Banestianos e banestianas se reuniram em plenária virtual na noite desta quinta-feira, 01, para discutir a proposta específica do Banestes do Acordo Coletivo de Trabalho 2022/2024. A comissão de negociações do Sindicato dos Bancários/ES havia acabado de sair da reunião com o Banestes e apresentou a proposta imediatamente aos participantes da plenária. Nos encaminhamentos, ficou decidido que haverá uma nova plenária nesta sexta-feira, 02, às 19 horas, para retomar as discussões sobre a proposta do Banestes.
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O diretor do Sindicato Idelmar Casagrande, que conduziu a plenária, resumiu os principais pontos da proposta. O dirigente informou que o Banestes manteve, na íntegra, as cláusulas econômicas da proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que, aliás, foi rejeitada pela maioria dos bancários capixabas. Com relação às reivindicações específicas apresentadas pelos banestianos, o Banestes atendeu apenas a cláusula que aumenta o abono assiduidade de quatro para cinco dias. No geral, Idelmar explicou que a maioria das cláusulas do ACT em vigor foram mantidas, exceções às mudanças nas regras do processo de seleção interna e à alteração no teto da REV (Remuneração Estratégica Variável).
REV
Com relação à REV, o banco propõs alterar o teto, que hoje é de uma remuneração e meia, para duas e meia chegando até o limite de três. O aumento do teto ficaria condicionado aos resultados do banco. A REV, que é hoje de uma remuneração e meia, passaria para duas e meia se o lucro do banco atingir R$ 364 milhões, e chegaria a três se o resultado bater R$ 400 milhões.
No primeiro semestre de 2022, o Banestes registrou lucro líquido de R$ 182 milhões. “Por exemplo, para pagar a REV de duas vezes e meia a remuneração, o banco teria que repetir o lucro de R$ 182 milhões no segundo semestre”, explicou Idelmar.
O diretor do Sindicato Jonas Freire, que também faz parte da comissão de negociações, alertou que atrelar os ganhos salariais dos banestianos ao lucro do banco é uma aposta temerária. “Essa proposta pode ser um instrumento mais perverso para a cobrança ainda mais abusiva das metas. Insisto, os lucros crescentes que o banco vem acumulando nos últimos anos permitem que o banco tenha autonomia para melhorar as cláusulas econômicas, independentemente da proposta apresentada pela Fenaban”, enfatizou.
Jonas destacou ainda que a proposta nacional reajustou os salários abaixo da inflação. “No início da década de 2000, quando o Banestes estava passando por dificuldades financeiras, não recebemos nem o repasse da inflação dos reajustes fixados pela Fenaban. Calculamos que as perdas acumuladas dos banestianos estão na casa de 35%. A expectativa, considerando o excelente momento do banco, era de que o Banestes reconhecesse o empenho e a dedicação dos seus funcionários e concedesse o reajuste da inflação mais um ganho real”, assinalou o dirigente.
Ele destacou ainda que hoje o salário de entrada de um técnico bancário do Banestes é o segundo menor, se comparado ao piso dos outros quatro bancos públicos estaduais (Banrisul, Banpará, Banese e BRB).
Seleção interna
O Banestes também propôs mudanças nas regras de seleção interna. Segundo o ACT em vigor, os banestianos podem participar hoje de várias seleções ao mesmo tempo. De acordo com a proposta do banco, o funcionário poderia participar simultaneamente de apenas duas seleções internas, que são válidas por seis meses e prorrogáveis por mais um semestre.
O banco impôs ainda que os advogados fiquem fora do processo de seleção interno. Jonas criticou a proposta do banco de alterar as regras de seleção para favorecer um pequeno grupo de advogados.
Indignação
Após o esclarecimento das dúvidas, vários participantes da plenária manifestaram indignação com a proposta do Banestes. Jonas também se disse inconformado com a intransigência da direção do banco para atender as reivindicações dos banestianos. “A Fenaban deixou para fazer a proposta aos 45 do segundo tempo. O Banestes esperou a Fenaban e nos apresentou uma proposta indecente já na prorrogação. É um total desrespeito ao Sindicato e aos banestianos. Deixo aqui uma pergunta à direção do Banestes: “O que mais os funcionários e as funcionárias precisam fazer para o banco entender que não pode mais nos impor perdas?”, questionou.
Nova plenária
Nos encaminhamentos, Idelmar confirmou a realização de uma nova plenária virtual para esta sexta-feira, 02, a partir das 19h, para retomar a discussão da proposta do Banestes. Jonas reforçou que a mobilização e o engajamento de mais banestianos e banestianas na discussão é vital para seguir na luta. “É o momento de chegar no colega, explicar a proposta e convidá-lo para participar da plenária nesta sexta”, finalizou.

