O Banestes divulgou nessa terça-feira, 9, que obteve lucro de R$ 60 milhões no terceiro trimestre de 2021 (3T21). O resultado representa um crescimento de 33,9% em relação ao mesmo período de 2020. O lucro líquido recorrente no acumulado do ano foi de R$ 169 milhões, aumento de 28% no acumulado até setembro deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2020.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire diz que os resultados positivos do Banestes e dos bancos, de maneira geral, não surpreendem. Ele lembra que o lucro somado dos quatro grandes bancos brasileiros (Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil), divulgado esses dias, registrou crescimento de 36% em relação a 2020, confirmando que a tendência de alta para este ano é geral no setor.

É preciso dizer, sublinha o dirigente, que a pandemia foi mais letal em 2021 do que no ano passado. No Brasil, das 610 mil vítimas registradas até agora (10/11/2021), mais de 417 mil (68,3%) morreram somente neste ano. “No Espírito Santo, não é diferente. Das mais de 13 mil mortes, oito mil (61,5%) foram em 2021. Esses dados comprovam que o lucro dos bancos está imune à pandemia e à crise econômica, que desemprega 14 milhões de brasileiros e empurra outros 20 milhões para a miséria”. 

Seguradora no azul

No embalo dos bons resultados puxados pelo banco, a Banestes Seguros também registrou aumento de 5,6% no 3T21, na comparação com o 3T20. O boletim de informações do Banestes do 3T21, que inclui dados das empresas controladas (seguradora, corretora e DTVM), apresenta detalhes sobre os resultados da seguradora. 

De acordo com o documento, “a Banestes Seguros inovou na criação de produtos e cresceu em produtividade, aumentando seu prêmio ganho em 14,2%. Crescimento esse ocorrido em todas as carteiras, com destaque nas carteiras de vida e patrimonial com incremento de 21,3% e 33,0% respectivamente, comparados com o mesmo período de 2020. A Seguradora seguiu com seu plano de contingência, dando continuidade às suas operações, atendendo a todos seus clientes externos e internos, mantendo suas provisões técnicas aderentes ao ambiente pós-pandemia”. 

Jonas chama atenção para o fato de o próprio informativo do Banestes ressaltar que a seguradora esbanja saúde financeira. O dirigente diz que os dados positivos vão na contramão dos argumentos apresentados pelo governo do Estado para justificar a venda da seguradora. “Ora, quando nos reunimos [em agosto último] com o presidente do Banestes para questioná-lo sobre a privatização da seguradora, José Amarildo Casagrande alegou que a venda, que ele insiste em chamar de parceria, era a única saída para salvar a seguradora. O quadro pintado pelo presidente foi tão tenebroso, que à medida que ele descrevia a situação crítica da seguradora, colocava a empresa à beira do abismo. Mas quando olhamos os números não avistamos nenhum precipício à frente. Ao contrário, o caminho parece bem promissor para uma empresa que tem a confiança dos capixabas e é líder em diversos segmentos de seguros no Estado”, afirma Jonas. 

Função social 

O dirigente afirma também que a seguradora, a exemplo do banco, também deve manter seu compromisso social com a população capixaba. Jonas diz que em 2021 a Banestes Seguros indenizou beneficiários de 341 segurados (vítimas da covid) no valor total de R$ 22 milhões. “Embora a indenização em decorrência de morte por pandemia não esteja prevista na apólice, indenizar os familiares das vítimas é o mínimo que se pode fazer para mitigar essas perdas. A empresa pública e estadual tem de ter esse compromisso como prioridade”. 

O diretor sindical diz que mesmo com essa despesa atípica, que tende a reduzir no segundo semestre com o aumento da cobertura vacinal e com a queda dos óbitos, a seguradora ainda registrou crescimento de 5,6% no terceiro trimestre. “Os resultados são inequívocos e só aumentam a certeza do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual de que a operação de venda da seguradora é um péssimo negócio para o banco e sobretudo para a população capixaba, que é, em última análise, a verdadeira dona do Banestes e de suas empresas subsidiárias”. 

Outros resultados

O Banestes manteve relacionamento com a base de 1.295.479 clientes. Na categoria pessoa física o crescimento foi de 10,6%, em 12 meses. O número de contas correntes atingiu 904.819 (+22,3% em 12 meses), enquanto as contas de poupança somaram 620.346 (+1,4% em 12 meses).

O relatório do 3T21 ainda destacou o aumento da receita com operações de tesouraria (+129,0%), com operações de crédito (+27,6%), com serviços (+3,2%), maior resultado com operações de seguros (+5,1%) e outras receitas operacionais oriundas com a operação de cartões (+R$ 9 milhões).