A união de movimentos sociais e do campo e da cidade marcaram a abertura oficial da Conferência Estadual das Bancárias e dos Bancários do Espírito Santo, na manhã deste sábado, 01. Com o tema “O tempo não para: avançar e reconquistar direitos”, a Conferência contou com a participação dos militantes e dirigentes dos movimentos sociais de luta por moradia, terra, educação e por uma segurança pública democrática e popular. Os bancários e as bancárias capixabas seguem reunidos até domingo, 02.

Na ocasião, a coordenadora geral do Sindicato, Rita Lima, destacou a unidade dos trabalhadores do campo e da cidade como estratégia chave para reconquistar direitos. “Nossa histórica relação com os movimentos do campo e da cidade foi essencial na formação do nosso Sindicato, uma entidade forte e classista. A luta dos trabalhadores se dá em todos os lugares, no campo, na cidade, e é nosso dever como entidade, fortalecer aos movimentos sociais. Afinal, a luta por liberdade, igualdade e por direitos é todos nós”, frisou Rita Lima.

O presidente da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf-RJ/ES), Nilton Damião Esperança participou da mesa de abertura e destacou os desafios para os trabalhadores na conjuntura atual. “Precisamos comemorar a derrota do Bolsonaro e sua inelegibilidade. Mas nossa luta continua e precisamos  ainda derrotar a reforma trabalhista, discutir a reforma sindical e reconquistar os direitos que perdemos nos últimos anos. Vamos continuar trabalhando juntos, pois somente a unidade dos trabalhadores garante a vitória de toda a classe”, destacou.

Sindicato e os movimentos sociais

Ao longo dos 89 anos de história, o Sindicato esteve nas ruas, praças, no campo ao lado daqueles que lutam pelo direito à moradia, à terra, em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Na abertura da Conferência, lideranças do Movimento dos Sem Terra (MST), do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), dos Policiais Antifascismo e do movimento negro destacaram as conquistas e os desafios dos movimentos ao lado do Sindicato.

Lorrana Bernardes

“O movimento sindical já passou por vários movimentos de resistência e expressa esse compromisso na luta pelo bem estar de toda a sociedade, pelos direitos de todos os trabalhadores, ao atuar junto com os movimentos sociais”, enfatizou a líder do MNLM Lorrana Bernardes.

Além de agradecer e falar sobre os anos de atuação ao lado do Sindicato, a líder do MST Renata Moreira aproveitou a ocasião para denunciar os ataques de organizações e políticos da extrema direita ao movimento. Um dos mais recentes é a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados sobre atuação do MST.

“Acreditamos na luta pela terra, pela reforma agrária e na aliança entre os movimentos e trabalhadores do campo e da cidade. Por isso, estamos mobilizando toda a sociedade contra essa ofensiva da direita fascista que tenta a todo custo criminalizar o MST com a instalação de uma CPI”, convocou Renata, que leu a carta do movimento que será encaminhada ao presidente da Câmara, Arthur Lira. 

Dirigente da Intersindical, Idelmar Casagrande participou da abertura da conferência e reafirmou a necessidade do apoio das entidades ao MST. “Precisamos estar alinhados aos movimentos sociais, principalmente ao MST e aos pequenos agricultores, que são responsáveis por produzir alimentos sem agrotóxicos para a população. O ataque ao MST é um ataque aos milhões de pequenos produtores rurais. A Intersindical é formada por sindicatos e por movimentos sociais e está nesta luta de forma independente e autônoma para defender o MST”, enfatizou Idelmar. 

A coordenadora geral do Sindicato, Rita Lima, também declarou o apoio do Sindibancários/ES ao MST e convocou os bancários a se engajarem essa luta. “Reafirmamos o compromisso Sindicato com o MST. Temos a certeza que a categoria bancária, que tantos direitos já conquistou, também estará junto nesse processo de resistência dos trabalhadores do campo.  Em algum outro momento da nossa história também fomos criminalizados. Onde tem resistência tem criminalização. Por isso somos todos MST”, finalizou Rita.

A mesa também contou com a presença do líder do movimento negro do ES, Welligton Barros, e da militante do movimento dos policiais antifascistas, Maria Helena Vasconcellos.