Da esquerda para a direita, os diretores Carlos Pereira de Araújo, Jonas Freire e Marcelo Pimentel

Bancários e bancárias do Banestes definiram como eixos da sua campanha específica em 2023 a defesa do Banestes público e estadual, a Banescaixa, a Fundação, a pauta de saúde e condições de trabalho e o plano de carreira dos empregados. O debate foi feito ao longo dessa sexta-feira, 30, primeiro dia da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias, dedicado aos congressos específicos de cada banco.

O encontro dos banestianos foi iniciado com um balanço sobre as últimas negociações com o Banestes e a relação com o governo do estado. “Estamos na resistência contra o sucateamento do banco. Infelizmente, na gestão anterior de Renato Casagrande não houve diálogo. Ele tinha o compromisso de não privatizar o Banestes, mas iniciou um movimento de venda fatiada”, criticou o diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo, Carlão.

Banestianos referendam eixos prioritários em votação

O dirigente sindical Marcelo Pimentel lembrou da tentativa de venda da Banestes Seguros, que ficou congelada durante o período eleitoral, mas foi retomada no primeiro dia útil do atual mandato de Casagrande. O Sindicato soube que a seguradora havia sido negociada por meio de um fato relevante ao mercado, que informava a parceria celebrada com a Zurich Seguros – uma das gigantes do setor.

“Criticamos a falta de transparência do processo e reivindicamos acesso ao contrato para entender os termos da chamada parceria, mas o pedido foi negado”, resgatou Marcelo. Um novo requerimento foi formalizado pela deputada estadual Camila Valadão, a pedido do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, ainda sem resposta.

“Esse é um patrimônio importante para nós, para os trabalhadores e para os municípios capixabas. Precisamos nos envolver com a comunidade para defendê-lo”, alertou o dirigente sindical Jonas Freire.

Jonas destacou ainda a dificuldade de negociação com o banco em relação a outras pautas, como o plano de carreira e a Banescaixa. “A negociação é muito ruim. O pagamento da Banescaixa está inviável e o Grupo de Trabalho sobre o tema não avançou. Os bancários estão sem perspectiva de carreira, e temos um histórico de perda salarial que o banco sequer reconhece, e ainda usa a mesa da Fenaban como limite. É uma postura incompatível com o lucro do banco e com uma gestão que se pretende respeitosa com os trabalhadores”, enfatizou.

Banescaixa

Júlio César Gomes, ex-conselheiro da Fundação e da Banescaixa

Os banestianos destacaram a urgência de rever o modelo de custeio da Banescaixa a fim de garantir a sustentabilidade do plano e desonerar os empregados. A alta mensalidade inviabiliza a permanência dos associados e gera evasão, o que, por sua vez, enfraquece e encarece a plano de saúde, gerando um ciclo vicioso. As mensalidades ficam especialmente caras para os aposentados, para quem o Banestes deixa de contribuir com a cota patronal.

“Só em 2022 perdemos 123 associados”, informou o bancário Júlio César Gomes, ex-representante dos empregados no Conselho Deliberativo da Fundação e ex-integrante do Conselho da Banescaixa. “O bancário tem que escolher se come ou se paga o plano de saúde e, na prática, acaba indo pro SUS”, conclui.

Segundo balanço apresentado no Congresso, a Banescaixa teve saldo positivo entre receitas e despesas em 2022, mas as medidas de gestão são insuficientes para garantir um futuro sustentável ao plano. “Precisamos de ações estruturais. O Sindicato propõe alterar o custeio, retomando a cobrança por percentual, como era no passado”, explica Jonas. “Se a gente socializa a despesa, não pesa para ninguém”, enfatiza também o diretor de Seguridade da Baneses, Ricardo Gobbi.

Fundação Banestes

Sobre a Fundação, a principal reivindicação gira em torno da contribuição do patrocinador, que atualmente é suspensa assim que o empregado se torna elegível à aposentadoria pelo INSS. Os bancários reivindicam que o banco mantenha a contribuição de 9% — mesmo percentual pago pelo empregado – a todos os funcionários que permanecerem na ativa. “É fundamental pautarmos também o aumento do percentual pago pelo banco e a correção das diferenças entre os planos 1 e 2”, salientou Gobbi.

Ricardo Gobbi, diretor de Seguridade da Baneses

Saúde e condições de trabalho

A pauta de saúde e condições de trabalhado terá centralidade. Os empregados denunciaram o aumento da pressão por metas e o consequente adoecimento entre os empregados. “O que está acontecendo é um modelo de institucionalização das metas e do assédio moral que leva ao adoecimento e à naturalização do uso de medicamentos”, apontou o diretor Marcelo Pimentel. Segundo os empregados, a gestão do Banestes já se assemelha a gestão de bancos privados, e é fundamental resgatar os princípios que orientam a atuação de um banco público, seja na relação com o cliente, seja na garantia de condições dignas de trabalho para seus funcionários.

Valorização e plano de carreira

Banestianos e banestianas se mostraram cansados com as falsas promessas em relação ao plano de carreira. “O banco já prometeu a aplicação da ECR, do Plano Salto, divulgou consultoria para tratar o tema, mas nada foi efetivado. Na prática a remuneração é muito baixa e, ao longo da carreira, se o empregado não assumir uma função de confiança ou de seleção interna ele não tem perspectiva de crescimento. A única coisa temos é um anuênio de 1%”, criticou Marcelo Pimentel.

Os empregados ainda questionaram a falta de transparência nos processos de seleção internos. Eles querem a definição de critérios claros e objetivos para que não haja favorecimento nas nomeações.

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