O modelo de gestão opressor do Bradesco foi escancarado em vídeo institucional com o diretor-presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, que circulou nesta semana nas redes sociais. Durante quase três minutos, o diretor exalta o militarismo em uma mensagem assediadora contra os empregados.
Funcionário do Bradesco há 43 anos, o diretor-presidente faz questão de resgatar o ano em que serviu ao Exército Brasileiro: “Mas há quatro décadas eu me apresentava assim: Soldado 939 Lazari ao seu comando. Durante um ano, lá em 1982, essa frase foi parte da minha rotina”.
A partir desse trecho, Lazari inicia o discurso enaltecendo o regime militar e diz como se sentiu especial e diferente ao ser comandado por um “militar exigente”. O bancário do Bradesco e diretor do Sindibancários/ES, Fabrício Coelho, fala sobre a gravidade do vídeo, que reforça o perfil militar e opressor da gestão do banco.
“O vídeo nos causou extrema indignação pelo conteúdo e o tom ameaçador da fala desse diretor-presidente. Ele destaca que ‘missão dada é missão cumprida’, fala em disciplina, hierarquia, missão, cumprimento, num tom que sugestiona o militarismo, autoritário. Sabemos que são características de gestões bancárias trágicas. Já não basta a reestruturação violenta, a demissão de milhares de funcionários nos últimos dois anos em plena pandemia, esse diretor vem a público com uma mensagem desse teor. Exigimos respeito do Bradesco, que deve, no mínimo, retirar o vídeo do ar e se retratar com seus empregados”, enfatiza Coelho.
O Bradesco é um dos maiores bancos do Brasil, com cerca de 90 mil funcionários. Um vídeo com esse conteúdo protagonizado por um executivo da instituição em um período pré-eleitoral, sob o governo de um presidente antidemocrático escancara qual o posicionamento do banco nesta conjuntura.
“Esse posicionamento do Lazari é trágico em qualquer momento histórico, mas principalmente agora. O Brasil está sob o comando de um presidente entusiasta do militarismo que desde o início do seu governo faz constantes ameaças à democracia brasileira. Nesta conjuntura, é extremamente grave a divulgação de uma mensagem institucional com esse teor”, alerta Fabrício Coelho.
A publicação do vídeo coloca a luta pelo fim do assédio moral e da cobrança de metas no Bradesco como ainda mais urgente. “Estamos iniciando nossa campanha salarial e essa é uma das nossas pautas prioritárias. Precisamos garantir nossas conquistas, um reajuste que recomponha nosso poder de compra, mas também é vital lutar pelo fim desse modelo de gestão que adoece trabalhadores todos os dias. Nossa saúde depende de condições de trabalho dignas”, finaliza Fabricio Coelho.









