A preocupação com as condições de trabalho aumenta cada vez mais entre os bancários do Banco do Brasil: corte de postos de trabalho, automatizações, falta de diálogo e descumprimento de combinados estão entre os fatores constantes de tensão da categoria. Inclusive, nesta semana houve mais um anúncio de reestruturação divulgado pelo BB. A instituição bancária confirmou a criação de novas plataformas de Centrais de Relacionamento (CRBBs) e de Centros de Apoio aos Negócios e Operações de Logística (CENOPs).
Ao todo, serão 14 unidades (12 CENOPs e 2 CRBBs), localizadas em médias e pequenas cidades. Embora nenhuma dessas unidades esteja localizada no Espírito Santo, a medida foi anunciada sem diálogo com os caixas e o movimento sindical, gerando novas apreensões sobre o futuro da carreira, além de preocupações com a função social do banco, que é público.
“Temos uma grande parcela da população brasileira que não está incluída digitalmente, então o atendimento a essas pessoas fica muito prejudicado. E, como banco público, temos que cumprir nossa função social” explica a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Bethânia Emerick.
A reestruturação está sendo alardeada pelo BB como um ganho de qualidade, porém a instituição continua omitindo as questões das condições de trabalho. As novas unidades seguem o modelo padrão de mudanças recentes do banco: falta transparência, é repentina, sem conversa prévia e sem detalhamento. “Como temos falado sempre, existem muitos problemas não resolvidos e os bancários continuam adoecendo e trabalhando em condições precárias, com falta de funcionários e sobrecarregados”, pontua Bethânia. A classe bancária sente como se o banco estivesse “forçando a barra” para que as pessoas peçam a mudança de cargo.
Dirigentes do Sindibancários/ES questionam: todos que estão trabalhando na função de caixa vão querer trabalhar nessas plataformas criadas? Tem vagas para todos? Como serão resolvidos os problemas onde essas plataformas não serão implantadas?
Condições de trabalho
A Plataforma de Suporte Operacional (PSO), criada no início da década de 2010, deveria ser um suporte operacional das agências para que elas se voltassem mais para o negocial, segundo a dirigente. Porém, “com o passar do tempo essa parte operacional foi ficando prejudicada porque os caixas agora fazem parte do negocial, precisam ter metas embora sua função seja operacional”, pondera Bethânia. Cercados por todos os lados com mais demandas e menos condições de trabalho, os caixas aguardam soluções claras e segurança de trabalho.
Muitas vagas em agências e PSOs que estavam bloqueadas há algum tempo foram confiscadas ou eliminadas na reestruturação mais recente do banco. “Isso traz de novo o problema das condições de trabalho, pois o quadro geral já está deficitário há algum tempo. Os bancários já vêm trabalhando sobrecarregados. Por exemplo, na PSO Vitória existiam sete vagas bloqueadas que foram eliminadas”, lamenta Bethânia. Em junho, os representantes dos bancários exigiram celeridade na solução do problema das PSOs, e o banco se comprometeu a dar uma resposta na primeira semana de julho, porém nada foi dito até agora.
Caixas
“O problema dos caixas é o seguinte: ainda estamos seguros por uma liminar. No início deste ano, teria uma mesa de conciliação para conversamos com o banco, mas isso não ocorreu. A impressão que temos é que eles querem acabar com essa função”, revela Bethânia.
A dirigente explica que havia a expectativa de que o a nova direção do BB acabasse com a tensão e resolvesse a situação dos caixas, mas no mês de agosto ainda não existe diálogo em relação a isso. “Isso impacta diretamente na nossa saúde, estamos prejudicados de todos os lados”, destaca.
Denuncie
Bancários que estiverem em agências onde há excesso podem entrar em contato com o Sindicato para tirar dúvidas e receber orientações. Ninguém deve aceitar pressão de gestores e superintendentes. Em caso de pressão e/ou assédio para trocar de cargo, ser transferido ou outros problemas, procure o sindicato. Os bancários podem acionar o Sindicato por meio do telefone (27) 3331-9999 ou por meio do Canal de denúncias.

