Regulação do home office é desafio no BB

15/05/2022 13:59

Foi apresentado o recorte para o Banco do Brasil da II Pesquisa Nacional sobre Home Office dos Bancários

Os desafios do home office foi um dos debates na mesa sobre condições de trabalho no Encontro Estadual dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado no sábado, 14, no 7º Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias. A técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Vivian Machado apresentou o recorte para o Banco do Brasil da II Pesquisa Nacional sobre Home Office dos Bancários, feita pela Contraf-CUT e pelo Dieese. Realizada de forma on-line entre junho e agosto de 2021, foram ouvidas nessa pesquisa 12.979. Do total de opiniões colhidas, 21% eram de funcionários do Banco do Brasil, sendo a maior parte lotada em departamentos e, na sequência, em agências, agências digitais, área de tecnologia da informação e centrais de atendimento.

Dos respondentes, 87% estavam em home office no momento da pesquisa, sendo que 77,2% há mais de um ano. A sala de visita da casa foi o local mais transformado em ambiente de trabalho, com 33,4% das respostas, seguida pelo quarto individual (32,4%), escritório (28,9), quarto compartilhado (9%), cozinha (2,6%) e outros (2,9%).

A maioria que faz horas extras em teletrabalho está registrando banco de horas (47%) e apenas um percentual pequeno (3%) recebe por esse trabalho extraordinário. Segundo 21% dos participantes, o BB respeita, às vezes, os períodos de desconexão, ou seja, horários fora de expediente, finais de semana, folgas e intervalor. Outros 3% afirmam que não, e 69% afirmam que sim; 7% não responderam.

Os três maiores impactos na saúde depois do home office foram o medo de ser esquecido, perder oportunidades e ser dispensado do trabalho; as dores musculares; e a dificuldade de concentração. 50% dos respondentes se sentem isolados, total ou parcialmente, no trabalho em home office.

Para melhorar a situação de saúde no teletrabalho, os bancários sugerem o fornecimento de melhores equipamentos, inclusive de ergonomia, (67%), a redução da cobrança por resultados e metas (35,4%), o oferecimento de atendimento de psicoterapia no plano de saúde (27,9%) e a redução da jornada em home office (12,1%)

Conciliar as tarefas do trabalho com os afazeres domésticos tem sido mais difícil para as mulheres, tanto as com filhos como as sem filhos. Também são as mulheres que estão enfrentando mais dificuldade nas relações com familiares e outras pessoas que dividem a residência. Mas não é exclusividade delas, pois os homens também apontam essas dificuldades, em menor grau.

Dos respondentes à pesquisa, 3.476 especificamente a essa pergunta, 53,2% disseram que pretendem seguir com o home office passada a pandemia. Outros 31,3% querem realizar um regime híbrido e 13,8% querem o trabalho presencial.

Conselheira de Administração

A representante dos funcionários no Conselho de Administração do BB, Débora Fonseca, que também participou da mesa, afirmou que “o home office não é o problema”, mas sim a política de gestão no Banco do Brasil, que define como as coisas são cobradas. Ela refletiu que a pesquisa “diz muito sobre como está nosso ambiente, como estamos sendo cobrados o tempo todo”. Fonseca lembrou que a maioria dos respondentes foi de departamento, o que mostra como o banco vem alterando seu quadro, reordenando o número de funcionários nas agências, departamentos e unidades digitais.

“A pressão por resultados permeia todo o Banco do Brasil”, afirmou a conselheira, lembrando que os problemas são diferentes, mas os funcionários não podem cair na armadilha do banco, que tenta jogar um contra o outro, e achar que a agência está cheia porque tem gente em home office; ou o funcionário em teletrabalho cobrar alguma entrega do colega da agência sem considerar que a unidade está cheia.

A atuação da direção do Banco do Brasil, diz a conselheira, mostra como governo Bolsonaro enxerga banco. Ora defende o banco de mercado, quando assim interessa, ora faz uma gestão a serviço da política governamental. “Quando o mercado estava colocando muita gente para trabalhar em home office, o BB adotou esse sistema. Em outro momento, por uma questão de governo, foi em direção oposta, optando pelo retorno ao trabalho para dar uma sensação de normalidade no país durante a pandemia”.

Ela também traçou um paralelo do que foi a atuação do Banco do Brasil em momentos diferentes de crise, sendo gerido num governo de direita ou mais alinhado à esquerda. “Na atual crise, o BB se comportou como banco privado. Na outra ponta, em 2008, se comportou como grande vetor de crédito. O BB foi o mediador das taxas de mercado ao baixar as taxas de juros, fazendo com que os concorrentes também adotassem a redução”, disse.

Divisor de águas

O diretor de bancos públicos em exercício da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES), Danilo Funke, afirmou que “o home office é um divisor de águas para a classe trabalhadora, que afeta todas as categorias e os bancários não fogem à regra”. Na sua avaliação, “desse novo processo de relação de trabalho, funções podem ser extintas”.

Ele também destacou que o assédio moral para atingimento de metas e resultados está adoecendo os bancários, e esse deve ser um dos pontos da Campanha Nacional deste ano.

Debate

No debate que seguiu à mesa foram relatadas situações vividas nos locais de trabalho relacionadas às condições de trabalho e home office, evidenciando que sobre o teletrabalho há situações muito distintas em todo o Brasil que precisam ser levadas em conta na definição das reivindicações e negociações com o banco.

O momento seguinte foi a avaliação das negociações do Acordo Coletivo 2020/2022, seguida por apresentação de propostas para a minuta de reivindicações deste ano. As contribuições serão levadas ao 33º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), que será realizado no dia 9 de junho, em São Paulo.

Foram eleitos para o evento nacional, que vai acontecer de forma híbrida (on-line e presencial), os seguintes delegados e delegadas, entre titulares e suplentes: Bethânia Emerick, Claudia Patrícia Pinheiro, Eliel dos Anjos, Glória Dias, Goretti Barone, Gustavo Luz Raft e Sebastião Ceschim.

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