Os números apontam que 2021 foi o ano mais letal da covid no Brasil. Das 612.722 mil vítimas da doença (22/11/21), mais de dois terços, ou 418 mil pessoas, morreram somente este ano. As curvas de lucro dos bancos brasileiros têm acompanhado as de óbitos, confirmando que a pandemia nunca afetou os lucros do sistema financeiro. No conjunto, os quatro grandes bancos (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil), no 3T21, registraram lucro 36% superior ao de 2020.
Analisando isoladamente, o resultado do BB é ainda mais expressivo. O banco apurou lucro de R$ 5,13 bilhões no 3T21, resultado 47,6% superior ao do mesmo período de 2020. Nos nove primeiros meses do ano, o banco alcançou lucro de R$ 15,1 bilhões, representando um crescimento de 48,1%. Diante dos resultados, o BB já revisou suas projeções corporativas para 2021, de R$ 17 bilhões a R$ 20 bilhões para R$ 19 bilhões a R$ 21 bilhões.
“Quando recuamos um pouco mais, e comparamos com 2019, constatamos que o lucro do terceiro trimestre de 2021 já supera com uma larga margem os R$ 4 bilhões apurados naquele ano. Lembrando que em 2019 não havia pandemia”, ressalta a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone.
A dirigente diz que esse resultado expressivo se explica por mais um processo de reestruturação imposto pela direção do BB no início deste ano. “A reestruturação tem sido sinônimo de metas abusivas, piora das condições de trabalho e cortes de postos de trabalho. Esse processo tem recaído também sobre os clientes do banco, com a precarização do atendimento”.
Com base em um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), ao final de setembro de 2021, o Banco do Brasil contava com 85.069 funcionários, 7.037 postos de trabalho a menos que em setembro de 2020. “Esses cortes são resultado dos programas de reestruturação impostos pela direção do BB”, critica.
A dirigente chama atenção para o fato de esse processo de reestruturação estar cobrando um preço muito alto dos bancários e das bancárias do BB. “Metas abusivas significam sobrecarga de trabalho. O resultado desse ambiente altamente estressante, em plena pandemia, é o adoecimento da categoria. Além das vítimas da pandemia, que ficaram com sequelas da covid, temos um número preocupante de funcionários com doenças mentais e físicas”, afirma.
Fechamento de agências
Ainda, segundo o Dieese, em 12 meses, o BB fechou 393 agências e 66 postos de atendimento bancário. Durante o mesmo período, houve um crescimento de 3,4 milhões no número de clientes, superando 76,8 milhões.
Em outubro, alguns gerentes de serviço conseguiram realizar uma reunião com a administração do Banco do Brasil, a respeito do acúmulo de funções que vem causando o adoecimento entre os funcionários. A Comissão de Empresas dos Funcionários do BB (CEBB) informou que, na reunião, os bancários deram um relato daquilo que estão vivenciando. A CEBB destacou que os planos de reestruturação, que acontecem desde 2017, têm piorado as condições de trabalho.
“Como destacado pela Comissão de Funcionários, esses processos de reestruturação têm sido recorrentes. Os números do Dieese mostram o aumento de clientes e de operações ao mesmo tempo em que decresce ano a ano o número de funcionários. Essa sobrecarga de trabalho é responsável pelo adoecimento da categoria”, reafirmou Goretti.









