Os quatro grandes bancos anunciaram nos últimos dias os resultados do 3º trimestre de 2021 (3T21). Os lucros de Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil somam R$ 21,3 bilhões. O resultado é 36,7% superior no comparativo com o mesmo período de 2020. O lucro também supera em 10,5% o resultado obtido no 3T19, ou seja, antes da pandemia.
Para Carlos Pereira de Araújo (Carlão), do Comando Nacional dos Bancários, o lucro do 3T21 confirma a tendência que se repetiu ao longo da pandemia. “Os bancos foram um dos poucos setores da economia que passaram incólumes à pandemia. A maré dos bancos é tão boa que os resultados de 2021 já superam os apurados antes da crise sanitária”.
O lucro do segundo trimestre dos quatro gigantes de R$ 23,1 já havia sido recorde histórico. “A tendência é de que eles fechem 2021, ano em que a covid mais matou no Brasil, com um novo recorde histórico”.
Fosso social
Carlão aponta que o setor financeiro é um dos segmentos da economia brasileira que mais aprofundam o fosso da desigualdade social. “Enquanto os bancos empilham lucros, nos chocamos diariamente com as imagens dos mais pobres disputando ossos para sobreviver. Temos cerca de 20 milhões de brasileiros passando fome e mais da metade da população em insegurança alimentar. Isso significa que 116 milhões de brasileiros, ao acordarem, não sabem se vão ter o que comer nas próximas 24 horas”.
O dirigente diz ainda que o aumento da miséria combinado às altas taxas de desemprego tornam o lucro estratosférico dos bancos ainda mais imoral. “A gente fica se perguntando como a elite que está no topo da pirâmide põe a cabeça todos os dias no travesseiro e dorme sem culpa”.
Indiferença para dentro e para fora
Se os bancos são indiferentes à desigualdade social do país, internamente, com seus funcionários, também prevalece a lógica do lucro acima da vida. Carlão diz que durante toda a pandemia, de maneira geral, os bancos arroxaram as metas por resultados, demitiram em massa e tentaram retirar direitos dos bancários e das bancárias. “Não houve trégua. Ao contrário. Os bancos se aproveitaram da vulnerabilidade dos trabalhadores em função da crise sanitária para precarizar as relações de trabalho. As pesquisas apontam que ao mesmo tempo em que o setor bancário vem fechando postos de trabalho, tem aumentado as contratações terceirizadas. A precarização da mão de obra bancária associada ao incremento de novas tecnologias que substituem humanos por máquinas têm aumentado as margens de lucro dos bancos. Os números estão aí para quem quiser comprovar”, critica o dirigente.
Resultados dos quatro gigantes
Dos R$ 21,3 bilhões apurados no 3º trimestre de 2021, o Bradesco lidera com R$ 6,6 bilhões, seguido pelo Itaú (R$ 5,8 bilhões), Banco do Brasil (R$ 4,6 bilhões) e Santander (R$ 4,27 bilhões). Veja abaixo gráfico do lucro comparativo dos quatro gigantes de 2017 a 2021.

Se de um lado o lucro superou as expectativas dos bancos, de outro, a taxa de inadimplência dos quatro grandes bancos foi, em média, de 2,3% no 3T21. “Essa é uma taxa excelente, considerando que em 2019, sem pandemia, esse índice esteve na casa de 5%”.
Em 2020, continua Carlão, os bancos fizeram uma estimativa exagerada de Provisão de Devedores Duvidosos (PDD). No final do ano passado, reconheceram que superestimaram a reserva, mas alertaram que a inadimplência explodiria em 2021, quando havia uma previsão de aumento dos casos de covid. “Nos primeiros meses de 2021 as curvas da covid, de fato, foram às alturas, mas a inadimplência seguiu caindo trimestre a trimestre. Os bancos queriam reivindicar o posto de vítimas da crise. Mas isso nunca aconteceu porque os bancos lucram com ou sem crise”, assinala o dirigente do Comando Nacional.

