A direção do Banestes enviou esta semana ao Sindicato dos Bancários/ES a proposta do banco referente ao Acordo Coletivo de Trabalho 2022/2024. Chamou a atenção o fato de o banco ter enviado a proposta por e-mail sem ter discutido presencialmente a negativa às reivindicações da minuta. O diretor do Sindicato Jonas Freire, que já participou de inúmeras negociações, disse não se recordar de postura semelhante do Banestes em outras campanhas. “A praxe é que o banco faça uma reunião para discutir ponto a ponto as reivindicações da minuta. Ao nos enviar uma proposta pronta, sem discutir as reivindicações apresentadas, o Banestes não está desrespeitando apenas o Sindicato, mas a todos banestianos que aprovaram a minuta”, assinala.
Diante da posição atípica do Banestes, o Sindicato formalizou nesta sexta-feira, 19, à direção do banco um pedido de reunião para a próxima semana. “Esta reunião é justamente para retomarmos as negociações e discutirmos a minuta. A etapa mais importante da negociação, que é a discussão da minuta, foi ‘pulada’ pelo Banestes”, afirma Jonas.
Na reunião, a comissão de negociação do Sindicato pretende discutir questões como reajuste salarial, Adicional por Tempo de Serviço (ATS), contribuição patronal à Fundação Banestes e abono assiduidade.
Reajuste salarial – A 1ª Cláusula da minuta, pleiteia que o Banestes “concederá reajuste de todas as verbas salariais de seus empregados no percentual que corresponde à reposição da inflação acumulada no período compreendido entre 01.09.2021 até 31.08.2022 mais aumento real de 5% a partir de 01 de setembro de 2022, sobre a remuneração fixa mensal praticada no mês de agosto de 2022.
Jonas diz que o Banestes, no mesmo e-mail da proposta, fez uma ressalva sobre as cláusulas econômicas. “Lembramos que as cláusulas econômicas são discutidas na Convenção [Nacional], aguardaremos as condições para, se for o caso, aplicarmos nosso acordo”, escreveu o Banestes. “Independentemente do que for negociado na mesa nacional com a Fenaban, o Banestes tem plena condição e autonomia para pagar o aumento real de 5% aos funcionários e às funcionárias do banco”.
O dirigente destaca que o Banestes vem acumulando recordes de lucro nos últimos anos. Ele cita o resultado histórico de R$ 182 milhões registrado no primeiro semestre deste ano. “O banco precisou de apenas seis meses para lucrar mais do que lucrou durante todo o ano de 2018. Esses resultados têm sido alcançados por meio da cobrança de metas abusivas e desumanas. O mínimo que o banco pode fazer é atender nossa reivindicação de aumento real”, pontua.
Jonas destaca ainda o parágrafo primeiro da mesma cláusula: “O Banestes procederá a reposição das perdas salariais ocorridas no período de setembro de 1994 a agosto de 2022 de forma imediata e gradual”. O sindicalista diz que esse é outro ponto importante porque ao longo dessas quase três décadas os banestianos vêm acumulando perdas. Ele acrescenta ainda que o salário médio dos funcionários do Banestes está defasado em relação ao de outros bancos.
Adicional por Tempo de Serviço (ATS) – Diz a Cláusula 15ª que “O BANESTES concederá a seus empregados o adicional de tempo de serviço no valor de R$ 60,60 (sessenta reais e sessenta centavos), por cada ano de efetivo exercício no Banestes”. Jonas afirma que essa é outra cláusula importante porque o aumento do ATS ajuda a amenizar as perdas dos banestianos.
Contribuição Patronal à Fundação Banestes – A Cláusula 58ª propõe que “O BANESTES apresentará através de seus representantes no Conselho Deliberativo da Fundação Banestes de Seguridade Social, proposta de alteração estatutária e regulamentar que garanta que sua contribuição passará do atual limite de 9% (nove por cento) para 15% (quinze por cento) a partir de 01/09/2022 passando a incidir também sobre as horas extras recebidas pelos empregados associados”.
O banestiano que se aposenta pelo INSS, mas segue na ativa, explica Jonas, perde a contrapartida do banco porque o Banestes deixa de contribuir com a sua parte na Fundação. “O funcionário que se aposenta já perde o auxílio-alimentação, a PLR e passa a arcar sozinho com as mensalidades da Banescaixa. É justo que o Banestes mantenha a contribuição para amenizar as perdas do funcionário que fica inativo”, assinala.
Abono assiduidade – Também entre as cláusulas (71ª) destacadas pela comissão de negociação do Sindicato, propõe a garantia “do abono assiduidade cinco dias para todos os empregados durante o ano, proibida a sua conversão em verba pecuniária”.
Jonas, em nome da comissão de negociação do Sindicato, pede que os banestianos e as banestianas se mobilizem nesta reta final da campanha. “Estamos solicitando essa reunião com o Banestes para fazermos a luta. Queremos discutir a minuta e lutar por cada uma das reivindicações. Vamos precisar do apoio de todos e de todas. As conquistas não vêm sem luta”, reforça Jonas.

