Acampamento próximo à Lagoa de Baixo (Foto: Sérgio Cardoso)

O Sindicato dos Bancários/ES visitou as ocupações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Aracruz, na região da Vila do Riacho, na última terça-feira, 18. Cerca de 200 famílias ocuparam as terras há quatro dias e reivindicam 8 mil hectares de área apropriada indevidamente pela Suzano (antiga Aracruz Celulose e ex-Fibria). De acordo com documentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), esses 8 mil hectares, destinados ilegalmente para o plantio de eucalitpto, são terras devolutas, patrimônio do governo  Estadual. A empresa Suzano, que alega ter a posse das terras, grilou as terras e vem destruindo o solo da região com a monocultura de eucalipto.

A ocupação do MST se divide em duas áreas: uma próxima à Lagoa de Baixo e outra perto do assentamento Nova Esperança. Na noite da última segunda-feira, 17, já no primeiro dia da ocupação, a Justiça Estadual emitiu uma liminar de despejo dos trabalhadores. A data do cumprimento da ordem foi adiada para a próxima quinta-feira, 27.  O MST irá recorrer da decisão judicial e ainda aguarda posicionamento do governo de Casagrande para regularização da terra a favor da reforma agrária.

Confira os depoimento dos militantes acampados:

 

“Se a gente não tiver dinheiro, não temos como nos alimentar. Se a gente consegue um pedaço de terra, temos onde plantar e de onde tirar alimentos saudáveis, sem agrotóxicos. Queremos algo que vai fazer bem para nossas crianças, para nosso futuro, para nós. Sou filha de agricultores e quero levar a tradição da agricultura familiar para frente. Queremos produzir alimentos para nossa família e também para quem está na cidade”.  Luzia Giuseppe Ivo, 40 anos.

 

Nátila e Amós (Foto: Sério Cardoso )

“Sou neta de militante do MST. Nasci em um assentamento, em Santa Teresa. Hoje minha avó mora no assentamento junto com meu tio. Eu e meu  companheiro estamos na luta pelo nosso pedaço de terra. Queremos plantar alimentos sem agrotóxicos para nós e para os trabalhadores da cidade”, contou Nátila dos Santos Soares, 18 anos, ao lado do seu companheiro Amós Jovêncio Costa, o cozinheiro do acampamento.

Carlos Francisco

“Trabalho como pedreiro, mas quero um pedaço de terra para plantar.  O MST traz a esperança para as pessoas de baixa renda, como eu. Hoje, no Brasil, vivemos uma epidemia da fome. Temos esperança de produzir alimentos para nos sustentar e também para ter uma fonte de renda. Queremos ter onde plantar, colher e vender alimentos sem agrotóxico na feira na cidade.” Carlos Francisco, 61 anos.

Com barraca montada em frente à mesa comunitária, essa é a primeira ocupação que Maria Goretti participa. “Estou com meu filho, lutando pela minha família”.

Na tarde desta quinta-feira, 20, dirigentes do MST foram recebidos na primeira reunião de negociação com o governo estadual e federal. Até o fechamento desta matéria, a reunião não havia terminado.  Apesar da ordem judicial para que saiam das áreas, os militantes do MST seguem na luta e afirmam que não vão desocupar as terras.

 

 

 

 

Fotos: Sérgio Cardoso