
- Rita Serrano fala das ações da Caixa durante o evento de lançamento do PAC Piauí, nessa quinta-feira, 31 (Foto: Agência Brasil)
Há cerca de dois meses têm se intensificado na imprensa a informação de que a Caixa Econômica Federal estaria prestes a ser negociada com o Centrão de Arthur Lira. O presidente da Câmara dos Deputados já teria até um nome da manga, o do ex-deputada federal Margarete Coelho, que fez parte do grupo de mulheres que apoiou a campanha de reeleição de Bolsonaro. Em live na última quarta-feira, 30, Rita Serrano afirmou que não existe nada de concreto sobre uma mudança na Caixa além das matérias especulativas publicadas pelos jornais. “Eu diria que isso é um verdadeiro assédio moral”, criticou a presidenta.
Nessa quinta-feira, 31, associações e federações (Apcef-RS, Agecefs, Advocef, Audicaixa, Anacef, SocialCaixa, Aneac. Contec e Fenag) de empregados e empregadas do banco publicaram uma nota (acesse o link da da nota abaixo) em repúdio aos ataques articulados pelo Centrão para desestabilizar a gestão de Rita Serrano. A nota destaca que os ataques são “um desrespeito a tão dedicada profissional”. As entidades acrescentam que Rita Serrano vem desenvolvendo um importante trabalho à frente da instituição. “A duras penas, Rita está coordenando o processo de resgate da imagem do banco, valorizando e reconquistando a confiança de seus empregados, de forma a reconstruir e solidificar a governança”, diz um trecho na nota.
Rita Lima, coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, se solidariza à presidenta da Caixa. “O que o Centrão de Lira está fazendo, com o apoio de parte da imprensa, é assédio. Nos livramos recentemente da gestão tirana de Pedro Guimarães, marcada pela prática de assédio sexual e moral contra as empregadas da Caixa. Agora vemos o Centrão recorrer novamente à estratégia perversa do assédio para minar a gestão da nossa presidenta”, critica Rita Lima.
A também dirigente do Sindibancários e integrante da Comissão de Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Lizandre Borges, também critica o cerco que o Centrão está fazendo via imprensa para tomar para sequestrar o comando da Caixa. “É notório que a governabilidade de Lula vira e mexe fica refém dos interesses de Lira, que detém maioria na Câmara. Nos últimos meses já ouvimos que ministérios estratégicos também estariam sendo negociados com o Centrão, mas essas informações não saíram do campo da especulação”. Essa, aliás, foi a palavra que Rita Serrano usou na live para classificar os conteúdos publicados pela imprensa que dão como certa a sua saída. “Quero que vocês saibam que eu e toda a direção da Caixa estamos trabalhando sem trégua e que essas especulações são especulações”.
A coordenadora-geral do Sindibancários faz um alerta. “Há um claro plano em curso para desestabilizar a atual gestão. Temos que destacar que a Caixa é o maior banco público da América Latina e esse processo está sendo tóxico para a imagem da instituição, com reflexos no dia a dia do banco. É hora de todos nós sairmos em defesa da Caixa. O momento é de nos unirmos contra essa ofensiva do Centrão. Temos que exigir que o governo Lula não entregue a Caixa à rapinagem de Lira e seus aliados do Centrão ”, adverte Rita Lima.
Lizandre acrescenta que a gestão de Rita Serrano, aos poucos, vem avançando em pontos importantes para os empregados. “Às vezes temos a sensação de que as coisas poderiam andar com mais rapidez. Na posição de representantes dos empregados temos que cobrar soluções para as demandas dos trabalhadores. Faz parte do jogo. Mas também precisamos ponderar que Rita Serrano herdou um legado de terra arrasada. Pedro Guimarães promoveu um verdadeiro desmonte na instituição”, aponta Lizandre.
Não só Rita Serrano, mas todos nós, cada um dentro da sua responsabilidade, completa Rita Lima, estamos tentando juntar os caquinhos para reconstruir a Caixa. Queremos de volta uma Caixa fiel à sua vocação social e cumprindo seu papel de agente público fomentador do desenvolvimento deste país. É com Rita Serrano na presidência que vamos reconstruir a Caixa como queremos. Como Lula lembrou nessa quinta-feira, durante o lançamento do PAC no Piauí, os bancos públicos só têm sentido de existir se for para fazer diferente dos privados”.
Rita Lima continua: “Por isso conclamamos aos empregados e às empregadas para se engajarem nesta luta em defesa da Caixa. O caminho para reconstrução não passa pela entrega da Caixa ao Centrão. Ao contrário, é preciso manter a instituição sob o comando de uma empregada de carreira, que tem profundo conhecimento dos problemas do banco e de sua importância para o Brasil, além de entender as necessidades dos empregados. É urgente nos livrarmos do entulho legado por Pedro Guimarães. Somente junto com Rita iremos conquistar as mudanças em benefício dos trabalhadores e das trabalhadoras. Por isso, precisamos manter a mobilização em defesa da permanência de Rita Serrano na Caixa, mas sem perder de vista nossas lutas, como a derrubada do teto de gastos de 6,5% imposto à Saúde Caixa, uma das nossas prioridades neste momento. Vamos subir as hashtags: #RitaFica; #CentrãoNão; #FimdoTeto6,5%”, enfatiza a dirigente.

