O Banco do Brasil apresentou alta de 51,3% no lucro líquido de 2022 e obteve o resultado de R$ 31,8 bilhões. O banco bateu novo recorde e continua entre os mais rentáveis do país, mas segue também entre aqueles cujos funcionários mais adoecem. A pressão por metas, comumente acompanhada da prática de assédio moral, está entre as principais causas do adoecimento psíquico dos funcionários. Não é à toa que a alta de 39,2% da receita com operações de crédito é um dos principais fatores do aumento do lucro.
Ao analisar o balanço financeiro do BB, a diretora do Sindibancários/ES Bethânia Emerick destaca que os resultados financeiros positivos são esperados, mas não podem ser alcançados com a sobrecarga e o adoecimento dos trabalhadores bancários.
“As metas são absurdas e os bancários, por medo de perder a função ou de serem penalizados de outra forma, acabam se submetendo a uma pressão desumana. Nossa expectativa é que a nova presidenta faça, o mais rápido possível, alterações profundas na gestão do banco, com medidas que valorizem e respeitem os funcionários. O lucro sempre virá, afinal ele é fruto do trabalho e dedicação dos milhares de bancários, mas é preciso garantir condições dignas de trabalho”, enfatiza Bethânia.
O alto lucro também é resultado direto do abandono da função pública do BB nos últimos anos. “O lucro do banco deve ser revertido em investimento social e em geração de renda para a população. Enquanto a função social do banco estiver sendo descartada, o lucro serve apenas para o aumento da fortuna dos acionistas e é puramente sinal da exploração dos trabalhadores e dos usuários”, aponta a diretora do Sindibancários/ES Claudia Patricia Pinheiro.
Balanço financeiro
Em 2022, o BB teria um resultado ainda maior caso não tivesse provisionado R$ 788 milhões no 4º trimestre para cobrir possível inadimplência em operação de crédito com empresa do segmento large corporate que entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro de 2023. Possivelmente, a empresa seria as Lojas Americanas. Sem essa provisão, o lucro teria sido de R$ 32,2 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), índice que mede a rentabilidade do banco, aumentou 5,8 pontos percentuais em 12 meses, alcançando 20,6%. O total pago destinado aos acionistas no exercício 2022 foi de R$ 11,8 bilhões, sendo R$ 4,138 o valor distribuído por ação.
Sobre o aumento do lucro, outra base está no aumento de 10,2% das receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias, que chegaram a R$ 32,33 bilhões. Na prática, esse resultado escancara também o distanciamento do BB de sua função pública, uma vez que explora clientes, trabalhadores brasileiros, com a cobrança de altas taxas de serviços bancários.
“Como o banco público, o BB deveria, entre outras ações importantes, ser promotor da bancarização no país. Ou seja, garantir à população, principalmente às pessoas de menor poder aquisitivo, o direito ao serviço bancário com taxas acessíveis”, aponta Bethânia.
Bancários
Enquanto o lucro do BB aumentou 51,3%, as despesas com pessoal subiram apenas 8,5%, totalizando R$ 25,54 bilhões. O valor engloba o aumento salarial de 8% concedido aos bancários e o pagamento da PLR, após a Campanha Salarial de 2022.

