Representantes do Comando Nacional dos Bancários e da Comissão Nacional de Negociações da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reúnem na próxima segunda-feira, 29, para discutir o retorno presencial de trabalhadores pertencentes ao chamado grupo de risco da covid-19. O Comando quer que a Fenaban revise as medidas impostas por alguns bancos que determinaram o retorno imediato.
Segundo Carlos Pereira de Araújo (Carlão), do Comando Nacional dos Bancários, o retorno dos funcionários do grupo de risco deve ser feito com cautela e segurança, obedecendo os protocolos sanitários e as recomendações médicas. “Não podemos permitir que esse processo de retorno seja açodado e ponha em risco a saúde dos bancários e das bancárias com comorbidades. Cada caso precisa ser cuidadosamente avaliado. Sabemos que há comorbidades graves que deixam o trabalhador mais vulnerável ao vírus, mesmo para aqueles que completaram a vacinação completa”, ressalta o dirigente.
Nova variante acende alerta mundial
Já faz algumas semanas que a imprensa mundial vem repercutindo o aumento exponencial de casos e óbitos na Europa. Na Alemanha, por exemplo, o índice de ocupação de leitos de covid dobrou em uma semana, obrigando as autoridades sanitárias do país a apertar as restrições. A situação se repetiu na Bélgica. Portugal, que tem 86% da população completamente imunizada, também voltou a adotar medidas restritivas, como a obrigatoriedade do uso de máscaras.
Segundo a Fiocruz, países da Europa a da Ásia Central foram responsáveis por cerca de 60% dos novos casos da doença e metade das mortes nas últimas semanas. Técnicos da Fiocruz orientam que seja possibilitado a permanência do trabalho em casa para os grupos de risco no Brasil, prevendo que essa onda chegue em breve no por aqui.
Dados atualizados da covid no Brasil (26/11/21) apontam 613.144 mil óbitos e mais de 22 milhões de casos. A média móvel de mortes está em 280. Nove estados apresentam viés de alta na média móvel de casos; 11 estão estáveis (incluindo o Espírito Santo) e apenas seis demonstram tendência de queda.
Nesta sexta-feira, 26, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou sobre a confirmação de uma nova cepa, a Ômicron (B 1.1.529) na África. A nova variante, inicialmente identificada na África do Sul, segundo informações preliminares de cientistas, pode ser ainda mais letal que a Delta, que teria impulsionado os casos na Europa nas últimas semanas.
Negacionismo prevalece no Brasil
A confirmação da nova variante pôs em alerta autoridades de vários países. Muitos já decretaram restrições à entrada de passageiros vindos de países africanos. No Brasil, a Anvisa recomendou ao governo federal que adote medidas de restrições de passageiros vindos da África do Sul e de mais cinco países africanos. Mas, por enquanto, os Ministério da Saúde, Justiça e a Casa Civil ainda não se manifestaram se vão ou não acatar as orinetações da Anvisa, que recomenda a exigência do “passaporte de imunizações” para a entrada no Brasil. O presidente Bolsonaro, até o momento, descarta fechar os aeroportos.
Nova onda
Cientistas brasileiros que pesquisam a covid desde o início da pandemia voltaram a povoar as redes sociais nesta sexta-feira. Eles advertem sobre os riscos em potencial da nova cepa. Miguel Nicolelis cravou: “Se ninguém disse ou pensou, eu digo: passou da hora de fechar espaço aéreo brasileiro para voos da África do Sul e alguns países europeus. Ñ fizemos isso na hora certa no 1ro semestre e permitimos que a variante delta tomasse conta do BR! Errar novamente será outro crime!”.
O pesquisador Átila Iamarino, se referindo à nova cepa, advertiu: “Se for mais transmissível, só por isso, já vai matar ainda mais os não vacinados”.
A pesquisadora Denise Garrett também mostrou preocupação com a nova variante e criticou o governo brasileiro por não adotar restrições nas fronteiras: “É cedo p sabemos se a nova variante “Nu” [rebatizada pelo OMS de Ômicron] será um problema e nos próximos dias poderemos dizer mais. Mas pelo pouco que sabemos, é uma das variantes mais significativas e devemos estar mto atentos. No mínimo exigir passaporte vacinal e testagem no país”.
Cenário preocupante
Para Carlão, essa nova onda, que pôs em polvorosa a comunidade internacional, deveria servir de alerta ao Brasil. “Infelizmente, o governo brasileiro nada aprendeu depois de quase dois anos de pandemia. A política negacionista de Bolsonaro, que já abreviou a vida de mais de 613 mil brasileiros, nos deixa ainda mais apreensivos, caso tenhamos que enfrentar uma nova onda da pandemia. Quando vemos a política negacionismo tentando desobrigar o empregador a exigir a vacina ao trabalhador ou os ministérios aparelhados por Bolsonaro resistindo a acatar uma recomendação da Anvisa, nos sentimos ainda mais vulneráveis”.
O dirigente afirma que esse cenário mundial deve ser considerado na mesa de negociação com a Fenaban, que irá discutir a volta ao trabalho presencial dos bancários do grupo de risco. “Essas novas variantes mostram que ainda não estamos livres da pandemia. As vacinas, sem dúvida, são grandes aliadas para salvar vidas, mas sabemos que não evitam totalmente a transmissão da doença. A pandemia não acabou. Precisamos aumentar a cobertura vacinal, manter os cuidados sanitários (como uso de máscaras e distanciamento social) e evitar expor trabalhadores com comorbidades ao vírus. Como temos martelado desde o início da pandemia: a vida vale mais que o lucro, por mais que tentem inverter essa máxima”, sublinha o representante do Comando Nacional.

