O Sindicato dos Bancários/ES visitou as ocupações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Aracruz, na região da Vila do Riacho, na última terça-feira, 18. Cerca de 200
famílias ocuparam as terras há quatro dias e reivindicam 8 mil hectares de área apropriada indevidamente pela Suzano (antiga Aracruz Celulose e ex-Fibria). De acordo com documentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), esses 8 mil hectares, destinados ilegalmente para o plantio de eucalitpto, são terras devolutas, patrimônio do governo Estadual. A empresa Suzano, que alega ter a posse das terras, grilou as terras e vem destruindo o solo da região com a monocultura de eucalipto.
A ocupação do MST se divide em duas áreas: uma próxima à Lagoa de Baixo e outra perto do assentamento Nova Esperança. Na noite da última segunda-feira, 17, já no primeiro dia da ocupação, a Justiça Estadual emitiu uma liminar de despejo dos trabalhadores. A data do cumprimento da ordem foi adiada para a próxima quinta-feira, 27. O MST irá recorrer da decisão judicial e ainda aguarda posicionamento do governo de Casagrande para regularização da terra a favor da reforma agrária.
Confira os depoimento dos militantes acampados:
“Se a gente não tiver dinheiro, não temos como nos alimentar. Se a gente consegue um pedaço de terra, temos onde plantar e de onde tirar alimentos saudáveis, sem agrotóxicos. Queremos algo que vai fazer bem para nossas crianças, para nosso futuro, para nós. Sou filha de agricultores e quero levar a tradição da agricultura familiar para frente. Queremos produzir alimentos para nossa família e também para quem está na cidade”. Luzia Giuseppe Ivo, 40 anos.
“Sou neta de militante do MST. Nasci em um assentamento, em Santa Teresa. Hoje minha avó mora no assentamento junto com meu tio. Eu e meu companheiro estamos na luta pelo nosso pedaço de terra. Queremos plantar alimentos sem agrotóxicos para nós e para os trabalhadores da cidade”, contou Nátila dos Santos Soares, 18 anos, ao lado do seu companheiro Amós Jovêncio Costa, o cozinheiro do acampamento.
“Trabalho como pedreiro, mas quero um pedaço de terra para plantar. O MST traz a esperança para as pessoas de baixa renda, como eu. Hoje, no Brasil, vivemos uma epidemia da fome. Temos esperança de produzir alimentos para nos sustentar e também para ter uma fonte de renda. Queremos ter onde plantar, colher e vender alimentos sem agrotóxico na feira na cidade.” Carlos Francisco, 61 anos.
Com barraca montada em frente à mesa comunitária, essa é a primeira ocupação que Maria Goretti participa. “Estou com meu filho, lutando pela minha família”.
Na tarde desta quinta-feira, 20, dirigentes do MST foram recebidos na primeira reunião de negociação com o governo estadual e federal. Até o fechamento desta matéria, a reunião não havia terminado. Apesar da ordem judicial para que saiam das áreas, os militantes do MST seguem na luta e afirmam que não vão desocupar as terras.
Fotos: Sérgio Cardoso





