“O crédito não é neutro, ele direciona o investimento, a capacidade produtiva e de consumo de um país. É o maior instrumento do capitalismo para gerar o processo de acumulação que temos hoje”, afirmou a economista Fernanda de Freitas Feil, pesquisadora do Grupo de Pesquisa sobre Finanças e Desenvolvimento (FINDE). Ela participou da mesa “Qual Sistema Financeiro o Brasil precisa”, na manhã deste sábado, 04, durante a Conferência Nacional da categoria.
Para a palestrante, um dos principais problemas do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é a alta concentração. “Temos no Brasil 1.300 instituições financeiras e, dessas, seis concentram a maior parte das operações e ativos do sistema financeiro”.
As seis instituições financeiras a que se refere Feil são Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Santander e BNDES, que juntas concentram 72,2% dos ativos do SFN e 77,1% das operações de crédito, segundo dados apresentados pela palestrante.

Slide apresentado pela economista Fernanda Feil mostrando concentração no Sistema Financeiro
Comprometimento social
Para Fernanda, o golpe de 2016 mudou a forma como o governo enxergava o papel do Estado e iniciou-se uma guerra contra os bancos públicos, importantes agentes do desenvolvimento no Brasil. Apesar das tentativas de desmonte, os bancos públicos se mostraram novamente essenciais na gestão dos programas de crédito executados durante a pandemia.
Ela destaca ainda que as instituições financeiras atuam numa lógica capitalista e neoliberal, buscando o lucro e não os benefícios de sua atuação para a sociedade, e que é preciso mudar essa lógica através de um Estado comprometido com o desenvolvimento social, tendo os bancos públicos como braço de políticas públicas transformadoras.
O professor Ladislau Dawbor (PUC-SP), também convidado da mesa, endossou a necessidade de um sistema financeiro que atue em prol dos interesses da população. “O Sistema Financeiro deve ser útil para a socedade”, diz.

Segundo ele, o SFN hoje não é funcional e “está drenando a capacidade de compra das famílias e de investimento das empresas, paralisando a economia”.
Ele defende que a funcionalidade do Sistema Financeiro deve se dar em função das transformações que o Brasil necessita, que ele resume em “uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável”.

