Na última sexta-feira (19), em Brasília, durante negociação com representantes da Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) cobrou a imediata exclusão do caráter punitivo do Programa de Qualidade de Vendas (PQV), cuja nova versão divulgada recentemente pelo banco pune empregados por cancelamentos de vendas de produtos. Os representantes da Caixa anunciaram que um novo PQV será apresentado ao Banco Central até o dia 01 de julho e que a nova versão exclui as penalidades aos empregados.

A reunião contou com a presença do vice-presidente de Gestão de Pessoas (Vipes), Sérgio Mendonça, do diretor de Pessoas, Daniel de Castro Borges, além de dirigentes da Diretoria de Integridade. Durante o encontro, o vice-presidente da Vipes também assumiu o compromisso de apresentar previamente à CEE qualquer programa ou propostas de alterações em programas existentes antes da implementação.

“Após um longo período em que fomos ignorados pelo último governo, agora, finalmente, temos interlocução com a direção da Caixa. Isso é muito importante para avançarmos nas negociações sobre nossos direitos. A reinstalação da Vipes e a reunião na última sexta-feira são resultados positivos do diálogo retomado entre a CEE e a direção da Caixa. Vamos continuar vigilantes e atuantes para garantir melhores condições de trabalho para os empregados”, afirma a diretora do Sindibancários/ES e membro da CEE, Lizandre Borges.

Retomada da Vipes

A retomada da Vipes no âmbito do banco público, que havia sido extinta no primeiro semestre de 2021, ainda sob a gestão de Pedro Guimarães, ocorreu a partir de uma reivindicação dos empregados. Mas ainda é preciso reestruturar toda a rede de atendimento aos empregados.

“Nossa reivindicação é que cada estado volte a ter uma Gerência de Pessoas (Gipes), com estrutura completa de atendimento dos recursos humanos e do Saúde Caixa. Caso não seja possível, esperamos que tenha, no mínimo, a Gipes em alguns estados polos e representações nos demais estados, garantindo um atendimento mais humanizado aos bancários e às bancárias”, aponta Lizandre.

Em relação à questão do assédio moral e sexual, especificamente, os dirigentes sindicais cobraram um espaço específico para tratar do tema que atinge hoje a imagem do banco público e é causa de grande parte do adoecimento de empregadas e de empregados. Foi cobrado também, na ocasião, o fechamento de um calendário de negociações, com cronograma de debates para que as reivindicações da categoria avancem no rumo de propostas minimamente decentes. Isso, segundo a representação dos empregados, irá fortalecer o DNA público e social da Caixa.

Ao final da reunião, Sérgio Mendonça ressaltou a importância da Caixa e destacou que está disposto a solucionar rapidamente as questões apresentadas pelos dirigentes, mas que alguns pontos dependem da realização de concurso público para contratação de mais bancários, o que requer mais tempo devido aos trâmites burocráticos.

O vice-presidente de Pessoas reiterou que o compromisso da atual gestão do banco é de diálogo permanente com as empregadas e os empregados, para evitar que saiam programas sem conversar com as representações dos trabalhadores. “Nosso compromisso, portanto, é fazer o diálogo de forma transparente e de boa fé. Vamos procurar dar as respostas em curtíssimo espaço para as demandas apresentadas”, complementou.

Outros itens

Na ocasião, mesmo sendo uma reunião de pauta específica os representantes dos empregados lembraram a necessidade de avanços nas reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. É urgente a adoção de medidas que viabilizem a solução de problemas estruturais deixados pelas últimas gestões da Caixa. Fatiamento do banco em subsidiárias, sucateamento das áreas de infraestrutura e dos equipamentos e mobiliários são “entulhos autoritários” que precisam ser revistos com a urgência que o momento requer.

A representação dos empregados reivindicou ainda os seguintes itens:

– fim do teto de gasto do Saúde Caixa, bem como a melhoria do plano;
– valorização da Universidade Caixa com volta dos cursos presenciais;
– processos seletivos internos transparentes, democráticos e abertos a todos;
– home office com cumprimento efetivo da legislação sendo prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou criança sob guarda judicial até 6 anos (art Art. 75-F CLT);
– jornada reduzida para os pais de filhos PCDs (analogia a Lei nº 8.112/90);
– rediscussão do PCS, ESU;
– retorno das Gipes, bem como áreas de apoio aos empregados (descentralização – com uma por estado);
– fim das funções por minuto, com efetivação dos empregados que executam hoje essas atividades;
– fim do banco de horas negativo e dotação orçamentária necessária para as horas extras;
– reparações aos empregados perseguidos na gestão anterior.

Fonte: Fenae com  edições do Sindibancários/ES