Na última quarta-feira, 29, diretoras do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram com a gerente de Mercado da Superintendência de Varejo do Banco do Brasil, Daniely Reinholz, e com a assessora da GEPES Rio de Janeiro, Kelly Moura. O Sindicato solicitou à representante da Super-ES para que fosse feita uma reorientação aos gestores no sentido de zelar pelo cumprimento da resolução do Banco Central e da Instrução Normativa 201 no tocante à atuação do correspondente bancário.
Insatisfação
A atividade do correspondente bancário, agente terceirizado que atua na oferta de crédito, tem causado insatisfação aos bancários. A diretora do Sindicato Bethânia Emerick explica que inicialmente os correspondentes ficavam dentro das agências, depois passaram para a área de autoatendimento e agora estão literalmente na rua, abordando os clientes na porta do banco.
A dirigente destaca que a Resolução 3.954 do BC, que regulamenta a atividade do correspondente, veda o trabalho dentro dos limites da agência. “Impedido de atuar na agência pela resolução, o correspondente acabou se instalando no passeio público. Essa situação gera insatisfação ao bancário, que vê suas metas cada vez mais distantes em função do correspondente agir como uma espécie de ‘atravessador’ do cliente; para o correspondente, que trabalha na rua, sem estrutura e em condições precárias; para o cliente, que, além de desconforto de ser atendido da calçada, fica vulnerável do ponto de vista da segurança; e para o próprio banco, que tem sua imagem arranhada aos olhos da sociedade, já que a atividade terceirizada do correspondente está associada à marca BB, e não me parece positivo que o banco endosse a abordagem de rua”, analisa Bethânia.
Ante as cobranças do Sindicato, a gerente de Mercado, que faz a gestão da atividade de correspondente, ressaltou que o banco está cumprindo estritamente a resolução do BC e a IN 201 do BB, ou seja, está mantendo os correspondentes fora da agência. “Os correspondentes estão atendendo da porta pra fora”, disse Daniely.
A diretora do Sindicato Goretti Barone afirma que, apesar do argumento da gerente de Mercado se restringir ao cumprimento da resolução do BC, na prática, a atividade tem gerado certa indignação entre os funcionários porque interfere no cumprimento das metas, além de outros problemas já apontados. “O Sindicato vai continuar acompanhando de perto o cumprimento da resolução, mas é muito importante que os funcionários e as funcionárias, no dia a dia, fiquem atentos se a resolução está sendo cumprida à risca e também cobrem e confrontem seus gestores imediatos se a norma for descumprido. Para fazer o papel de fiscal é importante que os funcionários conheçam mais a fundo a resolução do BC e a IN do BB, só assim terão propriedade para cobrar, assim como levar as eventuais irregularidades ao Sindicato”, ressalta a dirigente.
Precarizados
Goretti destaca ainda que a reforma trabalhista representou ataques aos direitos e garantias de toda a classe trabalhadora. Para a dirigente, os correspondentes fazem parte de uma categoria de trabalhadores terceirizados que estão à margem das garantias trabalhistas.
“Os correspondentes são trabalhadores vulneráveis, vítimas desse processo de precarização das relações de trabalho. O ideal é que eles possam desempenhar dignamente suas atividades em locais adequados, sem precisar trabalhar na calçada e, ao mesmo tempo, sem ferir a resolução do BC, que veda o atendimento no interior das agências. Importante ressaltar também que há uma certa tolerância do BB com toda essa situação. Como a própria gerente de Mercado afirmou na reunião, as agências que têm correspondentes alcançam melhores resultados. Mais uma vez, infelizmente, parece que o banco está deixando a questão humana de lado e pondo o lucro acima de tudo”, finaliza Goretti.

