O ato em defesa da educação pública e da democracia lotou as ruas de Vitória nesta terça-feira, 18, num movimento nacional que pediu o fim da era Bolsonaro e de todas as mazelas que seu governo trouxe para o Brasil. Diretores do Sindibancários/ES participaram da caminhada a partir do Teatro Universitário, na Ufes. Outro grupo saiu do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) pela Avenida Vitória. Os manifestantes se encontraram na Praça do Cauê e rumaram para a Assembleia Legislativa, onde o ato foi encerrado.
“Estamos nas ruas em defesa das políticas públicas, especialmente a educação, e por democracia neste país. Não podemos aceitar essa política do governo Bolsonaro que impõe cortes sistemáticos para áreas prioritárias, que nega recursos para o desenvolvimento da ciência e da formação de jovens e adultos. Queremos um país livre, democrático e que invista no seu povo. E por isso precisamos dar um basta nessa política. Faremos isso nas urnas no próximo dia 30”, convocou a coordenadora geral do Sindicato, Rita Lima.
Esvaziamento e desmonte
A presidenta da Associação dos Docentes da Ufes, Junia Zaidan, explicou que os frequentes cortes para o ensino superior que o governo Bolsonaro tem determinado vêm provocando o “estrangulamento das universidades”. A Ufes, por exemplo, está tendo que remanejar recursos de capital, que são os destinados a investimentos, prédios e equipamentos, para custeio, ou seja, a manutenção cotidiana da Universidade.
“A gente tem uma universidade sufocada, não podendo recompor a sua estrutura, pois os parcos recursos são usados para garantir o pagamento de água, luz, funcionamento do restaurante universitário. O que a gente reivindica não é apenas o recuo de um bloqueio [como o que ocorreu recentemente], mas a recomposição do orçamento das universidades para que voltemos a ser capazes de investir na estrutura; e não deixar sob risco o funcionamento da Ufes e as políticas de permanência e assistência estudantil”, afirma Zaidan.
Ela alerta que está em curso no governo Bolsonaro uma política de “esvaziamento e desmonte da universidade para, na sequência, ser apresentada a solução salvadora da pátria que seria a privatização”. Lembrando Darcy Ribeiro, ela lembrou: “A crise não é uma crise, é um projeto. Estamos nas ruas hoje denunciando esse projeto contra o qual vamos, intransigentemente, nos colocar”.
Bloqueios
O último bloqueio para a Educação foi anunciado no dia 30 de setembro, totalizando a retirada de R$ 2,399 bilhões para todas as unidades do Ministério da Educação (MEC). No dia 7 de outubro, diante de todas as pressões, o governo voltou atrás. Mas isso não resolve todas as dificuldades da Ufes.
Conforme divulgado pela Universidade, “uma outra parcela, de R$ 4,4 milhões, foi bloqueada em junho. Além disso, uma outra porção do orçamento inicial da Ufes foi destinada a outras unidades do governo também em junho. Desse modo, a Universidade acumula uma perda de R$ 8,8 milhões do seu orçamento inicial, sobre os quais, até o momento, não há informação se retornarão”.
Educação básica
Na proposta orçamentária do próximo ano, que está no Congresso Nacional, a previsão é de menos 12% para as universidades. E a tragédia na formação não para por aí. A educação básica também está sendo destruída. O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2023 faz um corte de 96% nas verbas públicas destinadas à educação infantil. O governo quer reduzir em 97,5% os investimentos na abertura de Centros de Educação Infantil e 34% na merenda escolar.

