Mais uma rodada de negociação foi realizada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na tarde desta segunda-feira, 08, e terminou sem nenhuma contraproposta dos bancos às reivindicações da categoria bancária. O Comando Nacional dos Bancários apresentou a proposta de aumento dos valores da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) e cobrou uma resposta para todas as cláusulas já apresentadas.

A pauta de reivindicações dos bancários foi entregue à Fenaban no dia 15 de junho e, mesmo após oito rodadas de negociação, a resposta dos bancos continua apenas na esfera das promessas. Já foram apresentadas e discutidas as cláusulas sobre saúde e condições de trabalho, redução da jornada de trabalho sem redução salarial, igualdade de oportunidades, teletrabalho, combate ao assédio moral e sexual, segurança bancária e as cláusulas econômicas.

“Já estamos no final da primeira quinzena de agosto e nossa expectativa era ter pelo menos uma contraproposta para as reivindicações que já discutimos amplamente.  Em cada rodada, apresentamos todos os dados e estudos necessários que embasam nossa minuta. Não há, portanto, nenhuma justificativa para essa postura desrespeitosa dos banqueiros. Estamos indignados, queremos respeito e uma contraproposta que traga respostas concretas para as demandas da categoria”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários.

A próxima rodada de negociação será nesta quinta-feira, 11, às 14 horas, quando o Comando espera que a Fenaban traga respostas para a categoria. “Caso os bancos não apresentem uma contraproposta defensável, temos que nos preparar para um movimento grevista. Não podemos aceitar acordo rebaixado e temos que nos engajar nesta campanha para garantir aumento com ganho real, fim do assédio moral, melhores condições de trabalho, PLR maior, dentre outras questões tão cruciais para nós, trabalhadores bancários”, aponta Carlão.

PLR

Em 1995, os grandes bancos distribuíam cerca de 14% dos lucros a título de PLR. Esse percentual caiu ao longo dos anos, mesmo com reajustes nos valores, mudanças nos parâmetros e introdução da parcela adicional. Em 2021, nos três maiores bancos privados, a média foi de 6,6%. A categoria reivindica maior distribuição dos lucros.

A PLR é um dos pontos de maior interesse da categoria bancária. O aumento na participação nos lucros e resultados foi escolhido como prioridade da Campanha 2022 por 58% dos mais de 35 mil bancários que participaram da Consulta Nacional à categoria. As duas primeiras prioridades são aumento real (92%) e aumento maior para o vale-alimentação e vale-refeição (62%).

Desde 1997, o movimento sindical conquistou 126% de aumento real para a PLR do cargo de caixa. No mesmo período, o crescimento real do lucro dos bancos foi de 359%, 2,85 vezes mais do que a percentagem de aumento da PLR.

Regra atual da PLR

1)  Regra Básica: 90% do salário + R$ 2.807,03 (com teto de R$ 15.058,34).
A Regra Básica pode ser compensada com programas próprios.

Possibilidades: A regra básica deve ser aplicada para todos os bancários de determinada instituição e caso:
a) O Montante fique entre 5% e 12,8% do lucro líquido do banco, aplica-se a regra;
b) O Montante fique acima de 12,8% os valores individuais dos bancários sofrerão redutores;
c) O Montante fique abaixo de 5% do lucro líquido, os valores individuais dos bancários são majorados até o limite de 2,2 salários ou até que o montante chegue a 5% do lucro, o que ocorrer primeiro.

2) Parcela Adicional

Distribuição linear de 2,2% do lucro líquido dos bancos entre todos os bancários e bancárias, com teto de R$ 5.614,06;

Existe a possibilidade de o banco distribuir menos de 2,2% na parcela adicional, caso pague o teto;

A Parcela Adicional não pode ser compensada com programas próprios.

Antecipação da PLR Fenaban

Antecipação da Regra Básica: 54% do salário + R$ 1.684,21 (com teto de R$ 9.034,99).

Na antecipação já vale a regra dos 12,8% do lucro líquido, mas a do piso de 5% do lucro líquido só é definida ao final do ano;

Antecipação da Parcela Adicional: 2,2% do lucro líquido do 1º semestre dividido linearmente, com teto de R$ 2.807,03.

Histórico

Breve histórico de mudanças nos parâmetros da PLR na Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários:

CCT específica de PLR desde 1995 válida para todo o território nacional;

1995: Inicialmente previa apenas regra básica (72% do salário + R$ 200);

1996: limites estabelecidos: a PLR ficaria entre 5% e 15% do lucro líquido dos bancos;

1997: estabelece a majoração da regra básica em até 2 salários, quando o valor ficasse abaixo de 5% do lucro líquido;

2003: Campanha unificada;

2005: Parcela Linear de 4% no BB;

2006: conquista da parcela adicional baseada na variação do Lucro Líquido;

2008: Majoração da regra básica passa a ir a até 2,2 salários;

2009: Parcela Adicional passa a ser de 2% do lucro líquido, independente da variação. Com isso a distribuição mínima passa a ser de 7%, com algumas exceções;

2010: PLR Social Caixa;

2013: Parcela adicional ampliada para 2,2% do lucro líquido.

Principais reivindicações da Campanha:

  • Reposição salarial e nas demais verbas: inflação do período entre 31 de agosto de 2021 e 1º de setembro de 2022 (INPC) mais 5% de aumento real.
  • Aumento maior para o tíquete-refeição e o tíquete-alimentação.
  • Garantia dos empregos.
  • Manutenção da regra da PLR, atualizada pelo índice de reajuste.
  • Jornada contratual de quatro dias de trabalho, entre segunda e sexta-feira.
  • Fim das metas abusivas.
  • Combate ao assédio moral.
  • Proteção aos trabalhadores adoecidos.
  • Acompanhamento e tratamento de bancários com sequelas da Covid-19.

Com informações da Contraf