MPT abre inquérito para investigar denúncias de assédio contra Pedro Guimarães

28/07/2022 11:06

Com a conversão da notícia de fato em inquérito, a perspectiva é de que as denúncias de assédio envolvendo o ex-presidente da Caixa sejam investigadas mais a fundo. Caso fique comprovado o crime, o inquérito se transforma em ação penal da Justiça

O Ministério Público do Trabalho (MPT) decidiu converter a notícia de fato sobre as denúncias de assédio sexual e moral contra o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães em inquérito civil. O procurador Paulo Neto, da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, sediada em Brasília, estabeleceu o prazo de 10 dias para que a Caixa envie documentos relacionados às 14 denúncias registradas no canal interno da instituição, com cópia integral dos processos e providências administrativas tomadas entre desde 2019 e 2022. 

Conforme a decisão do MPT, a Caixa também terá que apresentar cópias de “procedimentos administrativos decorrentes de 02 (duas) denúncias que teriam sido apresentadas no ‘Viva Voz’ por uma funcionária da Caixa, em 2020, relacionadas a possível assédio moral que teria sido praticado pelo ex-presidente da empresa pública durante uma live ocorrida no fim de maio daquele ano”.

Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) Lizandre Borges, a conversão da notícia de fato em inquérito vai permitir o aprofundamento das investigações. “É um passo importante para se fazer uma investigação rigorosa e imparcial sobre as graves denúncias que chocaram e indignaram todos nós. Temos que continuar mobilizados para que os culpados sejam responsabilizados. Nunca é demais repetir que assédio sexual é crime previsto no Código Penal”, pontua a dirigente. 

Caso o MPT confirme o teor das denúncias contra Guimarães, o inquérito deve ser transformado em ação penal na Justiça. O caso também é investigado pelo Ministério Público Federal. Jornais que repercutiram a notícias tentaram ouvir a Caixa sobre a decisão do MPT, mas a direção do banco preferiu não se pronunciar. 

Em decorrência das denúncias de assédio, amplamente divulgadas na imprensa, Pedro Guimarães deixou a presidência da Caixa em 29 de junho. No lugar dele assumiu Daniella Marques. “Embora a nova presidente tenha condenado o assédio na instituição, sabemos que pessoas ligadas a Pedro Guimarães permanecem em cargos estratégicos, o que mantém o ambiente inseguro para o registro de novas denúncias”, advertiu Lizandre.