A conquista de um Plano de Cargos e Salários (PCS) é uma das pautas centrais da campanha Primavera Banestiana devido à sua abrangência. A demanda afeta tanto os banestianos em início de carreira como os que já estão há anos ou mesmo décadas no banco. “A luta para conquistar um PCS envolve do técnico bancário ao gerente. Essa é uma pauta transversal, permanente e com um apelo muito forte, mas que nunca saiu do papel. O sentimento geral do banestiano é de inconformismo. Por que o banco se mantém resistente em adotar um PCS”, questiona o secretário-geral do Sindibancários, Jonas Freire. 

“Se o Banestes encomendar uma pesquisa interna hoje para saber quais são as principais demandas dos banestianos, com certeza o Plano de Cargos e Salários aparecerá na cabeça da lista”, afirma o dirigente do Sindicato Marcelo Giacomin. Para Marcelo, o PCS é imprescindível numa empresa.  “É uma ferramenta para valorizar o trabalhador. Para quem está chegando no banco, o plano abre uma perspectiva de crescimento. Para quem já está na casa há mais tempo, o PCS é um elemento motivador, porque reconhece, promove e adequa os salários do trabalhador. Com o PCS, a empresa garante transparência ao processo de promoção e encarreiramento. ”, assinala o dirigente.

Marcelo Giacomin pondera, no entanto, que o Banestes deve apresentar primeiramente o plano ao Sindicato. “Com o plano em mãos, iremos convocar as assembleias para apresentá-lo aos funcionários, que poderão propor eventuais ajustes. É preciso enfatizar que estamos pleiteando um plano, mas não qualquer plano. Queremos um PCS que atenda aos anseios de todos os funcionários de forma equânime, do técnico bancário ao gerente”, sublinha o dirigente.

Plano Salto engavetado
Apesar da importância e recorrência da pauta, Jonas diz que os funcionários mais antigos de casa já ouviram a promessa de que um Plano de Cargos e Salários estaria em vias de ser implementado diversas vezes. Em julho de 2014, último ano do primeiro mandato do governador (2011 – 2014), lembra Jonas, o Banestes chegou a anunciar o Plano Salto. No entanto, a expectativa dos funcionários de terem um Plano de Cargos e Salários foi frustrada. O Banestes recuaria alegando conflitos com a Justiça por se tratar de ano eleitoral. Havia a promessa de que o plano seria apresentado em janeiro de 2015, mas Casagrande perdeu a eleição para Paulo Hartung e o Plano Salto não saiu da gaveta. 

Jonas lembra que à ocasião da apresentação do Salto, o Banestes não deixou clara, por exemplo, sua proposta em relação ao enquadramento dos servidores com mais tempo de casa. “Esses funcionários corriam o risco de permanecer com suas carreiras estagnadas”. Outra questão que chamava a atenção se referia à promoção por mérito baseada unicamente nos quesitos lucro, avaliação e orçamento específico do banco. “Na época, tivemos acesso a um esboço do plano. Da parte que tivemos acesso, vimos que o plano representava retrocessos”, aponta. 

Depois de um intervalo de quase uma década, o Banestes tornaria a prometer um Plano de Cargos e Salários novamente em 2022. Marcelo Giacomin conta que durante o evento institucional do banco “Encontro de Gigantes”, em meados do ano passado, o diretor de Administração do Banestes, Álcio de Araújo, prometeu que o banco iria apresentar um PCS no início de 2023. “Já entramos no último trimestre do ano e nada. Com a entrega da minuta de reivindicações ao Banestes e com a abertura de uma agenda de negociação, a expectativa é de que agora a discussão sobre o PCS finalmente saia do campo das promessas e avance”, afirma.

Do engavetamento do Plano Salto para cá, já se vão dez anos. “Já tivemos nesse interregno um mandato de Hartung, um segundo governo de Casagrande e o PCS não se materializou. É hora da direção do Banestes olhar para os resultados excepcionais que o banco vem acumulando ao longo da última década e reconhecer o esforço dos banestianos e das banestianas. O crescimento do Banestes é mérito principalmente dos seus funcionários. Os governadores e presidentes do banco são transitórios, mas os funcionários, que efetivamente constroem o banco, ficam. Avançar nas pautas da campanha da Primavera Basnestiana é uma oportunidade para o governador cumprir os compromissos firmados com o Sindicato e com os banestianos. Um Banestes forte se faz com a valorização dos seus trabalhadores e das suas trabalhadoras, alicerces da instituição”, enfatiza Jonas.