O Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito na Caixa voltou a se reunir com representantes do banco nesta quinta-feira, 24, com o propósito de construir uma proposta final sobre o Plano de Cargos e Salários (PCS) e os critérios para pagamento dos valores referentes ao delta.
A Caixa aceitou pagar um delta para todos os empregados elegíveis e manter o segundo delta de acordo com os critérios que o banco havia estabelecido no começo das tratativas com base no programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). Essa proposta, no entanto, travou ante a posição da Caixa de vetar o pagamento do delta aos empregados e às empregadas que tiveram uma falta injustificada.
Punição
Para Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), a intransigência do banco em se recusar a incluir os empregados com falta injustificada cheira à retaliação. “É muito simbólica a posição da Caixa. É inevitável não interpretar a exclusão dos empregados com falta como punição aos bancários que participaram da paralisação nacional de 24 horas em abril do ano passado. A Caixa passa um recado subliminar a todos os empregados: ‘quem faz greve é punido’. Essa é uma posição velada, mas não deixa de ser muito grave. Funciona como uma intimidação ao direito legítimo de todo trabalhador em fazer greve”, assinala.
Greve 24h
A dirigente lembra que no dia 27 de abril do ano passado, após assembleias em todas as bases sindicais, ficou decidido que os empregados e as empregadas da Caixa fariam uma paralisação de 24 ou retardariam a abertura das agências. “Aqui no Espírito Santo a decisão foi pelo retardamento da abertura das agências, mas muitos estados optaram em fazer a paralisação de 24 horas. Esse dia foi registrado como falta injustificada”, recorda.
Nos protestos de abril os empregados manifestavam insatisfação com a abertura de capital da Caixa Seguridade, com a PLR Social (pagamento estaria incorreto) e pediam medidas de segurança mais rigorosas contra a covid-19, pleiteando, inclusive, a inclusão dos bancários no grupo prioritário de vacinação. A contratação dos aprovados no concurso de 2014 também estava na pauta de reivindicações do ato de abril.
A representação dos empregados defende que o fato de haver apenas uma falta injustificada não configura falta de compromisso do empregado com o banco e, por isso, não pode ser considerado como critério que impeça a inclusão no grupo de trabalhadores elegíveis.
Para a dirigente, a falta de coerência na posição da Caixa é patente, mas um sinal de que a medida é punitiva. Ela lembra que em anos anteriores o banco concedeu o delta linear para os empregados que tiveram até três faltas injustificadas no grupo de elegíveis.
Ainda não há uma nova data definida, mas as negociações com o banco devem ser retomadas nos próximos dias para tentar resolver o impasse em relação aos empregados com falta injustificada. Os representantes dos empregados estão preocupados porque a data final para o pagamento do delta está muito próxima, mas garantiram que vão insistir para retomar as tratativas o quanto antes.
A proposta
Todos os empregados elegíveis recebem 1 delta;
Impedimentos de composição do grupo de elegíveis:
Menos de 180 dias de exercício efetivo;
Estar com o contrato de trabalho suspenso na data da apuração da promoção;
Ter penalidades no ano-base (advertência, suspensão, censura ética);
Apresentar falta não-justificada;
Estar na última referência salarial.
Pagamento do segundo delta aos empregados classificados como “desempenho excelente”, de acordo com o programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP).

