Bancários e bancárias da Caixa ainda aguardam ansiosamente as mudanças na forma de gestão, prometidas pela atual presidente Rita Serrano. Desde quando tomou posse, em janeiro deste ano, Rita destituiu apenas seis dos 12 vice-presidentes do banco vinculados ao governo Bolsonaro. Nesta semana, o jornal Valor Econômico noticiou, com exclusividade, que mais dois vices ficam nos cargos até maio: Thays Cintra, vice-presidente de Negócios de Varejo, e Edilson Carrogi Ribeiro Vianna, vice-presidente de Agente Operador.
Bancária da Caixa há 22 anos, Thays Cintra foi uma das responsáveis pela elaboração do empréstimo consignado do Auxílio Brasil às vésperas das últimas eleições presidenciais e com fortes indícios de produto eleitoreiro. Thays alcançou um dos postos mais altos da Caixa por meio do então presidente do banco, Pedro Guimarães. Desde setembro de 2021, Thays ocupa a Vice-presidência de Negócios de Varejo (Vinov) e é uma das responsáveis pela política perversa de cobrança de metas nas vendas dos produtos do setor.
O outro vice-presidente com dias contados para entregar o cargo também é bancário da Caixa há mais de 20 anos. Apoiador do governo Bolsonaro, Edilson Carrogi Ribeiro Vianna tomou posse como Diretor Executivo da Caixa poucos meses após a eleição de Bolsonaro, em março de 2019. Foi em junho de 2022 que assumiu a Vice-Presidência de Agente Operador (Vimar), um setor estratégico para o banco e governo, já que é responsável pelo gerenciamento dos fundos e programas governamentais para atender necessidades específicas da União, do Distrito Federal, dos Estados e Municípios, como o Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), o Sistema Financeiro de Habitação (SFH), Programa “Minha Casa, minha vida”, entre outros.
“Essas mudanças são muito esperadas pelos empregados e empregadas da Caixa. Só teremos um ambiente de trabalho saudável no banco quando houver transformações profundas na gestão, e isso passa necessariamente pela destituição de todos aqueles coligados com Bolsonaro e seu aliados, que impuseram uma gestão pelo medo nos últimos anos. Esperamos que haja mais agilidade nas alterações das lideranças dentro da Caixa”, aponta a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.
A cobrança por metas, por venda de produtos e o alto índice de bancários adoecidos ainda fazem parte do cotidiano da Caixa. “A pressão por vendas e a sobrecarga de trabalho devem ser banidos imediatamente da Caixa. Não dá mais para esperar. Os bancários estão adoecidos fisicamente e mentalmente, por isso temos pressa pela efetivação de um modelo de gestão em que o trabalhador tenha sua vida, saúde e dignidade respeitados”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges.

