
Grito foi marcado pela diversidade. (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibncários/ES)
Da concentração no campus da Ufes ao encerramento na praça de Gurigica, o 28º Grito dos Excluídos e Excluídas foi marcado por uma diversidade de cores, credos, raças, gêneros e idades. Toda essa pluralidade era conectada por um clima de esperança em dias melhores. Outro ponto de comunhão entre os presentes foram as críticas ao presidente Jair Bolsonaro, responsável direto pelo aumento da desigualdade social, fome, miséria e carestia no país. O tema da edição deste ano fez um questionamento às comemorações do bicentenário da Independência do Brasil: “(In) dependência para quem?”. No Espírito Santo, a Campanha Paz e Pão, da Arquidiocese de Vitória, contou com o apoio de entidades sociais, sindicais, culturais e estudantis para organizar o Grito deste ano.

Ato plural deixou mensagem de esperança por dias melhores
A coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, repercutiu o tema do Grito. “Não podemos comemorar a independência como uma conquista plena enquanto ouvirmos os gritos de mais de 30 milhões de brasileiros implorando por comida; enquanto existir no país um racismo estrutural, oprimindo e perseguindo o povo negro; enquanto uma minoria concentrar a riqueza à custa da miséria de uma maioria; enquanto a educação não for capaz de inclur todos e todas de maneira justa e igualitária”, advertiu a dirigente.

Sindicato dos Bancários/ES: crítica ao governo Bolsonaro
Ainda sobre o bicentenário, sequestrado eleitoralmente por Bolsonaro, Rita Lima recordou que a Constituição de 1823, feita logo após a independência, já nasceu excludente porque não considerou o negro como cidaddão brasileiro. “É importante lembrar que a abolição veio somente 66 anos após a independência, ou seja, D. Pedro I, com o apoio e a cumplicidade das elites, não ouviu os gritos da senzala que clamavam por liberdade. Que independência é esta que exclui a maioria da população do país?”, questionou Rita Lima.
Toda a indignação às injustiças sociais estava expressa nas faixas e cartazes exibidas durante a caminhada. Uma das faixas do Sindicato dos Bancários dizia: “Fora Bolsonaro – Inimigo dos Brasileiros”; outra chamava a atenção para os juros abusivos dos bancos e o endividamento da população: “Bancos: sócios da inflação, cúmplices da miséria”.

Os cartazes pediam direito à saúde, à educação, à vida
Crítica às privatizações
Na altura do prédio da Petrobras, na Reta da Penha, o ato fez uma parada estratégica para criticar a política de entrega das empresas públicas à iniciativa privada. As falas enalteceram a importância da Petrobras e das empresas públicas e repudiaram a ameaça privatista da dupla Bolsonaro e Paulo Guedes (ministro da Economia).
O diretor do Sindicato Fabrício Coelho foi um dos que criticaram as privatizações. “Temos que defender as empresas públicas da avidez do capital. No setor financeiro, a Caixa e o Banco do Brasil são alvos da iniciativa privada. Aqui no Espírito Santo, o Sindicato, junto com os bancários e com o apoio da população, resiste há décadas às tentativas dos governos de privatizar o Banestes e suas subsidiárias. Vamos continuar resistindo para manter o Banestes público e estadual”.
O dirigente também criticou a desigualdade social, que se tornou mais aguda sob Bolsonaro. “São mais de 30 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. Estamos aqui denunciando todas as formas de exclusão. A exclusão da classe trabalhadora, que nunca é protagonista da divisão de riquezas deste país”.

Ação contra a fome
No encerramento, já na praça da Gurigica, integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fizeram a entrega de alimentos à população. A diretora do Sindicato Claudia Patricia Pinheiro, que participou da organização do Grito, afirma que o protesto ganhou um significado ainda mais forte este ano. “O Grito acontece num momento em que o país voltou ao Mapa da Fome, convive com a carestia, as ameaças à democracia, o desvio do dinheiro público por meio do orçamento secreto e a cultura do ódio disseminada por Bolsonaro e seus seguidores, o que torna grande parte da população ainda mais vulnerável a sofrer violência e ser excluída dos seus direitos”.
Claudia Patrícia disse ainda que o povo brasileiro não pode ficar calado diante de tantos direitos retirados, de tanta violência física e estrutural, patrocinada pelo poder público. “O Grito é uma forma de a população dizer ‘Basta’. Basta de violência, de fome, de desvio de dinheiro público. O povo brasileiro quer a sua independência real e para todos e todas”, enfatizou a dirigente.
Confira as fotos do 28º Grito dos Excluídos e Excluídas
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

