Após mudança do GDP, Caixa quer devolução de bônus

17/05/2022 12:43

O banco chegou a criar um sistema para que os gerentes indiquem a quantidade de parcelas para a devolução dos recursos

A Caixa está cobrando a devolução de parte do bônus pago aos gerentes num programa de remuneração adotado unilateralmente pelo banco, sem negociação com as representações dos trabalhadores, o que mostra mais uma ação atrapalhada da direção na gestão de pessoal. O banco chegou a criar um sistema para que os próprios gerentes indiquem a quantidade de parcelas para a devolução dos recursos.

O valor do bônus a ser recebido por cada gerente é baseado nos resultados da agência de acordo com o programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), que envolve todas as unidades e empregados. Como a Caixa reprocessou o resultado do GDP após uma mobilização dos empregados insatisfeitos com a adoção da “curva forçada”, a consequência foi a alteração na performance individual dos gerentes, acarretando a variação do bônus, em sua maioria para menor.

“O GDP é um programa que já nasce cheio de problemas, e nesse ciclo 2021 piorou ainda mais. Com o reprocessamento, algumas mínimas correções foram feitas, mas está longe de ser o que os empregados merecem. E agora essa cobrança aos gerentes mostra um despreparo da direção da Caixa”, avalia a diretora do Sindicato e integrante da Comissão Executiva dos Empregados, Lizandre Borges.

Ela lembra que essa política de bônus deveria ser debatida com as entidades sindicais. “Por que um bônus só gerencial?”, questiona a diretora, lembrando que todos trabalham pelos resultados do banco. Além disso, o bônus acaba sendo um instrumento de gestão para incentivar os gerentes a imporem metas abusivas e pressionar seus subordinados.

As entidades defendem, ao invés do bônus, o fortalecimento do programa de Participação nos Lucros e/ou Resultados, que é previsto em lei, com critérios objetivos e definidos em mesa de negociação.

Alteração no GDP

A alteração no GDP após críticas dos empregados e cobranças pelas entidades sindicais foi basicamente a retirada da “curva forçada”, que estabelecia faixas obrigatórias de 5% de desempenho “não atendido” e 5% de “desempenho excelente”.