Definitivamente, os bancos estão 100% imunizados dos efeitos da pandemia. O Itaú anunciou nessa quinta-feira, 10, os resultados de 2021. O maior banco privado do Brasil registrou lucro líquido de R$ 26.879 bilhões. O resultado representa um novo recorde histórico do Itaú, superando a marca de R$ 26.583 de 2019 (gráfico abaixo).

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Alcendino Anderson (Sãozinho) destaca que o resultado recorde do Itaú veio justamente no mesmo ano em que o Brasil também registrou outro recorde, o de mortes causadas pela covid. O dirigente se refere ao fato das 636.017 mortes registradas desde o início da pandemia até 10 de fevereiro deste ano no Brasil, 65% (412.880) terem ocorrido somente no ano passado. “Enquanto a rede de saúde entrava em colapso, com UTIs lotadas e doentes aguardando vagas nos corredores dos hospitais e cemitérios cavando covas coletivas, os bancos seguiam alheios à crise, esbanjando saúde financeira”, afirma.
Bancos: imunes à crise
Os números dos outros gigantes confirmam que a covid passou ao largo dos bancos. Santander e Bradesco, os outros dois grandes privados que apresentaram os resultados de 2021 nos últimos dias, apuraram lucros superiores aos de 2020. O lucro líquido do Bradesco de R$ 26.2 bilhões também foi recorde, superando em 34,7% o resultado de 2020. O lucro do Santander de R$ 14.9 bilhões foi 11,3% maior no comparativo com o ano anterior. Já o lucro recorde do Itaú superou com sobra os concorrentes: 45% maior que o resultado de 2020.
Sãozinho afirma, evidenciando os resultados dos três gigantes, que para os bancos não existe crise. “Além da crise sanitária, que continua matando no Brasil, enfrentamos também uma crise econômica sem precedentes. A política econômica neoliberal imposta por Bolsonaro e Paulo Guedes só gerou miséria, fome e desemprego. O fosso da desigualdade social se aprofundou nos últimos anos. É inaceitável que os bancos continuem quebrando recordes de lucro enquanto temos brasileiros disputando ossos para sobreviver. Onde está a responsabilidade social dos bancos?”, questiona o dirigente, que completa: “Indigna saber que uma empresa que emprega quase 100 mil trabalhadores e trabalhadoras não se sensibilize com os problemas sociais do país”.
Itaú quer mais
Nas entrevistas à imprensa para comentar o lucro recorde de R$ 26.879 bilhões, o presidente do banco, Milton Maluhy Filho, projetou resultados ainda melhores para 2022. “Esperamos expandir nossa carteira de crédito de forma sustentável e retomar os resultados recorrentes em níveis superiores aos de antes da pandemia. Nossa perspectiva para 2022 considera a manutenção da trajetória de recuperação e de bons resultados que obtivemos no ano passado”, afirmou Maluly ao jornal Folha de S. Paulo.
A vida vale mais que o lucro
“Desde o início da pandemia, o Sindicato vem cobrando dos bancos o cumprimento dos protocolos sanitários e outras medidas para proteger a saúde do bancário e da bancária. O lema da nossa campanha, não por acaso, faz o apelo para lembrar que ‘a vida vale mais que o lucro’. Parece óbvio que a vida sempre tem de valer mais do qualquer coisa, mas os bancos não querem entender assim. O presidente do Itaú, em sua fala, nem bem comemorou o lucro recorde de 2021 e já está projetando novos recordes para 2022. Para eles, o lucro sempre estará à frente da vida”, lamenta.

