Bancários vão à luta por aumento real, garantia de direitos e Lula presidente

12/06/2022 18:30

Minuta de reivindicações da Campanha Nacional foi aprovada pelos bancários e bancárias na manhã deste domingo, no último dia da 24ª Conferência Nacional da categoria

Bancários e bancárias reunidos na 24ª Conferência Nacional da categoria aprovaram a minuta da Campanha Nacional 2022. Reajuste salarial com ganho real de 5%, aumento maior para vale-alimentação e vale-refeição e a defesa dos direitos conquistados estão entre as reivindicações prioritárias aprovadas. A proposta de minuta será levada para votação nas assembleias estaduais. No Espírito Santo, os bancários capixabas estão convocados para plenária virtual e assembleia presencial nesta segunda e terça-feira, 13 e 14, respectivamente, às 18 horas.

Os bancários também aprovaram um plano de lutas com ações previstas para acontecerem toda semana nas redes sociais e nas ruas. Em um cenário de crise econômica e disputa eleitoral, as negociações deste ano devem ser marcadas pela intransigência dos bancos, tentativa de retirada de direitos e de imposição de arrocho salarial.

 

“Os trabalhadores brasileiros estão enfrentando alta inflação, carestia, desemprego, perda de direitos e do poder de compra. Mas para os bancos não há crise. Pelo contrário, mesmo na pandemia, bancos públicos e privados mantiveram lucros bilionários. Não podemos aceitar retirada de direitos e muito menos um reajuste rebaixado. Convocamos todos os bancários e as bancárias a ficarem atentos e a participarem ativamente das ações do plano de luta. Precisamos concluir esse processo negocial dentro da data-base.  Nossa vitória depende da nossa organização”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

Eleições

Em defesa da democracia e por um governo aliado dos trabalhadores, foi aprovada durante a Conferência a resolução: “Derrotar Bolsonaro e eleger Lula presidente”. Coordenadora geral do Sindibancários/ES e dirigente da Intersindical, Rita Lima defendeu o apoio dos bancários à candidatura de Lula. A reconstrução do Brasil e a possibilidade de uma vida melhor para a classe trabalhadora passa pela vitória de Lula como presidente e a derrota de Bolsonaro e de seus aliados, como enfatizou Rita.

“Temos muitas coisas para reconstruir neste país, como a retomada dos nossos direitos, a revogação da reforma trabalhista e o fim do teto de gastos para que sejam viabilizadas as políticas públicas que favoreçam o povo pobre desse país. É preciso também revogar a reforma da Previdência para que a juventude possa ter garantias no fim da vida. Estamos em um momento de grande polarização: ou é a barbárie ou a esperança de um futuro melhor com a eleição do Lula”, apontou.

PLR

Durante o debate sobre as reivindicações, a delegação capixaba e de outros sindicatos filiados à Intersindical defenderam a PLR linear, com distribuição do valor igual entre os trabalhadores. Mas cerca de 79% dos delegados presentes, ligados à corrente majoritária cutista, votaram pela manutenção da cláusula como está na Convenção Coletiva vigente, em que o valor da PLR varia de acordo com o salário do bancário.

“O acúmulo de riqueza da categoria bancária é de natureza coletiva. Quem se beneficia com o modelo de PLR atual são os grandes executivos dos bancos. Não podemos cair nessa lógica de segregar a categoria bancária. Por isso é importante a divisão linear da PLR em que o escriturário consiga ter acesso à PLR com as mesmas regras dos altos executivos dos bancos. Essa é uma defesa histórica da categoria que precisa ser incorporada à nossa minuta sob pena de não enfrentarmos os desafios atuais, como o fato de cada vez mais os bancários, para aumentarem o poder de compra, se submetem a metas abusivas, a essa lógica perversa de cobrança”, defendeu o dirigente da Intersindical Marcus Roger de Medeiros.

Metas

Outro ponto de divergência foi a cláusula sobre as metas. O diretor do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), defendeu que a luta deve ser pelo fim das metas.

“As metas são a expressão da ferramenta dessa gestão perversa e adoecedora dos bancos. Mesmo com dados sobre o adoecimento da categoria bancária, os bancos não aceitam negociar sobre as metas. Essa é a chibata atual contra a qual temos que nos insurgir.  Precisamos rediscutir o processo de organização e de democratização nos locais de trabalho, de forma que os trabalhadores possam participar das decisões da gestão. O fim das metas é uma questão de saúde pública, tendo em vista o número de bancários adoecidos, que estão em depressão, que cometem suicídios devido à pressão que sofrem”, defendeu duramente Carlão.

A proposta de Carlão foi aprovada por apenas 15% dos participantes da Conferência. Cerca de 84% dos presente votaram pela manutenção do texto atual da cláusula que reivindica apenas o fim das metas abusivas.

Assembleia de votação da minuta

A minuta de reivindicações para a Campanha Nacional dos Bancários 2022 irá à votação nesta terça-feira, 14, em assembleias da categoria, que serão realizadas no Centro Sindical dos Bancários/ES, em Vitória, e nas subsedes em Cachoeiro, Colatina e Linhares, a partir das 18h30. A assembleia será precedida de uma plenária virtual nesta segunda-feira, 13, também às 18h30, para debate e avaliação da proposta.

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