Dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram com os representantes do Banestes para mais uma rodada de negociações da Campanha Salarial 2026. Na mesa de negociação dessa sexta-feira (14), foram tratadas principalmente as cláusulas de teletrabalho da minuta.
Os dirigentes sindicais cobraram do banco um retorno sobre as pautas anteriores e apresentaram as demandas sobre teletrabalho, principalmente em relação aos critérios de envio e retorno ao teletrabalho, o aumento da ajuda de custo mensal e o tratamento isonômico entre os trabalhadores que estão em teletrabalho e os que trabalham de forma presencial.
“Reafirmamos a concepção do sindicato de valorização do trabalho presencial principalmente para garantir o atendimento à população e também pela importância da socialização no local de trabalho e pela redução do adoecimento do trabalhador, garantindo sempre as demandas daqueles trabalhadores e trabalhadoras que apresentam questões específicas para permanência no teletrabalho. E pautamos que é fundamental que o Banestes apresente critérios objetivos para o rodízio no teletrabalho. Hoje, nas resoluções, está escrito que a chefia decide ou onde é necessário, mas isso é muito subjetivo. Os critérios precisam ser objetivos e nítidos pra garantir isonomia no tratamento e que o teletrabalho não seja usado como punição ou premiação, nem apenas quando for conveniente para o banco”, explicou Fabrício Coelho, diretor do Sindibancários/ES.
Os diretores do sindicato ressaltaram também a importância de garantir isonomia, não apenas no rodízio, mas em todos os sentidos, nas tarefas, no controle da jornada extra e pautando a questão da diferença das metas entre aqueles trabalhadores que estão no presencial e no teletrabalho, já que o Banestes incluiu nas resoluções a possibilidade de ampliar as metas em até 20% para os trabalhadores em teletrabalho.
De acordo com Marcelo Giacomin, diretor do Sindibancários/ES, isso é um absurdo e fere a cláusula de igualdade. “É fundamental garantir a isonomia. A questão das metas majoradas pra quem está em teletrabalho precisa acabar”, ressaltou o dirigente.
Outro ponto apresentado pelo sindicato foi o aumento da ajuda de custo para quem está no modelo de teletrabalho, considerando que todas as despesas de manutenção recaem sobre o trabalhador. O banco afirmou em mesa que o valor pago hoje, pouco mais de cem reais, tem sido reajustado, porém o sindicato enfatizou que a reivindicação da categoria é que esse valor passe para quinhentos reais mensais, a fim de garantir que o trabalhador em teletrabalho consiga arcar com todas as despesas, sem ficar no prejuízo, por precisar trabalhar em casa.
Cláusulas sindicais
A mesa de negociação chegou a debater também as cláusulas sindicais, onde os dirigentes apresentaram a reinvindicação de ampliar o número de banestianos e banestianas liberados para compor a diretoria do sindicato, bem como atuarem como delegados sindicais, a fim de garantir melhor fiscalização e encaminhamento de todas essas demandas nos locais de trabalho, tendo a disponibilização de dirigentes sindicais proporcionais ao tamanho do banco.
Ato antes da rodada
Antes da rodada de negociações, no início da manhã desta sexta-feira (14), dirigentes do Sindicato fizeram um ato em frente ao edifício Palas Center, no Centro de Vitória. Foram entregues um informativo aos banestianos e banestianas sobre as pautas que foram discutidas na mesa do dia anterior e as que seriam debatidas logo em seguida.
Saúde e condições de trabalho
Na mesa de negociações desta quinta-feira (13), foram debatidos os temas referentes à saúde e condições de trabalho. Entre os pontos levantados, os dirigentes sindicais reivindicaram a jornada de 6 horas para todos e o fim das metas.
Renata Resende, diretora do Sindibancários/ES, ressaltou que o setor bancário é um dos mais afetados por transtornos mentais, como ansiedade, depressão e a síndrome de burnout e isso vem sendo impulsionado por esse modelo de gestão baseado em metas abusivas, cobranças excessivas e assédio moral organizacional, conforme demonstram diversos estudos estaduais, nacionais e internacionais.
“O fim das metas sufocantes significa o fim da cultura do medo. É chegar pra trabalhar sem o aperto no peito e sem o pavor do assédio moral. O bancário volta a ter orgulho do que faz, atuando como um verdadeiro parceiro financeiro do cliente e não como alguém pressionado a empurrar serviços a qualquer custo. E o cliente sai bem atendido e satisfeito. Ou seja, eliminar o assédio por metas e humanizar o trabalho não é desacelerar o banco, é construir uma instituição sólida, sustentável e respeitada por seus clientes e funcionários”, enfatizou Renata.
De acordo com Paulo Soares, diretor do Sindibancários/ES, a jornada de 6 horas para todos é um modelo ganha-ganha. “Ou seja, traz vantagens para o bancário, para o banco e para os clientes, já que permitindo ao empregado cuidar da família, praticar atividades físicas, estudar e se atualizar para melhorar seu desempenho no trabalho, cria um ambiente de trabalho mais saudável, com clientes sendo melhor atendidos e bancos mais sustentáveis e lucrativos. Por isso defendemos que reduzir a jornada não significa produzir menos, significa produzir melhor”, explicou Soares.















