A rodada de negociações dessa quinta-feira, 11, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi mais uma vez frustrada. Na segunda-feira, 15, faz dois meses que o Comando Nacional dos Bancários entregou a minuta de reivindicações da Campanha Nacional 2022 à Fenaban, mas os bancos continuam protelando a apresentação de uma contraproposta. 

“Como se diz no popular, os bancos estão ‘cozinhando’ as negociações. As principais reivindicações da minuta geral seguem sem respostas. Nesses quase dois meses de negociações já repassamos a minuta com a Fenaban ponto por ponto, mas questões centrais como o fim das metas abusivas, combate ao assédio moral e sexual, proteção dos empregos, aumento salarial real, reformulação da PLR e reajuste maior dos vales alimentação e refeição continuam em aberto: os bancos não dizem nem que sim, nem que não”, critica Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional.

O dirigente alerta que o fator tempo passa a pesar nesta reta final. Carlão lembra que, em tese, 31 de agosto é o teto para o fechamento do acordo. “Temos que trabalhar hoje com essa data. A menos de 15 dias para o término do prazo, era para as negociações estarem a todo o vapor, mas a Fenaban impõe um ritmo lento, que dificulta o avanço das tratativas”. 

Carlão cita como exemplo as negociações sobre o teletrabalho. Ele diz que os bancos sinalizaram positivamente a alguns pontos sobre o tema consignados no artigo 56 da minuta. O integrante do Comando pondera, porém, que os representantes da Fenaban não se manifestaram sobre os eixos centrais da proposta, como o controle da jornada, a ajuda de custo e o acesso do movimento sindical aos trabalhadores que estão em homeoffice. 

“Mesmo em relação aos pontos menos centrais, os quais os bancos acenaram positivamente, ainda não há uma proposta formalizada, apenas uma manifesta intenção de contemplá-los. Tomando como exemplo esse caso específico do teletrabalho, de que valeria uma proposta que deixa de fora as reivindicações-chave da categoria?, questiona Carlão, que complementa: “Queremos discutir as propostas em cima de questões concretas”. 

Ele acrescenta que nesta reta final a mobilização e o engajamento dos bancários e das bancárias na campanha terão muito peso nas próximas rodadas de negociações. “Agora é hora de se pintar para a guerra, pôr a faca nos dentes e partir para a luta”, conclama o dirigente.  

Fique atento às datas das próximas rodadas de negociações:

15, 18 e 19 de agosto.