Em reunião da Diretoria Executiva na última segunda-feira, 11, dirigentes do Sindibancários/ES discutiram a manutenção da ação impetrada contra o Banco do Brasil para garantir o home office aos bancários do grupo de risco à infecção pela covid. Após debate e consulta à assessoria jurídica da entidade, a Diretoria Executiva deliberou por não abrir mão do mandado de segurança vigente favorável aos bancários. O BB já entrou com recurso contra o mandado e aguarda decisão judicial.

O Sindicato entrou com ação após o BB descumprir o acordo coletivo firmado com os bancários. Após a plenária realizada na última quinta-feira, 07, o Sindicato recebeu diversas mensagens de bancários em defesa da continuidade da ação coletiva. Um bancário escreveu: “Escutei a plenária e, analisando todos os pontos, tenho uma opinião alinhada com o Sindicato”.

Em outra mensagem, um funcionário declarou apoio ao Sindicato: “Concordo que, com certeza, a pressão deve ser direcionada à origem do problema, ou seja, ao banco. Conte com meu apoio”. Durante a plenária também houve diversas manifestações em defesa do retorno ao presencial dos funcionários do grupo de risco para amenizar a sobrecarga de trabalho e a pressão sobre aqueles que estão presencialmente nas unidades.

No entanto, é preciso esclarecer que essa realidade cruel vivida pelos bancários do BB é anterior à pandemia e ao home office de algumas dezenas de funcionários. O desligamento de milhares de bancários e um modelo de gestão opressor, baseado em cobrança de metas, são as principais causas da sobrecarga de trabalho e do elevado índice de adoecimento dos funcionários.

“Há essa falsa ideia de que o retorno desses bancários para o trabalho presencial poderia amenizar esses problemas. Mas é preciso ter clareza que é a política de gestão do banco que tem levado ao adoecimento bancários e bancárias que estão no presencial como também aqueles que estão em home office. Não podemos tolerar o assédio, a cobrança por metas e o esvaziamento do quadro pessoal do BB”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

Algumas mensagens de bancários no chat da plenária reforçam essa questão: “Concordo plenamente (…) não é de agora que os bancários estão doentes”, escreveu um bancário. “A redução dos postos [de trabalho] e da mão de obra no banco é o inimigo, e não as pessoas afastadas. Vocês estão deturpando as coisas” declarou outro funcionário.

Uma bancária também defendeu a proteção da vida dos colegas do grupo de risco: “A volta tem que ser baseada na saúde e na segurança dos funcionários, não no cansaço e pressão do mercado. TODOS estamos doentes. TODOS”.

Acordo Coletivo

Conforme o acordo coletivo vigente, o BB só poderia alterar as cláusulas sobre o trabalho em home office após negociação com as entidades sindicais e aprovação em assembleia. No entanto, em novembro do ano passado, de forma arbitrária, o banco convocou os bancários e bancárias do grupo de risco para o trabalho presencial. A diretora do Sindibancários/ES Goretti Barone alertou durante a plenária que abrir mão do mandado de segurança é aceitar essa grave violação do acordo coletivo.

“Ingressamos com a ação justamente porque o banco desrespeitou o acordo, que garante nossos direitos. Somente após o mandado de segurança, o banco apresentou um protocolo interno. Mas aceitar essa proposta de retirada da ação é deixar brechas para que o banco viole os direitos da categoria. Além disso, a liminar garantiu aos trabalhadores com comorbidades a proteção devida, principalmente em um período de alta de mortes por covid”, explicou Goretti.