O Banco Santander reportou lucro líquido gerencial de R$ 3,12 bilhões no terceiro trimestre de 2022. O resultado é 23,5% menor se comparado ao segundo trimestre de 2022, e de 28% ante aos R$ 4,34 bilhões apurados no mesmo período de 2021. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o lucro líquido chegou a R$ 11,21 bilhões, o que representa uma queda de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Cláudio Merçon (Cacau), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e da Fetraf-RJ/ES, adverte que o resultado do terceiro trimestre, apesar da queda em relação ao mesmo período de 2021, está longe de ser ruim. “É preciso olhar para esses números e pondera que 2021 foi um ano de lucro recorde para os grandes bancos brasileiros. Juntos, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, romperam a casa dos R$ 81 bilhões de lucro. Só o Santander apurou R$ 14,9 bilhões. Olhando o copo por esse lado, o resultado do terceiro trimestre deste ano é muito bom, considerando que o de 2021 foi extraordinário”, argumenta.
Em 2021, acrescenta Cacau, o Santander superou os concorrentes e distribuiu R$ 9,99 bilhões em dividendos para os seus acionistas. “Esses resultados espetaculares, que são alcançados a partir de metas abusivas impostas aos funcionários, não impediram que o banco intensificasse o processo de terceirização iniciado em 2020”, critica o dirigente.
No final de setembro o Santander anunciou seu plano de terceirizar toda a área de manufatura do banco. O movimento sindical estima que, em um primeiro momento, cerca de 1,7 mil trabalhadores, hoje lotados no Radar Santander, em sua maioria, e parte na Torre e no Conexão, deixarão de ser funcionários do banco e passarão a ser funcionários da “SX Tools”, uma empresa criada pelo próprio banco. “Nesse ritmo, em pouco tempo, não haverá bancários no Santander”, alerta Cacau.
Outros dados do lucro
No terceiro trimestre, o lucro líquido do Santander no Brasil (R$ 3,12 bilhões) representou 27,7% do lucro global da instituição, que foi de € 7,316 bilhões, alta de 14,7% em 12 meses e de 3% no trimestre.
Nos três primeiros trimestres deste ano, o índice de inadimplência total superior a 90 dias, incluindo pessoa física e jurídica, ficou em 3%, com alta de 0,6 p.p. em comparação ao mesmo período de 2021. Já as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) aumentaram 52,2% e somaram R$ 17,4 bilhões.
As receitas com prestação de serviços e tarifas caíram 1% em doze meses, somando R$ 14,2 bilhões. Ainda assim, esse montante foi 191,74% superior aos R$ 7,4 bilhões de despesas com pessoal mais a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que aumentaram 10% no período. Isso significa que apenas as receitas secundárias cobriram quase duas vezes a folha de pagamento do banco.

