A defesa do emprego bancário e a redução da jornada de trabalho foram os temas centrais discutidos na segunda rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na manhã desta segunda-feira, 27. Os representantes dos bancários cobraram o fim das terceirizações, das demissões e das contratações precarizadas que se ampliam no setor.
De acordo com levantamento do Dieese, desde 2013 houve uma redução de 77 mil postos de trabalho na categoria bancária, como consequência, entre outros fatores, da introdução de novas tecnologias, do fechamento das agências bancárias e da mudança das exigências no perfil dos trabalhadores. Por outro lado, neste mesmo período foram criados mais de 169 mil postos formais de trabalho no ramo financeiro (exceto os bancários).
Além das demissões, a categoria bancária enfrenta o avanço de contratações precarizadas proporcionadas pela reforma trabalhista. O fim das terceirizações é uma das principais reivindicações dos bancários e foi discutida na mesa desta segunda rodada de negociação. Para o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo, que também integra o Comando Nacional, essa luta vai além da Campanha Nacional.
“Cobramos na mesa o fim dessa exploração. É absurdo que com os lucros exorbitantes que alcançam, os bancos demitam trabalhadores e contratem novos empregados nos moldes precários da nova legislação. Essa é uma consequência do golpe que a classe trabalhadora sofreu com o governo Temer. No Brasil que queremos precisamos rever a reforma trabalhista para impedir essas contratações na categoria bancária e em outros setores da sociedade. Para isso, os trabalhadores precisam se inserir na política, eleger Lula presidente, que assumiu esse compromisso com as centrais sindicais, e colocar no Congresso Nacional parlamentares comprometidos com a classe trabalhadora”, enfatiza Carlão.
Precarização em alta
Seja por meio da contratação de agentes autônomos de investimentos, correspondentes bancários ou de empresas de conglomerados em atividades não bancárias, as terceirizações representam o aprofundamento da exploração dos trabalhadores, com aumento da jornada e redução de salário: 94% dos correspondentes bancários trabalham de 41 a 44 horas por semana, 42% ganham de 1,01 a 1,5 salário mínimo e 24% de 1,5 a 2,0 salário mínimo.
Os bancos também alegam que as mudanças ocorreram em função do aumento da concorrência. No entanto, entre 2013 e 2021, mesmo com o surgimento de novos concorrentes, os bancos não perderam participação de mercado, ao contrário, houve aumento de 86% para 87% na participação nas operações de crédito. As instituições não bancárias de crédito (onde estão algumas fintechs) saíram de 0,7% para 0,9% de participação, ou seja, um aumento irrelevante. Mesmo as cooperativas com todo crescimento que tiveram saíram de 2% de participação no crédito para 6%.
Lucros exorbitantes
Nos últimos dez anos, o lucro dos bancos cresceu 15% acima da inflação. Em 2021, os cinco maiores bancos do país (Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander) lucraram R$ 107,7 bilhões, 34,1% maior do que no ano anterior. No primeiro trimestre de 2022, o montante somou R$ 27,6 bilhões, 17,5% maior do que no mesmo período do ano passado.
“Não há crise para os bancos, que acumulam fortuna a troco da miséria da população, que já alcança 33 milhões de pessoas, e da exploração dos bancários. Os bancos são concessões públicas e devem ter responsabilidade com o desenvolvimento econômico e social do país”, cobra Carlão.
Jornada reduzida
Nesta rodada de negociação, os representantes dos bancários também defenderam a redução da jornada de trabalho para quatro dias semanal. A pauta tem como base garantir melhores condições de trabalho e de saúde para os bancários. Isso é plenamente possível tendo em vista a alta lucratividade dos bancos e o uso de novas tecnologias. No entanto, diariamente a categoria enfrenta a cobrança de metas, o desrespeito da jornada de trabalho, o assédio moral e a sobrecarga de trabalho.
“A redução da jornada para quatro dias é uma necessidade urgente por uma questão de saúde dos bancários. É inaceitável que os bancos continuem impondo modelos de gestão que têm levado ao adoecimento psíquico e físico dos trabalhadores. Os bancos inserem as novas tecnologias na prestação dos serviços, aumentam seus lucros, mas não permitem aos trabalhadores que se apropriem das benesses do avanço tecnológico, como a redução do tempo gasto em determinadas funções. Esse debate passa também pela luta contra a reforma trabalhista e vai além da nossa categoria. Por isso, para ganhar esse jogo precisamos nos mobilizarmos com outros segmentos da classe trabalhadora”, destaca Carlão.
A redução da jornada de trabalho já é realidade em alguns países da Europa, como a Finlândia e a Islândia. A experiência realizada nos dois países aponta o aumento da qualidade de vida e do bem-estar em uma série de indicadores, como melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.
Continuidade das negociações
A comissão de negociação da Fenaban vai levar as propostas apresentadas pelos Comando para negociação com os bancos. Ao final das negociações será apresentada uma proposta global, com todos os temas em negociação. Veja abaixo o calendário de negociações.
Calendário de negociações:
Quarta-feira, 6 de julho: Cláusulas sociais e segurança bancária
Sexta-feira, 22 de julho: Cláusulas sociais e teletrabalho
Quinta-feira, 28 de julho: Igualdade de oportunidades
Segunda-feira, 1 de agosto: Saúde e condições de trabalho
Quarta-feira, 3 de agosto: Cláusulas econômicas
Quinta-feira, 11 de agosto: Continuação das cláusulas econômicas
Com informações da Contraf e do jornal on-line Brasil de Fato.

