Neste sábado, 28, bancários e bancárias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo se reuniram virtualmente na 24ª Conferência Interestadual da categoria. Os delegados e delegadas aprovaram as propostas (confira abaixo) levantadas pelos bancários e bancárias capixabas no 7º Congresso Estadual da categoria, como o índice de reajuste de 10% mais inflação do período e o fim das metas.

As propostas serão levadas para a 24ª Conferência Nacional da categoria, nos dias 10, 11 a 12 junho, em São Paulo, onde será definida a minuta para a Campanha Nacional deste ano. O dirigente da Intersindical e do Sindibancários/ES Cláudio Merçon (Cacau) destacou a importância da unidade bancária para garantir direitos.

“Nesta Campanha temos que ir à luta para não perder o que já conquistamos. A categoria bancária é a única categoria com Convenção Coletiva Nacional, com conquistas importantes ao longo desses 30 anos. Queremos construir junto com o Comando Nacional uma campanha forte e essa Conferência Interestadual é muito importante para orientar e instrumentalizar nossos dirigentes e delegados que vão nos representar na etapa nacional”, frisou.

O presidente da Fetraf-RJ/ES, Nilton Damião Esperança, falou sobre os desafios da Campanha no último ano do governo antidemocrático e fascista de Bolsonaro. “Esse é um ano atípico. Enfrentamos um governo fascista, que provocou a morte de mais de 660 mil pessoas na pandemia com o atraso na compra da vacina. É um governo antidemocrático e precisamos derrota-lo nas ruas e as urnas”, convocou.

O encontro também debateu importantes temas que estarão no centro da Campanha Nacional deste ano: o adoecimento dos trabalhadores bancários, o mecanismo de cobrança de metas, o corte de postos de trabalho no setor financeiro e o avanço da digitalização nos bancos. O secretário de Saúde da Contraf, Mauro Salles, falou sobre o “Contexto da Saúde dos Bancários e a Campanha Salarial”.

Propostas

Dentre as propostas aprovadas também estão:  PLR linear para todos os bancários;  defesa do emprego; dos bancos públicos; e elaboração de um calendário de luta da Campanha Nacional logo após a Conferência Nacional.

“Essa será uma campanha desafiadora e precisamos construir uma campanha forte, com o engajamento de todos os bancários e bancárias. Para isso, vamos defender na Conferência Nacional que logo após a aprovação da minuta o Comando Nacional dos Bancários apresente um calendário de luta. Precisamos mobilizar a categoria ou corremos um grande risco de sofrer perdas de direitos e arrocho salarial”, defendeu Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindibancários/ES e integrante do Comando.

Congresso Estadual foi realizado de 13 a 15 de maio

Entre as cláusulas econômicas, a proposta dos bancários capixabas é índice de reajuste composto da reposição da inflação (INPC de 01 de setembro de 2021 a 31 de agosto de 2022) mais 10%. “Temos que ir à luta pelo respeito aos nossos direitos, melhores condições de trabalho e pelo aumento do nosso poder de compra. O lucro dos bancos vem do nosso trabalho. Além disso, também precisamos garantir um novo modelo de PLR, em que o montante do lucro seja dividido de forma igual, uma vez que os resultados alcançados são fruto de um trabalho coletivo”, enfatizou Carlão, que também é delegado nato.

O diretor do Sindibancários/ES também defendeu os eixos políticos aprovados pelos bancários capixabas. “Entendemos que é preciso incluir na minuta como eixos políticos fundamentais a auditoria da dívida pública já, a estatização do sistema financeiro e o fim da autonomia do Banco Central. É urgente investigar esse sistema de pagamento da dívida pública que se apropria de mais da metade do orçamento do governo federal. Além disso, precisamos debater o papel do sistema financeiro, que deve ser público e democrático, e o retorno do comando do Banco Central para o governo”, frisou.

Outro eixo político aprovado foi o apoio à candidatura do Lula, preservando a autonomia e independência das entidades sindicais. Diante do avanço da extrema direita do Brasil e no mundo e do aprofundamento das mazelas sociais e econômicas que afetam a classe trabalhadora brasileira, é preciso derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo. Nesse sentido, não há dúvida de que a posição dos bancários e bancárias deve ser a luta unificada dos trabalhadores pela derrota de Bolsonaro e do bolsonarismo. E hoje a alternativa que reúne as condições para isso é Lula. Mas essa derrota não pode ficar restrita às urnas, afinal, o bolsonarismo tem raízes maiores que a figura que o personificou. Por isso, não deve o movimento sindical bancário operar apenas como agitador da candidatura de Lula, mas lutar, de forma autônoma e independente, por um programa que atenda as necessidades dos trabalhadores e das trabalhadoras e que caminhe no sentido da superação das desigualdades socioeconômicas. Essa orientação vale também para as candidaturas proporcionais, onde também é importante incidir, de maneira a acumular forças em todos espaços para combater o Bolsonarismo e o avanço das forças reacionárias e neoliberais.

“Nesta quadra histórica, onde a democracia e os direitos dos trabalhadores estão sendo solapados,  a necessidade de elegermos um presidente que tenha algum compromisso com a classe trabalhadora. Neste sentido defendemos o apoio a Lula e a candidatos proporcionais do campo progressista. No entanto, não abrimos mão da nossa concepção sindical, de autonomia perante governos, patrões, partidos e credos religiosos. Com essa compreensão vamos estar nas ruas e nas urnas para derrotar Bolsonaro/Bolsonarismo e eleger Lula e candidatos proporcionais progressistas”, defendeu Carlão.

Emprego bancário

A 24ª Conferência Interestadual contou com a participação do técnico do Dieese Fernando Benfica, que falou sobre a alta lucratividade dos bancos, as reestruturações e demissões no setor bancário e como a crise econômica afeta drasticamente e diretamente a classe trabalhadora.

“Desde 2013 o saldo de emprego no setor bancário é negativo. Foram 76 mil postos de trabalho cortados nesse período, sendo 31 mil a partir da reforma trabalhista. O setor financeiro está mudando de perfil. O surgimento de novas tecnologias nos últimos dez anos explica mais estruturalmente a queda no emprego bancário. Há ainda a redução do número de agências”, explicou.

Para exemplificar o impacto das inovações tecnológicos no emprego bancário, Benfica destacou o alto investimento dos bancos no setor de Tecnologia da Informação (TI). “Nos últimos 12 meses, as novas contratações que foram realizadas ocorreram na área de TI. Há um crescimento tanto dos canais digitais como do número de correntista nesta modalidade. No Bradesco, por exemplo, 98% das operações foram por meio de canais digitais. No Santander, esse dado é de 92%”, disse.

Mas há outro fator para o aumento massivo de demissões de trabalhadores bancários: a ganância dos bancos pela alta rentabilidade. Dos dez bancos mais rentáveis do mundo, quatro são brasileiros, inclusive o Banco do Brasil, um banco público.

“O lucro líquido é: todas as receitas menos todas as despesas. No caso da atividade bancária, a receita é mais difícil de ser controlada, já que depende do dinamismo da economia. Por outro lado, há os custos que podem ser controlados. E os custos básicos do banco são os custos financeiros, medido pela taxa básica pela Selic, e o custo operacional, que é onde o trabalhador entra. Cada banco vai fazer o possível para manter sua rentabilidade recorde para agradar e atrair os acionistas. Os bancos vão concorrer bastante entre si para ter mais rentabilidade. Isso tudo ( a busca pela alta rentabilidade) se traduz em elevação das metas e redução de custos via demissão”, destacou Benfica.

Confira todos os eixos aprovados que serão levados à Conferência Nacional:

 Eixos específicos

  • Índice de reajuste composto por inflação mais 10%
  • PLR linear a todos os bancários
  • Promoção de igualdade de oportunidades
  • Defesa da jornada de 6 horas
  • Fim das metas
  • Constituição das Organizações no Local de Trabalho (OLT)
  • Defesa do emprego bancário
  • Saúde do trabalhador
  • Segurança bancária
  • Condições do trabalho remoto
  • Isonomia
  • Manutenção das homologações no sindicato

Eixos políticos

  • Fora Bolsonaro/Mourão. Derrotar Bolsonaro nas urnas e nas ruas
  • Pela revogação da Emenda Constitucional nº 95
  • Pela revogação da reforma trabalhista
  • Pela revogação da reforma da Previdência
  • Pela revogação da terceirização
  • Auditoria da Dívida Pública Já
  • Defesa dos bancos públicos
  • Construção de calendário de mobilização e de luta da Campanha Nacional imediatamente após a entrega da minuta aos bancos
  • Pelo fim da discriminação e violência racial
  • Pelo fim da violência contra as mulheres e lação LGBTQIA+
  • Estatização do sistema financeiro
  • Ratificação da Convenção 158 da OIT
  • Defesa dos serviços públicos, do SUS e da Educação pública
  • Não à Reforma Administrativa
  • Pelo fim da autonomia do Banco Central
  • Apoiar Lula, preservando a autonomia e independência das entidades sindicais.

24ª Conferência Nacional

Durante o encontro também foram eleitos os delegados e delegadas para a 24º Conferência Nacional da categoria. Dentre eles, estão os bancários e dirigentes sindicais capixabas:

Ronan Teixeira; Lizandre Borges; Fabricio Coelho; Maria da Gloria Souza; Paulo Roberto Soares

Mônica Cristina Garcia; Cláudia Carvalho; Marcelo Pimentel; Bethânia Medeiros; Sandra Gonçalves

Rita Lima; Alcendino Santos; Jonathas Corrêa; e Catarina Nascimento.