
Dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram presencialmente nesta quarta-feira, 25, com o diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, e com outros membros da diretoria para discutir um assunto único: a privatização da Banestes Seguros.
Os fatos que provocaram a reunião começaram no dia 14 de julho com a publicação de fato relevante ao mercado para comunicar a abertura de um processo de seleção de assessoria para “potencializar os negócios” da seguradora. Cerca de um mês depois, o Banestes, em novo comunicado ao mercado, confirmou a contratação do banco Genial como a empresa selecionada para fazer a assessoria. Surpreendentemente, uma semana depois do anúncio, num terceiro comunicado, o Banestes cancelou o processo com o Genial sem explicar exatamente os motivos, mas adiantando que retomará a seleção de nova empresa em breve.
Na abertura da reunião, Amarildo negou de forma veemente a privatização da Banestes Seguros. Ele explicou que o Banestes vai continuar com 100% da seguradora e ainda ficará com 49% da nova empresa a ser criada e a iniciativa privada com 51%. “Não é privatização. Estamos buscando uma empresa para montar um novo modelo de negócio para fortalecer a seguradora”. Em seguida, ele justificou que a seguradora não tem todos os produtos da cesta de seguros para atender os clientes do Banestes hoje de maneira completa. Acrescentou que o banco também não tem capital para investir numa reestruturação da Banestes Seguros para torná-la competitiva a outras empresas que operam no mercado de seguros.
O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire criticou o processo e comparou a gestão do governador Renato Casagrande à política privatista que vem sendo imposta por Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes (Economia) em relação às empresas públicas federais. “O processo anunciado pelo Banestes tem cheiro, cara e jeito de privatização. A direção do Banestes pode chamar de parceria, sociedade, incorporação, ação entre amigos ou seja lá o que for, mas nós o conhecemos como privatização”.
Idelmar Casagrande da direção nacional da Intersindical ratifica a crítica de Jonas. “Recentemente, quando o presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, anunciou a Oferta Pública Inicial [IPO] da Caixa Seguridade, também negou que estivesse fazendo a venda fatiada do banco público federal. Nessa operação o Banestes não está vendendo as ações da seguradora, mas está criando um nova empresa que será controlada pela iniciativa privada para assumir os ativos da empresa pública. Olhando para o futuro, a Banestes Seguradora vai se esvair até ficar oca, enquanto a empresa privada vai crescer”.
Jonas completa: “Por mais que Amarildo reafirme que a seguradora não será vendida, a interpretação do Sindicato é de que se trata de uma privatização disfarçada. São os novos arranjos criados pela política neoliberal para se apropriar do patrimônio público”.
Futuro dos empregados
Outro ponto de grande preocupação do Sindicato colocado na mesa de reunião foi com relação ao destino dos empregados. Amarildo disse que hoje, dos 88 funcionários da seguradora, 30 têm mais de três décadas de banco, dando a entender que este grupo estaria mais suscetível a uma negociação, como um PDV, para deixar a Banestes; outros 58, em tese, poderiam permanecer. Ele garantiu que os funcionários que optarem por fazer parte da nova empresa, carregam seus direitos e benefícios atuais. “Eu sei que os funcionários estão assustados, mas garanto que ninguém vai perder direito nenhum”. Mais à frente, reafirmou: “Ninguém vai ficar desamparado ou perder direitos ou emprego”. Ao longo da reunião Amarildo repetiu essa promessa outras vezes”.
Idelmar analisa com cautela a promessa de Amarildo. O dirigente lembrou ao diretor-presidente do Banestes que o então candidato ao governo Renato Casagrande também prometeu que não privatizaria o Banestes e agora está entregando a seguradora à iniciativa privada. “Como afirmou Jonas, o projeto do governador não é diferente ao de Bolsonaro e Guedes, no que se refere à política privatista. Não podemos perder de vista que a responsabilidade sobre o Banestes, em última análise, é exclusivamente do governo do Estado. Essas decisões não são do banco, são do governador”, pontuou.
Idelmar adverte, fazendo menção à fala de Amarildo, que os detalhes da gestão da nova empresa seriam definidos no processo de transição. “Apesar das promessas de que os direitos estão assegurados, temos que redobrar a atenção no processo para não sermos surpreendidos”.
Investimento
Jonas Freire inquiriu Amarildo por que o Banestes não optou por investir na seguradora em vez de buscar uma parceria no mercado. “Ora, essa gestão está à frente do Banestes de 2019, se a empresa estava perdendo competitividade, como alegou Amarildo, mais assertivo seria buscar uma assessoria para incrementar os negócios da seguradora e não sentenciá-la à morte. Porque é isso que se desenha para a seguradora”.
O dirigente adverte que a estrutura de 139 agências físicas presentes nos 78 municípios capixabas e todo o corpo de pessoal do Banestes, assim como a carteira de clientes e a credibilidade agregada à marca Banestes, como um banco dos capixabas, entra como contrapartida para se criar uma nova empresa, que será entregue de mãos beijadas à iniciativa privada.
“Amarildo alega que o Banestes não tem recursos para fazer os investimentos na seguradora e tampouco capacidade para montar a estrutura necessária para se manter competitivo no mercado de seguros. Mas entrega todo esse ativo de agências, funcionários, clientes e credibilidade como contrapartida. Que empresa da área de seguros pensaria duas vezes para agarrar uma oportunidade dessas?”, questiona.
Cancelamento do banco Genial
Em busca de respostas sobre as reais motivações do Banestes para ter anunciado que o banco Genial prestaria assessoria à seguradora e, uma semana depois, ter decidido cancelar o processo, Idelmar pediu explicações a Amarildo. O diretor-presidente do Banestes foi evasivo na resposta. Ele alegou que o comunicado do dia 14 de julho, que anunciou a seleção das assessorias, incluiu, além da seguridade, gestão e distribuição de títulos e valores mobiliários (DTVM). “Nem precisávamos ter cancelado [o processo com o Genial]. Lá atrás [se referindo ao comunicado do dia 14 de julho], incluímos seguridade e DTVM e depois decidimos que era só a seguridade e decidimos fazer um novo fato relevante [23 de agosto] para dar mais transprência”.
Pés atrás
O Sindicato interpreta com reservas as explicações do executivo do Banestes. Idelmar diz que a versão do diretor-presidente do Banestes não convence. “Ouvimos as explicações, mas ficamos com os dois pés bem fincados atrás. Embora Amarildo insista que todo esse processo de negociação da seguradora seja estritamente técnico, nós sabemos que é político. Fica no ar a pergunta se houve outro motivo por trás do cancelamento repentino do processo com o Genial. Vamos ter mais pistas em breve quando for anunciada a nova empresa que fará a assessoria e, mais à frente, quando for definida a companhia que assumirá as operações de seguridade do Banestes. A conferir”, projeta Idelmar.
Sem diálogo
Os diretores do Sindicato cobraram do diretor-presidente do Banestes uma agenda com o governador Renato Casagrande que, desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2019, se recusa a dialogar com o Sindicato dos Bancários/ES. “O governador não conversa com o Sindicato. É como no caso da Banescaixa, vamos apanhando, apanhando… Isso vai se acumulando e não há abertura de diálogo do outro lado. Uma hora a gente cansa de apanhar”.
O dirigente reiterou ao diretor-presidente do Banestes que faça chegar ao governador a demanda de uma agenda urgente para conversar sobre a Banestes Seguros e de outras questões que afetam hoje os funcionários e funcionárias do Banestes.









