
Lula e a primeira-dama Janja cumprimentam Tarciana Medeiros (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)
A presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, tomou posse na noite dessa segunda-feira, 16. Na cerimônia que durou cerca de uma hora, no Centro Cultural Banco do Brasil, na capital federal, o presidente Lula destacou dois compromissos da nova gestão do BB. Primeiramente, tratar com respeito os 85 mil funcionários e funcionárias do Banco do Brasil. Em segundo lugar, “cuidar do povo que mais necessita”, se referindo à inclusão dos menos favorecidos na política do banco.
TARCIANA MEDEIROS ASSUME PRESIDÊNCIA DO BB NESTA SEGUNDA
Lula acrescentou: “Sei que o Banco do Brasil é o grande financiador do agronegócio, financia bilhões, bilhões e bilhões, mas, no meu tempo, também financiava com muito orgulho pequenos e médios proprietários através do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar]. Vamos voltar a acreditar nos pequenos e médios produtores rurais que põem alimento na mesa”, enfatizou o presidente.
Diversidade
Tarciana, depois de agradecer a Lula a confiança e oportunidade, afirmou que a diversidade ainda precisa avançar na instituição. “Isso será feito com muito diálogo e entendimento de cada segmento do corpo funcional”. Se dirigindo à primeira-dama, Janja, ela garantiu que a diversidade estará presente todos os dias na sua gestão.
A presidenta afirmou também que a diversidade não ficará restrita ao aspecto simbólico da sua nomeação. Ela disse que adotará medidas concretas para diversificar as equipes e as lideranças. “O BB vai vivenciar a diversidade plena na prática”, assegurou Tarciana.
Para Goretti Barone, diretora do Sindicato dos Bancários/ES, o presidente Lula fez colocações importantes, apontando quais são as coordenadas que a nova gestão deve seguir. “Lula considera a valorização dos funcionários e das funcionárias prioridade. Isso é muito importante para um corpo funcional que esteve nos últimos quatro anos sofrendo todo o tipo de opressão sob Bolsonaro – um governo que precarizou as condições de trabalho na instituição. O resultado dessa política perversa foi o adoecimento em massa dos trabalhadores e das trabalhadoras do BB”. A dirigente também destaca o desejo de Lula de incluir os segmentos menos favorecidos nas políticas de crédito e do papel de indutor do desenvolvimento do BB. “Vamos, outra vez, incluir o povo pobre na economia e queremos que o Banco do Brasil cumpra sua parte”, afirmou Lula.
Aumento ou greve
Toda a cerimônia transcorreu num clima leve e festivo, como não podia ser diferente. Em certo momento, Lula chegou a tirar risos dos presentes. Em tom descontraído, o presidente deu um conselho a Tarciana. Lula ressaltou que o banco tem de manter a rentabilidade, “mas precisa dar um pouquinho de aumento para os funcionários de vez em quando. Senão, eles fazem greve”, disse sorrindo.
Goretti pondera o contexto de descontração da fala, mas ao mesmo tempo aponta que a mudança de linguagem reflete que há um ambiente renovado na instituição com a posse de uma mulher, funcionária de carreira, a partir de um governo democrático e com origem na luta sindical. “Ele falou meio em tom de brincadeira, mas é muito importante que a palavra greve seja pronunciada naturalmente pelo presidente da República, e não como algo proibido, marginal ou ilegal. A greve é um instrumento legítimo de luta da classe trabalhadora, que deve ser usado quando a via da negociação se esgota”, sublinha a dirigente.

