A diretoria e os acionistas devem estar comemorando até agora os resultados do Banco do Brasil divulgados nessa quarta-feira, 09. O BB superou os resultados dos gigantes Itaú, Bradesco e Santander ao registar lucro de R$ 8,4 bilhões no 3º trimestre de 2022. O resultado é 62,7% maior no comparativo com o mesmo trimestre do ano passado. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o BB bateu um novo recorde: R$ 22,8 bilhões. Lucro 50,9% superior ao apurado no mesmo período de 2021.
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone afirma que o lucro recorde deve ser analisado com preocupação a partir do momento em que o banco se distancia de seu caráter público e prioriza a concorrência direta com os privados. Podemos dizer que o banco está cada vez com a cara de privado e menos de público”, compara. O lucro do 3º trimestre do BB (R$ 8,4 bi), além de superar o do Itaú (R$ 8,01 bi) – maior banco privado da América Latina -, é maior que os lucros somados do Bradesco e do Santander no 3º trimestre (R$ 8,34 bi).
Mais para os acionistas, menos para o social
A dirigente afirma que os resultados são excelentes para os acionistas do banco, mas não beneficiam em nada os segmentos menos favorecidos da população. Ela lembra que no acumulado do ano, o Banco do Brasil irá distribuir mais de R$ 8,5 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio a seus acionistas. “Ou seja, mais de um terço do lucro vai para o bolso dos acionistas. É um dinheiro que não será investido em programas sociais ou em produtos bancários que facilitem, por exemplo, o acesso ao crédito dos pequenos agricultores, dos micro e pequenos empresários e de outros segmentos menos favorecidos do mercado. A vocação do banco público é fomentar o crescimento do setor produtivo do país, financiando programas de infraestrutura e contribuindo para a redução das desigualdades sociais”, afirma.
Lucro no chicote
Por mais reluzentes que sejam os números, continua Goretti, eles não escondem as marcas do chicote deixadas nas costas dos funcionários. “Faltou a atual gestão do BB informar no relatório divulgado à imprensa e ao mercado, que esse lucro pujante foi construído à custa de metas desumanas. O resultado dessa relação abusiva é o adoecimento físico e mental de uma massa cada vez maior de trabalhadores e trabalhadoras”, critica Goretti.
A dirigente diz que a gestão abusiva imposta por Fausto de Andrade Ribeiro, terceiro presidente a assumir o comando do banco sob o governo Bolsonaro (antes estiveram à frente do BB Rubens Novaes e André Brandão), tem atingido funcionários de todos os segmentos do banco. Goretti afirma que funcionários com funções gerenciais, em especial os gerentes gerais, também têm se queixado das condições de trabalho e do volume de cobrança para o cumprimento de metas.
“A cobrança de metas é um problema recorrente no banco, mas o diferencial agora é a intensidade. Os gestores relatam várias reuniões por audioconferência e cobrança permanente nos grupos de celular, onde os trabalhadores estão sendo convocados a publicar os seus resultados. Isso gera constrangimento e configura uma forma de ranqueamento disfarçado, uma prática que é vetada pela nossa Convenção Coletiva de Trabalho. Além de cobrados, os trabalhadores estão sendo expostos”, relata Goretti a partir de denúncias que chegaram ao Sindicato.








