra de Fernando Benfica, técnico do Dieese/RJ e doutorando em Economia pela Universidade Federal Fluminense (PPGE-UFF)
Propostas
Houve uma votação em relação ao encaminhamento à Conferência Nacional das duas teses apresentadas: uma Intersindical Central/Resistência e Luta e outra do Fórum, do interior do Rio. Segundo Cacau, dos pontos apresentados em ambas as teses, a maioria foi contemplada no documento que registrou as principais propostas da 23ª Conferência Interestadual da Fetraf RJ/ES, que foi aprovada à unanimidade por 118 votos. As duas teses serão apresentadas no Congresso Nacional, que acontece nos dias 3 e 4 de setembro
“É importante registrar a participação maciça dos bancários e das bancárias do Rio e Espírito Santo no congresso. Essa boa participação favoreceu os debates. O resultado é que saímos do congresso mais instrumentalizados e fortalecidos para os enfrentamos que teremos com os banqueiros nos pós-pandemia”, finalizou Cacau.
Confira a seguir as propostas do 23ª Conferência Interestadual dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo:
- Apoio às mobilizações pelo Fora Bolsonaro, Mourão e pelo fim da política ultraliberal e entreguista de Paulo Guedes;
- Combater, denunciar e responsabilizar este governo pelos crimes ambientais e de omissão e negacionismo durante a pandemia que vitimou mais de meio milhão de pessoas;
- Construir e consolidar para 2022 com os partidos e movimentos sindicais e sociais um campo progressivo para que sejam revistas as Reformas da Previdência e Trabalhista; as privatizações da Eletrobrás, dos Correios e do Pré-Sal; o fim independência do Banco Central entre outras medidas que trouxeram prejuízo à classe trabalhadora e a economia;
- Valorizar nossa CCT com validade de 2 anos que neste momento possibilita à categoria ter a certeza de um reajuste com ganho real e a manutenção dos direitos conquistados em décadas de mobilizações, lutas e greves. Mas neste momento de pandemia é necessário construir, via acordo entre as partes;
- Minuta que garanta o retorno seguro ao trabalho com critérios claros, com condições seguras, um ambiente controlado (inclusive com instrumentos que afiram a qualidade do ar) e avaliação médica;
- Vacinação da categoria e dos/das trabalhadores/as de agência bancária – Se for pelo SUS lutar pela prioridade já no início do período estipulado pelo Governo Federal. E quando a iniciativa privada puder adquirir que os bancos as incluam em um calendário tal qual é a H1N1;
- Continuar estimulando a utilização de EPIs e obrigar os bancos a emitirem a CAT;
- Responsabilizar social e economicamente os empregadores pelos impactos na vida profissional dos/das bancários por causa das sequelas da COVID-19. Por isso, é fundamental incluir nas negociações o monitoramento e o acompanhamento de quem foi contaminado por COVID;
- Cobrar dos bancos o cumprimento CCT, em especial as Cláusulas: em especial as cláusulas: complementação de auxílio-doença previdenciário e auxílio-doença acidentário e adiantamento emergencial de salário nos períodos transitórios especiais de afastamento por doença;
- Contestar o fim dos caixas, retirada das portas giratórias e retirada dos vigilantes nas unidades de negócios;
- Combater as demissões;
- Defender os bancos públicos;
- Defender a jornada de 6 horas.
- Estimular a inclusão dos/das trabalhadores/as do Ramo Financeiro nos estatutos dos sindicatos de base.
Principais eixos específicos e políticos da categoria bancária:
- Promoção de igualdade de oportunidades
- Defesa da jornada de 6 horas
- Fim das metas
- Defesa do emprego bancário
- Saúde do trabalhador
- Segurança bancária
- Trabalho remoto
- Isonomia
- Defesa dos bancos públicos
- Manutenção das homologações no sindicato
- Fora Bolsonaro/Mourão.
- Vacina para todos e todas.
- Pela revogação da Emenda Constitucional n° 95
- Pela revogação da reforma trabalhista
- Pela revogação da reforma da Previdência
- Pela revogação da terceirização
- Auditoria da Dívida Pública Já
- Pelo fim da discriminação e violência racial
- Pelo fim da violência contra as mulheres e a população LGBTQIA+
- Estatização do sistema financeiro
- Ratificação da Convenção 158 da OIT
- Defesa dos serviços públicos, do SUS e da Educação
- Não à Reforma Administrativa
- Pelo fim da autonomia do Banco Central
Eleição de delegados e delegadas
Em votação novamente unânime, os participantes aprovaram a chapa de delegados e delegadas eleita para representar a Fetraf RJ/ES na 23ª Conferência Nacional dos Bancários.
Nilton Damião fez as considerações finais e agradeceu a presença e participação de todas e todas: “É gratificante estar à frente de uma Federação com sindicatos tão fortes e atuantes. Esta Conferência nos dá a certeza de que temos força e competência para alcançarmos nossos objetivos e representar com excelência a categoria bancária.”

