A Caixa se reuniu com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) para apresentar o programa “Minha Trajetória”, que substituirá a criticada GDP (Gestão de Desempenho de Pessoas) a partir de agosto. O banco garantiu que será uma “virada de página” para corrigir os rumos que estavam estabelecidos na GDP. Segundo os argumentos apresentados pela Caixa, o objetivo da nova ferramenta é solucionar os problemas atuais e orientar o desenvolvimento profissional dos empregados. Apesar do entusiasmo dos interlocutores da Caixa, o programa não convenceu os representantes dos empregados. 

Para Lizandre Borges, dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da CEE, a Caixa apenas comunicou oficialmente que há um novo programa de gestão de pessoas que será implementado daqui a dez dias. “Não houve espaço para o debate que uma mudança dessa importância exige. Seria fundamental discutir a nova proposta. Afinal de contas, o programa tem consequências diretas no dia a dia dos empregados”. Lizandre acrescentou que até o nome escolhido é controverso. “O programa ganhou o nome de ‘Minha Trajetória’, mas o pronome possessivo ‘minha’ não se justifica, porque a ideia é toda da Caixa”, critica a dirigente.

A dirigente diz ainda que, durante a reunião, a representação dos empregados fez vários questionamentos sobre as diretrizes do novo programa. “Fizemos as perguntas, mas ficamos sem resposta. Ficou evidente que a ideia da Caixa não era debater, mas apenas comunicar”, afirma. A Caixa não explicou, por exemplo, se haverá penalidades para quem não cumprir os objetivos estabelecidos pelo “Minha Trajetória”. A dirigente lembra que com a GDP, o empregado estava impedido de participar de Processos de Seleção Interna. “Mas não houve explicação de como o novo programa irá tratar essa questão”, aponta.

Transparência
O banco garantiu que a nova ferramenta dará mais transparência às avaliações. Que o próprio empregado poderá registrar seus objetivos, que serão posteriormente validados e poderão ser alterados pelo gestor. E, além disso, o gestor fará uma avaliação parcial, que poderá ser vista pelo empregado, para que o mesmo busque a melhoria, ou apresente provas que mostrem que entregou os resultados definidos, ou questões que impediram tal entrega, como problemas no sistema. Entretanto, não existe campo para o empregado poder fazer anotações da sua entrega.

Os integrantes da CEE afirmaram que não basta a Caixa apresentar as decisões antecipadamente, porque a mesa não tem o papel passivo de ouvinte e sim a prerrogativa de propor o debate. Lizandre reforça que a mesa permanente de discussão é uma conquista dos empregados. 

Na avaliação geral, os representantes da CEE avaliaram que o “Minha Trajetória” tem avanços em relação à GDP, mas a implementação na data definida para início é considerada precipitada. “Entendemos que há pontos que precisam ser discutidos mais profundamente e aprimorados. A expectativa dos empregados e das empregadas da Caixa era de que o novo programa garantisse transparência e tivesse como foco o desenvolvimento do empregado, sepultando de vez o viés punitivista que estimula a cobrança abusiva de metas da GDP”, aponta Lizandre.